Transição de carreira não é para todo mundo; veja 5 pontos que você deve considerar antes de mudar de profissão
Como transicionar para uma nova posição? Aqui eu listo alguns aspectos importantes que observei em exemplos que acompanhei de perto

Este é um dos tópicos mais comuns que surgem em conversas de carreira: como eu faço uma transição da minha atual posição ou profissão para uma nova?
Muito recentemente, tive o privilégio de poder estruturar e por no ar um programa de transição de carreira, carinhosamente batizado de Trainee 40+. Uma iniciativa desenhada para o público com mais de 40 anos de idade, interessado em aprender mais sobre o universo de finanças e investimentos.
[captacao]
A ideia nasceu de um processo recorrente de receber e-mails de clientes aqui na empresa, interessados em fazer uma transição para o mercado financeiro. Uma das minhas hipóteses é que o desejo surge pelo fato de sermos um negócio de publicações e conteúdos, em que buscamos de forma muito didática levar boas recomendações de investimento para qualquer pessoa. Dessa forma, o nosso assinante vai entrando em contato com o tema de forma leve e acessível.
O resultado disso é uma base de clientes engajada sendo capacitada e se apaixonando pelo tema, o que leva a considerarem uma eventual transição de carreira para esse universo de mercado financeiro.
E aí começam as dúvidas dos interessados: mas como faço essa transição? É possível uma contratação de um profissional mais sênior, porém começando em uma área totalmente nova? E como fica a remuneração? Quais os riscos envolvidos em uma eventual mudança?
Leia Também
Não quero perfumar a história, tampouco trazer só romantismo para o processo. Para quem já vem me acompanhando aqui, sabe que prefiro a transparência e o pragmatismo ao conduzir as coisas.
E por que acho que uma transição de carreira não é para todo mundo?
Listo a seguir alguns aspectos importantes que observo nos exemplos de transição que já acompanhei de perto.
1 - A depender da área ou profissão escolhida para fazer a transição, esteja ciente de que você poderá recomeçar sua carreira do zero.
Tenho um exemplo muito próximo de mim, que é uma das minhas irmãs, que optou por largar uma carreira muito bem sucedida no mercado financeiro, no auge de seus 36 anos de idade, para começar uma nova profissão como nutricionista.
O caminho começou do zero, e o primeiro passo foi fazer o vestibular para o curso de Nutrição. Quase 15 anos após o ingresso na primeira graduação. Naquele momento, ela já sabia que estava deixando para trás a estabilidade e experiência construídas ao longo de toda a jornada profissional até ali. Eu não canso de dizer, para ela e todas as pessoas que fizeram transições radicais assim, do quanto admiro a coragem e determinação nessas decisões.
Após seis anos de uma longuíssima jornada de dedicação à nova graduação e especializações, minha irmã tornou-se nutricionista. Começou do zero e está dando seus primeiros passos nos atendimentos, construindo sua base de pacientes. Ao questioná-la sobre o nível de felicidade e realização, ela não titubeia em dizer que faria tudo de novo, mas que também pensa muitas vezes na segurança e remuneração que deixou para trás.
Ou seja, nem sempre o caminho para a realização profissional será um mar de rosas. Há muito percalço e suor para dar cabo à transição. Portanto, se você está pensando nesse movimento, lembre-se que talvez você terá que recomeçar lá de baixo, dando passos como um iniciante.
2 - Recomeçar do zero pode também significar uma remuneração menor.
No programa que citei aqui anteriormente, o Trainee 40+, tentei deixar claro desde o início para os aprovados que, ao final do programa, eles poderiam aplicar para vagas efetivas do grupo, porém a remuneração seria definida a partir da experiência prévia que cada um possuía frente à escolha da área final.
Por exemplo, para uma pessoa com histórico profissional em uma área totalmente diferente daquela final escolhida para trabalhar, o target salarial seria posicionado no novo nível de senioridade da vaga em questão. Em outras palavras, a pessoa começaria no piso da nova função, por ainda não ter experiência na área.
Apesar de parecer trivial o tema da remuneração, a prática mostra que encarar a realidade de um salário mais baixo, no momento da transição, não é assim tão simples. Já vi profissionais que optaram por fazer uma mudança de carreira, mas que ficaram apegados à remuneração recebida na última função ou profissão anterior.
