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A casa de análise manteve a recomendação neutra para as ações BRFS3, embora tenha elevado o preço-alvo de R$ 12,98 para R$ 20,00
“O abajur cor de carne, o lençol azul…” A BRF (BRFS3) está longe de ser uma menina veneno, mas pode se entorpecer com os desafios que estão no caminho — inflação, adversidades climáticas nas safras e até a guerra na Ucrânia.
Por isso, a Inter Equity Research manteve a recomendação neutra para as ações BRFS3, embora tenha elevado o preço-alvo de R$ 12,98 para R$ 20,00, o que representa um potencial de valorização de 56% com relação ao fechamento de sexta-feira (17).
A casa de análise considera as incertezas para o ano e incorporou os resultados do primeiro trimestre. Por isso, adotou uma postura mais conservadora para a BRF, principalmente levando em conta que o mercado já precificou boa parte dos riscos para o papel.
No primeiro trimestre, a BRF reportou resultados que surpreenderam negativamente o mercado e a Inter Research, em razão da limitação da demanda e reajustes na cadeia da companhia.
Essa combinação levou à queda da margem bruta para 3,3%, levando a um Ebitda negativo de R$ 375,8 milhões ante o resultado positivo de R$ 728,5 milhões no primeiro trimestre de 2021.
Levando em conta a relevância das operações no Brasil para o resultado da BRF (BRFS3), com uma representatividade da receita líquida de 51% em 2021, a Inter Research vê uma situação mais desafiadora para o mercado doméstico.
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Os preços mais elevados do frango e a inflação geral, segundo a casa de análise, inviabilizam o avanço do consumo no ano.
Do lado da oferta, a avicultura é pouco rentável com o aumento dos custos e sensibilidade da demanda brasileira diante de repasses de preços, gerando um movimento de redução do alojamento.
No entanto, segundo a Inter Research, os recentes estímulos do governo, como liberação dos valores do FGTS e redução de impostos, tendem a amenizar os efeitos da demanda mais reprimida no curto prazo, principalmente pela postura mais defensiva do setor de alimentos.
De modo geral, a casa de análise diz que 2022 será um ano de intempéries para o segmento, no qual variáveis fragilizam a dinâmica da indústria — guerra entre Rússia e Ucrânia, adversidades climáticas nas safras e a inflação global.
No cenário internacional, o horizonte da BRF (BRFS3) é positivo, com um curto prazo mais favorável, segundo a Inter Research.
Para o curto prazo, a região do Oriente Médio se torna mais atrativa para a empresa, levando em conta a escassez de proteína de frango com a ausência da Ucrânia, importante exportador, e gripe aviária no Hemisfério Norte.
Além disso, a liberação temporária das cotas de importação pelo governo do México, estimula a exportação brasileira, principalmente pelo Brasil deter diversas plantas habilitadas para exportação para o país.
No longo prazo, as atividades dependerão da estratégia de crescimento da BRF em regiões como a Ásia, que inicialmente foi traçada com o intuito de avançar na China e demais países do continente por meio de parcerias para comercialização de produtos com alto valor agregado.
Por mais que ainda incerta a direção do crescimento da BRF (BRFS3), a Inter Research vê que a mudança do conselho, com ingresso da Marfrig (MRFG3) e representatividade positiva dos acionistas na administração, traz uma esperança sobre o gerenciamento e futuro da companhia.
Além disso, para o curto prazo, o ajuste na produção, com redução do estoque, assim como mudança no mix de produtos em busca de baratear o item para o consumidor, foram passos importantes para o assentamento da BRF, principalmente com as oscilações que ainda estão por vir no ano.
Por outro lado, no longo prazo, vemos que a estratégia global da companhia já encaminhada e atuação com uma proteína em ascensão dentre as demais, traz fortes benefícios para BRF no futuro, no qual só virá a depender da capacidade administrativa de fomentar esse potencial.
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