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O resultado da montadora veio recheado de recordes no quarto trimestre, mas os investidores concentraram-se em outra linha do balanço
A noite da Tesla (TSLA34) tinha tudo para ser perfeita nesta terça-feira (26). A fabricante de carros elétricos divulgou um balanço trimestral recheado de cifras bilionárias e indicadores que superaram as expectativas do mercado.
O lucro líquido atribuível aos acionistas, por exemplo, disparou 665% e chegou a US$ 5,5 bilhões no acumulado em 2021, na comparação com o ano anterior. Mesmo com gastos com novas fábricas e outras despesas, o fluxo de caixa livre também saltou 80% no período, para US$ 5 bilhões.
Mas, ainda assim, as ações da empresa de Elon Musk chegaram a cair até 6,1% após a divulgação do balanço, durante as negociações after hours na Nasdaq.
Por que, em meio aos recordes e crescimento dos resultados, as ações da Tesla amargam a queda?
A resposta para esta pergunta é que os investidores passaram direto pelos bilhões no lucro e nas receitas e concentraram sua atenção em uma linha do balanço que indica que os dias de recorde podem estar ameaçados.
“Nossas fábricas estão funcionando abaixo da capacidade há vários trimestres, já que a cadeia de suprimentos se tornou o principal fator limitante, o que provavelmente continuará ao longo de 2022”, escreveu a empresa no comunicado que acompanha o balanço.
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Apesar de não trazer nenhuma novidade sobre o setor automotivo - o próprio fundador da empresa já tinha falado sobre a questão em um tuíte no final de novembro - a declaração indica que a falta de suprimentos, um problema que afeta a maioria das montadoras ao redor do mundo, também começou a ser sentida na empresa do Vale do Silício.
Oh man, this year has been such a supply chain nightmare & it’s not over!
— Elon Musk (@elonmusk) November 29, 2021
I will provide an updated product roadmap on next earnings call.
Por enquanto, a empresa recorre a sua experiência interna em engenharia de software para consolidar seus sistemas e driblar a escassez de semicondutores. Além disso, também aterrissou recentemente na África para elevar a produção de um componente importante das suas baterias de carros elétricos: o grafite.
Mas, mesmo com a capacidade reduzida, a Tesla conseguiu superar as projeções dos analistas nos resultados trimestral e anual. O lucro no quarto trimestre foi de US$ 2,8 bilhões, ou cerca de US$ 2,54 por ação, contra expectativas de US$ 2,36.
Impulsionada pela marca histórica de entregas de veículos - a montadora colocou na praça mais de 308 mil veículos nos últimos meses de 2021 -, a receita total cresceu 65% na base trimestral, para US$ 17,7 bilhões.
E, se os próximos planos se concretizarem como o esperado, mais recordes devem ser quebrados em breve. “Nosso objetivo é incrementar a produção o mais rápido possível. Acreditamos que a competitividade no mercado de veículos elétricos será determinada pela habilidade de adicionar capacidade em toda a cadeia de suprimentos e aumentar a produção”, reforça a Tesla.
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