O argumento do reclamante nesse caso costuma ser que o novo salário não corresponde à experiência prévia. E aqui vale ressaltar o que falei no primeiro tópico – a depender da mudança em jogo, você precisa estar pronto para recomeçar do zero.
3 - Ou você planeja ou você planeja.
É preciso planejar e preparar-se financeiramente para a transição. Para cada pessoa, esse aspecto será manejado de formas distintas - há aquela que conta com o apoio de alguém ou um sponsor para suportar financeiramente o processo; há o outro que precisa encarar sozinho as despesas e, portanto, precisa de bastante planejamento prévio para construção de uma reserva financeira que dê conta da transição. Esses perfis distintos terão jornadas muito diferentes, contudo já vi exemplos bem-sucedidos em ambos os casos.
Minha outra irmã, que também é da área da saúde, me contou sobre um caso de um enfermeiro que trabalhava no período noturno no hospital, para pagar a graduação em medicina, um curso em período integral. Eu não consigo dimensionar o tamanho do esforço dessa pessoa, apenas admirar (de novo!) a coragem ao encarar essa jornada.
Hoje ele é colega de trabalho e profissão da minha irmã. Um verdadeiro exemplo de transição árdua e bem sucedida, de alguém que parece ter encarado o planejamento de forma prática: usou da profissão que já tinha para conseguir financiar e viabilizar o sonho da nova carreira.
Um outro exemplo bem próximo foi de um dos participantes do programa 40+, em que ele estabeleceu um planejamento em parceria com a esposa. Enquanto se preparava e investia tempo para a transição de carreira, a parceira assumiu a responsabilidade financeira da casa durante o período.
Leia também
- 7 dicas que podem fazer a diferença em uma entrevista de emprego
- Lições da maratona e do casamento para planejar a sua carreira
- O que os cursos sobre liderança profissional não contam para você
4 - A realidade no pós-transição pode ser menos bonita do que parece.
Tenho aqui na empresa três casos de pessoas que queriam transitar para a área de tecnologia, advindos de outras profissões – uma farmacêutica, um contador e um profissional da área de finanças.
Dois deles entraram para o nosso time via programa de estágio tradicional e o terceiro via programa Trainee 40+. E eles tinham algo em comum: pesquisaram e conversaram com diversos profissionais da área antes de tomar a decisão pela transição.
Lembra do início da fase adulta, quando estava naquele momento de definição da profissão e carreira profissional a ser seguida? Era muito comum o conselho, por especialistas em orientação vocacional, de conhecer a profissão de interesse na prática e entrevistar pessoas da área. Nada muda em um projeto de transição de carreira.
É preciso se aproximar da realidade, entender a nova profissão sob uma perspectiva prática. Isso não é um conselho para afastar você do seu desejo de fazer uma transição, mas para que você lide melhor com eventuais frustrações que poderão surgir no caminho da nova prática profissional.
Invista tempo em conversas com pessoas da área de interesse, entenda como foi o início e o que precisa ser feito para começar. Adote uma postura de aprendiz, com a mesma curiosidade quando estávamos escolhendo nossa primeira profissão.
5 - O etarismo existe e você deverá aprender a lidar com isso.
Quem nunca ouviu a frase “Você não tem mais idade para isso!”?
Esse tipo de opinião pode ser classificada como etarismo ou ageísmo, que consiste na discriminação contra indivíduos ou grupos etários com base em estereótipos associados à idade.
Podemos olhar esse tema em duas perspectivas: abraçando o preconceito e nos colocando dentro do estigma ou usando a nosso favor o que a idade tem de melhor a nos oferecer – conhecimento e proficiência em diversas competências adquiridas ao longo da vida.
Aqui usarei dois ótimos exemplos para mostrar como é possível usar a experiência a nosso favor. O primeiro é o da minha irmã, que trabalhou por muitos anos em áreas comerciais no mercado financeiro.
Nessa profissão, acabou desenvolvendo uma habilidade em estabelecer bons relacionamentos interpessoais com diferentes perfis. Hoje isso conta muito na nova profissão como nutricionista, pois a relação com os mais diversos perfis de pacientes também demanda dela essa habilidade de se relacionar.
O segundo caso é o da Bruna, que foi também do programa Trainee 40+, e hoje faz parte da minha equipe. Ao conhecer sua história, background acadêmico e profissional, vi nela um grande potencial em assumir a área de comunicação interna, recém criada na empresa.
