Nubank vai ter lucro ou prejuízo? Saiba o que o mercado quer ver no resultado do banco digital no terceiro trimestre
Resultados do Nubank no terceiro trimestre de 2022 serão publicados nesta segunda-feira (14) após o fechamento do mercado

Não dá para dizer que o terceiro trimestre de 2022 foi monótono para o Nubank. O período entre julho e setembro ficou marcado por duas grandes polêmicas: a mudança na rentabilidade da NuConta e a intenção de fechar o capital no Brasil.
Ambas as decisões, aliás, com potencial de impactar os números que serão apresentados nesta segunda-feira (14), após o fechamento do mercado. Mas é um terceiro indicador que todo o mercado está ansioso para conhecer: a trajetória da inadimplência.
Adeus, B3
A mudança na rentabilidade da NuConta, anunciada e implementada em julho, é ruim para os clientes. Mas pode trazer alguma melhora nos custos de captação já no balanço do terceiro trimestre.
Na nova regra, as contas do Nubank passaram a render diariamente apenas a partir do 30º dia de depósito e não mais desde o primeiro dia. Ou seja, o banco digital passou a embolsar o rendimento equivalente ao CDI durante esse período. Mas vale lembrar que, caso o cliente mantenha os recursos na NuConta por mais de um mês, recebe o rendimento retroativo.
Ao mesmo tempo, o fechamento de capital no Brasil, segundo o banco, vai na direção de minimizar redundâncias, uma vez que o Nubank também tem registro nos Estados Unidos, com ações listadas na Nyse.
Com a mudança, o banco digital deixa de ser listado na B3, mas ainda terá BDRs Nível 1 negociados na bolsa brasileira, da mesma forma como empresas estrangeiras como Apple, Google e Microsoft.
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Em meio a essas polêmicas, o Nubank também alcançou a marca de 70 milhões de clientes ao final de setembro e definitivamente não pode ser mais considerado uma simples fintech.
Para o terceiro trimestre, os analistas não têm uma direção única sobre os números do Nubank.
Enquanto o Bradesco BBI estima lucro líquido de US$ 7 milhões, o Goldman Sachs calcula um prejuízo de US$ 15 milhões. Vale frisar que esta linha corresponde ao lucro contábil limpo.
O Nubank, no entanto, costuma dar ênfase ao lucro líquido ajustado, no qual são descontadas despesas relacionadas à remuneração baseada em ações e efeitos tributários aplicados a esses itens. Neste cálculo, o banco apresenta lucro em vez de prejuízo, e o consenso de analistas ouvidos pela Bloomberg estima lucro de US$ 12 milhões.
Inadimplência do Nubank vai subir. Mas quanto?
Por mais que haja melhora do prejuízo no terceiro trimestre, a qualidade dos ativos deve continuar se deteriorando.
Dados do Banco Central de agosto mostraram que a inadimplência de cartões de crédito e empréstimos pessoais continuou aumentando, o que indica, possivelmente, que a mesma tendência deve ser observada no Nubank.
Vale pontuar, ainda, que o Bradesco, um banco de varejo que atende o mesmo perfil de público que o Nubank, mostrou uma deterioração significativa da inadimplência nas pessoas físicas, principalmente com cartões de crédito e empréstimos pessoais.
Portanto, é provável que a inadimplência no Nubank piore.
Há de se ressaltar que, no segundo trimestre, o banco alterou o cálculo da inadimplência de forma que o índice final ficou mais agradável aos olhos. A mudança também dificulta a comparação direta do Nubank com os concorrentes.
Na nova metodologia, o banco digital passou a antecipar a baixa de empréstimos pessoais inadimplentes há mais de 360 dias para 120 dias.
Fazendo o cálculo retroativamente, a inadimplência no primeiro trimestre, que havia ficado em 4,2% no método antigo, passou a ser de 3,5%. Já o índice do segundo trimestre ficou em 4,1%.
Para o terceiro trimestre, os analistas esperam nova deterioração do índice. O Bradesco BBI, por exemplo, estima que a inadimplência deve chegar a 5,6%, mesmo com a nova metodologia.
No entanto, essa piora não deve exercer uma pressão tão grande sobre as provisões, de acordo com o BTG Pactual, uma vez que o principal propulsor do modelo de provisionamento de perdas do Nubank é a originação de crédito, que está mais restrita.
Desempenho das ações do Nubank
Os números que serão apresentados na segunda-feira (14) têm potencial de mexer com o papel do Nubank na bolsa, que nos últimos tempos se estabilizou ao redor de US$ 4 e US$ 5.
Desde a oferta pública de ações (IPO) em Nova York, há quase um ano, o Nubank acumula queda superior a 50%.
PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
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