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Associação estima um aumento nos custos com porteiros, auxiliares de limpeza e manutenção que deve se refletir nas cotas pagas pelos condôminos

A novela do fim da escala 6x1 continua e, a cada capítulo, há um novo personagem que surge para defender a reorganização da jornada de trabalho ou apontar impactos negativos da mudança. Existe a discussão de efeitos negativos nos resultados das empresas, no Produto Interno Bruto (PIB) do país e até em custos mais cotidianos dos brasileiros. Neste último grupo, uma projeção recente é sobre o aumento do preço dos condomínios.
Para recapitular: a mudança da escala 6x1 para um formato 5x2 está em negociação no Congresso Nacional.
Agora, há a discussão sobre um possível período de transição entre o modelo atual e o novo, com prazos que podem chegar a 10 anos.
Enquanto a queda de braço permanece a todo vapor entre o governo federal e os parlamentares, especialistas de diferentes setores continuam projetando eventuais impactos financeiros.
A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) acredita que a medida pode respingar até mesmo no preço da cota paga pelas pessoas que moram em condomínios residenciais ou, no caso de empresas, que alugam espaços comerciais, com aumento de até 15%.
Omar Anauate, presidente da AABIC, explica que o custo com funcionários normalmente representa entre 55% e 60% do orçamento mensal dos condomínios, no caso daqueles que possuem equipe própria.
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Com o fim da escala 6x1, esses imóveis — residenciais ou comerciais — teriam que contratar mais pessoas, o que elevaria os gastos com mão de obra e os preços repassados aos condôminos de forma imediata.
“Se a carga horária for reduzida ou se a escala 6x1 for extinta, a consequência matemática é a ampliação do quadro de funcionários para manter o mesmo nível de serviço”, afirma Anauete em relação a empreendimentos com equipe própria e portaria 24 horas.
O presidente da AABIC destaca que os efeitos tendem a ser rápidos devido às características de um condomínio.
Diferente de empresas privadas, que operam com margem de lucro e podem absorver os aumentos de custos temporariamente, os condomínios funcionam por rateio. Ou seja, toda nova despesa é automaticamente refletida na cota condominial.
O aumento de até 15% no valor dos condomínios se refere a uma estimativa da AABIC considerando empreendimentos com equipe própria e enxuta.
Neste percentual, a associação considerou os custos com salários de diferentes funções — porteiros, auxiliares de manutenção e limpeza —, encargos, provisões, férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
No caso da cidade de São Paulo, por exemplo, em que o preço médio do condomínio é de R$ 1.100, segundo estudo da Loft, os efeitos do fim da escala 6x1 poderiam levar os valores a cerca de R$ 1.265.
Para efeito de comparação, essa cifra representa 78% do salário-mínimo atual, de R$ 1.621.
Outra tendência com o fim da escala 6x1, de acordo com a AABIC, é a substituição do quadro de funcionários próprio por mais tecnologia ou terceirização.
Nas portarias, por exemplo, muitos condomínios hoje já têm porteiros digitais, em que o morador só precisa utilizar uma senha ou biometria facial. Com a mudança na jornada de trabalho, a expectativa é de que isso avance para mais empreendimentos.
Como mencionado, uma possível consequência é o aumento da terceirização. Porém, mesmo os condomínios que têm funcionários terceiros podem lidar com valores maiores.
“As empresas prestadoras de serviço terão de readequar suas escalas e estruturas operacionais, repassando os reajustes aos contratos vigentes”, destaca Anauete.
Segundo entidades do mercado imobiliário, os efeitos do fim da escala 6x1 podem ir além do aumento do preço do condomínio.
Desde o início da discussão sobre as mudanças na jornada de trabalho, diferentes associações, incorporadoras e sindicatos passaram se posicionar em relação a possíveis consequências.
Em fevereiro, por exemplo, o Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) destacou que “a redução da jornada encarecerá o custo da moradia para todas as faixas de renda.
Na visão do sindicato, os custos devem aumentar desde a produção dos imóveis até o valor do metro quadrado repassado aos clientes no momento da compra.
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