Elon Musk declara guerra contra a Apple pelo “fim da censura” e de taxas excessivas — e ele não é o único
CEO da Tesla criticou a empresa de Tim Cook após suposta ameaça da Apple de remover o Twitter da loja de aplicativos App Store; entenda a disputa

Autodenominado um “absolutista da liberdade de expressão”, Elon Musk parece disposto a esgotar todas as suas opções para acabar com o que chama de censura nas redes sociais como o Twitter. E isso inclui comprar briga até mesmo com uma das maiores empresas de tecnologia do mundo como a Apple (AAPL34).
Na última segunda-feira (28), o homem mais rico do mundo e novo dono do Twitter declarou em um post na rede social uma verdadeira guerra contra a empresa de Tim Cook pelo “fim da censura na América”, com uma série de denúncias e indiretas – bem diretas, diga-se de passagem — envolvendo a Apple.
No primeiro dos tuítes, o bilionário informou que a Apple teria “praticamente parado de anunciar no Twitter” e havia ameaçado remover o aplicativo do pássaro azul da loja de aplicativos App Store. A medida faria parte do processo da Apple de moderação para revisão de aplicativos.
“Eles odeiam a liberdade de expressão na América? O que está acontecendo aqui, Tim Cook?”, questionou o bilionário.
Segundo dados da empresa de inteligência publicitária MediaRadar, a fabricante de iPhone gastou cerca de US$ 40 milhões em anúncios no Twitter em 2022.
O Twitter e o fim da censura
Usuário ativo da plataforma do passarinho azul desde 2009, o CEO da Tesla comumente lança enquetes na rede social para tomar decisões e opinar sobre vários temas — mesmo os mais importantes, como planos de paz para guerras entre nações.
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Elon Musk até mesmo invocou expressões arcaicas como “Vox Populi, Vox Dei" (que, traduzida do latim, seria algo do tipo “a voz do povo é a voz de Deus”) para justificar a restauração de contas polêmicas banidas da rede social, como as do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do rapper Kanye West.
Desta vez, a nova enquete do homem mais rico do mundo no Twitter colocou em jogo as supostas “ações de censura” da fabricante de iPhones.
"A Apple deveria publicar todas as ações de censura tomadas que afetam seus clientes? Sim ou não”
O bilionário também disse, no Twitter, que atualmente acontece uma “revolução contra a censura online na América”.
A Apple vai excluir o Twitter da App Store?
As diretrizes públicas do Twitter parecem estar sendo acompanhadas de perto pela Apple há algum tempo — e podem resultar na retirada do aplicativo da App Store, segundo Elon Musk.
“A Apple também ameaçou retirar o Twitter da sua App Store, mas não quer nos contar o porquê”, escreveu o bilionário, em tweet.
Isso porque a empresa de Tim Cook exige uma forte moderação de conteúdo em aplicativos em que o usuário gera o próprio conteúdo, como é o caso do Twitter.
Desde que assumiu o controle da rede social, o CEO da Tesla promoveu intensos cortes na força de trabalho do Twitter, incluindo, supostamente, na equipe que cuidava da moderação de conteúdo da plataforma.
A fabricante do iPhone entrou em contato com o Twitter no começo de novembro devido a uma onda de publicações de discurso de ódio na plataforma, segundo reportagem do The New York Times.
Além disso, a Apple cobra dos aplicativos taxas entre 30% e 15% para compras digitais realizadas dentro dos apps.
Também no início deste mês, o ex-chefe de marketing da Apple que supervisiona a App Review, Phil Schiller, aparentemente deletou sua conta no Twitter após Musk ter assumido o controle da rede social.
Para Phillip Shoemaker, antigo chefe de revisão de aplicativos da Apple, a decisão de Schiller o lembrou de “uma empresa fazendo movimentos para se preparar para a guerra”.
“Os movimentos recentes da Apple são como quando você remove tropas de um país antes de atacar”, disse Shoemaker.
Elon Musk contra as taxas da Apple
Na tarde de ontem, o CEO da Tesla também perguntou na rede social quem mais teria sido “censurado pela Apple”.
Isso porque a loja oficial da Apple é a única maneira de instalar softwares em iPhones e outros aparelhos da marca. Então, caso o aplicativo fosse retirado da App Store, a rede social do passarinho azul perderia uma de suas principais plataformas de distribuição.
Em outros tweets, o novo chefe do Twitter questionou as taxas cobradas pela Apple em sua loja de aplicativos, chamando-as de “imposto secreto de 30%”.
“Você sabia que a Apple coloca uma taxa secreta de 30% sobre tudo o que você compra através da App Store deles?”, escreveu Musk.
A empresa de Tim Cook cobra dos fabricantes de aplicativos para iPhone um “imposto” entre 15% e 30% por qualquer qualquer produto digital vendido através de seus apps.
Considerando que os planos de Elon Musk para o Twitter 2.0 incluem uma arrecadação bilionária com o lançamento das assinaturas do “Twitter Blue”, as taxas cobradas pela Apple renderiam à empresa da maçã um lucro de centenas de milhões de dólares. Isso só por ter o Twitter listado na App Store.
O bilionário publicou um meme na rede social com dois caminhos possíveis a serem seguidos: pagar o imposto de 30% ou ir para a guerra. Musk apagou a foto algumas horas depois, mas a escolha foi clara: a batalha contra a Apple já começou.
O bilionário fixou em seu perfil no Twitter a postagem: “Esta é uma batalha pelo futuro da civilização. Se a liberdade de expressão for perdida mesmo na América, a tirania é tudo o que está por vir”.
Elon Musk não foi o único a brigar com a Apple
Vale destacar que Musk não foi o primeiro a criticar as taxas cobradas pela Apple. A Epic Games, fabricante do jogo Fortnite, foi à Justiça em 2020 para batalhar contra o “imposto” cobrado pela big tech e o suposto comportamento anticompetitivo da companhia.
Após uma decisão judicial que beneficiou a Apple ao determinar que a gigante da tecnologia não estava agindo como monopolista em relação às práticas da App Store, ambas as empresas entraram com recurso — e a guerra retornou aos tribunais em meados do mês passado.
A Epic Games queria que o tribunal obrigasse a Apple a apoiar pagamentos e lojas de aplicativos de terceiros e métodos alternativos para instalar aplicativos nos aparelhos da marca da maçã, o que teria permitido que o Fortnite maximizasse suas receitas.
Enquanto isso, apesar de ter vencido o processo antitruste, a empresa de Tim Cook criticou a decisão da Justiça de que a companhia teria que permitir aplicativos que fornecessem links para pagamentos alternativos.
*Com informações de CNBC, Business Insider e Axios
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