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A vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) também afastou os planos de privatização da estatal

O dia começou no vermelho para a maior parte das bolsas internacionais, com os investidores no aguardo da decisão de juros do Fed e balanços das empresas. Porém, os recibos de ações (ADRs, em inglês) da Petrobras (PETR3;PETR4) vivem uma segunda-feira (31) especialmente difícil no exterior.
Os papéis da estatal brasileira chegaram a cair mais de 10% antes da abertura dos negócios em Nova York, mas reduziram a queda ao longo da manhã. Ao final da sessão, o ADR PBR recuou 4,68%, negociado a US$ 12,82.
Nos negócios aqui no Brasil, as ações da Petrobras encabeçaram as quedas do dia desde a abertura. Confira o fechamento dos papéis da petroleira:
| Ticker | VAR (%) | Preço |
| PETR3 | -7,04% | R$ 33,26 |
| PETR4 | -8,47% | R$ 29,81 |
Isso porque a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) afastou os planos de privatização da estatal, o que foi visto com maus olhos pelo mercado financeiro. Além disso, a perspectiva de uma maior interferência política na Petrobras também penaliza os papéis da empresa no exterior.
Não apenas isso: a queda nas cotações internacionais do petróleo também contribui para um fraco desempenho dos papéis da empresa hoje. O barril do Brent, utilizado como referência internacional, caiu 0,96%, negociado a US$ 94,85 antes do relatório da Opep que trará a perspectiva para demanda global da commodity.
Quem precisou recalibrar sua postura ao novo cenário local para a Petrobras foi o JP Morgan, que disponibilizou um relatório após as eleições. Segundo a instituição financeira, a agenda adotada pela empresa em 2016 e que vinha sendo estabelecida desde então deve ser suspensa em alguma medida com o novo governo.
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A publicação destaca que Lula sempre foi um crítico do modo como a empresa vinha sendo conduzida, em especial no quesito de alocação de recursos e política de preços. Com o novo governo em 2023, os pontos considerados positivos pelo banco norte-americano podem ser alterados.
Plano do governo do PT também prevê que Petrobras invista em refinarias para permitir que o Brasil dependa menos de combustível importado.
Com isso, o JP Morgan rebaixou a recomendação da estatal para neutro, com preço-alvo de US$ 14,00 para os ADRs e de R$ 37,00 para as ações negociadas na B3. Isso representa uma queda em relação as projeções anteriores, de US$ 20,00 e R$ 53,00, respectivamente.
“Acreditamos que o preço das ações não refletirá totalmente os fundamentos [da Petrobras] até que os investidores tenham mais clareza sobre o que mudará na empresa”, destaca a publicação.
O futuro chefe do Palácio do Planalto terá direito de indicar o futuro presidente da estatal, assim como membros da diretoria.
Assim, ficará mais claro dar respostas aos questionamentos que o mercado vem se fazendo — entre eles, como será o plano de investimentos da empresa, se a política de preços com paridade internacional está realmente ameaçada e, por fim, se o plano de distribuição de dividendos permanecerá de pé.
Desses três pontos, apenas a política de preços dos combustíveis tem uma resposta mais clara. A campanha do presidente Lula já afirmou que pretende “nacionalizar os preços” da Petrobras, o que pode fazer a empresa ficar para trás em relação a uma possível disparada das cotações do petróleo no futuro.
E o investidor pode esperar sentado: de acordo com a perspectiva do JP Morgan, todas essas questões devem ser esclarecidas dentro de seis meses.
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