O que será do PIB? Conheça os vilões que farão a economia brasileira desacelerar ainda mais daqui pra frente
No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,4% — uma desaceleração se comparada à expansão de 1,2% dos três meses anteriores

A economia brasileira desacelerou no terceiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,4% entre julho e setembro, depois de uma expansão bem mais forte, de 1,2% nos três meses anteriores. Além de mais fraco, o desempenho também veio abaixo do avanço de 0,6% que o mercado esperava.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (01), estão no espelho retrovisor. Só que, olhando para o horizonte da economia brasileira, as notícias não são melhores. A tendência é de que o processo de desaceleração continue.
Segundo o Itaú, o enfraquecimento do PIB no terceiro trimestre era esperado e é um sinal de desaceleração no segundo semestre, devido à redução da renda disponível e ao efeito defasado da política monetária contracionista.
E essa mesma política monetária contracionista — aqui e no exterior — deve continuar pressionando a economia brasileira.
“Continuamos vislumbrando uma desaceleração da demanda doméstica em componentes cíclicos, decorrente principalmente da esperada desaceleração da economia global e dos efeitos de uma política restritiva do banco central”, disse o Santander.
Entre os fatores externos que devem pesar sobre o PIB brasileiro daqui para frente estão a inflação nos EUA, que vem forçando o Federal Reserve (Fed) a ser agressivo no aumento da taxa de juro por lá; a guerra entre Rússia e Ucrânia, que pressiona o preço das commodities como grãos e petróleo; e a política de covid zero da China.
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Olhando o PIB do terceiro trimestre mais de perto
O avanço de 0,4% registrado no terceiro trimestre ante o segundo trimestre fez o PIB do Brasil ficar 4,5% acima do nível do quarto trimestre de 2019, no período pré-pandemia de covid-19, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Embora tenha desacelerado, o PIB brasileiro alcançou no terceiro trimestre o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o PIB apresentou alta de 3,6% entre julho e setembro, em linha com a mediana das previsões.
Ainda segundo o IBGE, o PIB do terceiro trimestre de 2022 totalizou R$ 2,5 trilhões.
Dessa vez, o agronegócio não ajudou
Por diversas vezes o setor agropecuário livrou a economia brasileira de um desempenho ruim. Mas, no terceiro trimestre deste ano, a história foi outra.
O PIB do setor caiu 0,9% nos três meses encerrados em setembro ante o trimestre anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o PIB da agropecuária subiu 3,2%.
“O recuo de 0,9% do setor agropecuário na comparação trimestral foi a principal surpresa para baixo nas projeções”, disse o Bank of America, que atribuiu o desempenho ruim à redução da produção de cana-de-açúcar e mandioca, somada às questões climáticas que impactaram a cultura da soja.
Do lado da indústria, o PIB subiu 0,8% no terceiro trimestre ante o segundo. Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o PIB da indústria avançou 2,8%.
Mas, se a agropecuária surpreendeu negativamente entre julho e setembro, o mesmo não aconteceu com os serviços. O Produto Interno Bruto do setor subiu 1,1% em base trimestral e 4,5% em termos anuais.
Já o consumo das famílias subiu 1% no terceiro trimestre de 2022 ante o segundo. Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o consumo das famílias mostrou alta de 4,6%.
“O desempenho da economia no terceiro trimestre teve contribuições positivas dos principais setores econômicos do lado da oferta (serviços e indústria), e do lado da demanda, com impulsos positivos dos três principais componentes da demanda doméstica”, disse o Goldman Sachs, em nota.
Os gastos do governo, por sua vez, subiram 1,3% no terceiro trimestre de 2022 ante o segundo trimestre de 2022. Na comparação com o terceiro trimestre de 2021, o consumo do governo mostrou alta de 1%, de acordo com o IBGE.
Pandemia ainda deixa rastros: IBGE revisa PIB de 2021
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 para uma alta de 5,0%, ante o avanço de 4,6% estimado anteriormente.
As revisões foram feitas junto dos resultados das Contas Nacionais Trimestrais do terceiro trimestre, incorporando os dados definitivos do PIB anual de 2020, anunciados mês passado. Com os dados anuais, o IBGE revisou a retração do PIB de 2020 para 3,3%, ante a queda de 3,9% calculada anteriormente.
Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, as revisões anunciadas este ano foram maiores do que o padrão das rotinas do órgão de estatísticas porque o PIB anual de 2020 captou o auge dos efeitos da pandemia de covid-19.
Com isso, o peso da agropecuária no valor adicionado do PIB passou de 4,9% em 2019 para 8,8% em 2021. Ao mesmo tempo, o peso dos serviços foi de 73,3% em 2019 para 67,6% em 2021.
Segundo Rebeca, órgãos de estatística de todo o mundo enfrentaram dificuldades na mensuração do PIB em meio à pandemia. Além disso, não é possível avaliar, atualmente, se as mudanças trazidas pela crise sanitária vieram para ficar ou serão temporárias.
A pesquisadora do IBGE destacou que, por isso, as revisões de 2021 afetaram com mais intensidade também as componentes do PIB de 2021. Confira as mudanças:
- Agropecuária: de -0,2% para +0,3%
- Indústria: de +4,5% para +4,8%
- Serviços: de +4,7% para +5,2%
O PIB do quarto trimestre de 2021 sobre o terceiro do ano passado foi para uma alta de 0,9%, contra 0,8% antes. Já o PIB do terceiro trimestre de 2021 ante o segundo do ano passado foi revisado para uma alta de 0,4%, ante o ligeiro avanço de 0,1% calculado antes.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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