Embora não tivesse experiência prévia com o tema, ela acumulava anos de experiência como cientista social e um mestrado em direitos humanos, o que dava um provável indicativo de legitimidade nas competências de pensamento crítico e produção textual, habilidades essenciais para a área.
Por fim, lembre-se que o caminho não será fácil e a resiliência será condição fundamental para superar todas as dúvidas que irão lhe acompanhar nessa jornada. Todos, absolutamente todos os casos, que vi de transição de carreira, são de pessoas com altíssima capacidade de perseverar e lidar com as adversidades de forma centrada.
Até a próxima.
O PIB brasileiro surpreendeu em 2021. O que esperar para este ano, e como isso afeta seus investimentos? Ouça a edição desta semana do podcast Touros e Ursos do Seu Dinheiro:
DUAS FOLGAS POR SEMANA
Fim da escala 6×1 aprovada: quando a nova lei começa a valer na carga horária dos trabalhadores?
15 de outubro de 2026 - 12:07FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Salário acima de R$ 32 mil: Câmara dos Deputados abre concurso para engenheiros, jornalistas, museólogos e outras áreas
14 de outubro de 2026 - 15:02ESGOTAMENTO MENTAL
Saúde mental no trabalho: pesquisa da Robert Half mostra os 4 fatores que mais geram burnout no país
9 de outubro de 2026 - 15:43VISTOS SUSPENSOS
Trabalhar nos EUA vai ficar mais difícil: Trump restringe Microsoft e outras big techs de contratarem estrangeiros
8 de outubro de 2026 - 19:45COMPANHIAS DESEJADAS
Emprego dos sonhos em 2026: veja as 10 empresas mais desejadas pelos jovens
7 de outubro de 2026 - 15:10TRABALHO EM CASA
Home office acabou? Não para essas empresas: Localiza, PagBank, Wellhub e mais 6 estão com vagas CLT abertas
7 de outubro de 2026 - 11:02Conteúdo BTG Pactual
Geração Atendimento ao Assessor: BTG Pactual abre vagas de trabalho ligadas ao atendimento de alta renda
2 de outubro de 2026 - 12:04VOTAÇÃO SE APROXIMA
Eleições 2026: empresa pode impedir funcionário de votar durante o expediente? Veja os direitos de quem trabalha no dia
29 de setembro de 2026 - 19:01VOTO SOB PRESSÃO
Seu chefe está tentando influenciar seu voto? Entenda o que é assédio eleitoral e como denunciar
28 de setembro de 2026 - 13:21DIREITOS TRABALHISTAS
Alexandre de Moraes e ministros do STF mudam regras da licença-maternidade; entenda como fica agora
23 de setembro de 2026 - 18:43VEJA COMO SE INSCREVER
Trainee e estágio com salário de chefe: estas 12 vagas pagam até R$ 18.900 por mês
23 de setembro de 2026 - 15:01Conteúdo Empiricus
Veja como os agentes de IA podem ser o próximo grande salto de produtividade para empreendedores e profissionais autônomos
21 de setembro de 2026 - 9:00ALERTA NAS EMPRESAS
Saúde mental tira quase 1 milhão de horas de trabalho no primeiro semestre; afastamentos longos concentram maior impacto
15 de setembro de 2026 - 19:20HACKTOWN 2026
Inteligência artificial vai mesmo acabar com o trabalho de júnior? Gestora diz qual é o profissional que deve sobreviver no mercado
4 de setembro de 2026 - 14:24Conteúdo Empiricus
Quem é Alex Hisatomi? Conheça a história do analista de dados que triplicou o salário em 5 anos usando a inteligência artificial
29 de agosto de 2026 - 9:00Conteúdo Empiricus
‘Ele tem 8 anos e conseguiu construir um site praticamente sozinho’, diz head de BI da Empiricus sobre ensinar inteligência artificial ao seu filho
28 de agosto de 2026 - 9:00LEIS TRABALHISTAS
O que pode gerar demissão por justa causa no trabalho? Bets, álcool e preguiça estão na lista, mas há ressalvas
27 de agosto de 2026 - 14:30Conteúdo Empiricus
Hoje (26): 2ª aula gratuita sobre inteligência artificial é liberada pela Empiricus; saiba como acompanhar
26 de agosto de 2026 - 15:00Conteúdo Empiricus
A fase de testes acabou: Enquanto grandes empresas utilizam IA para reduzir custos milionários, profissionais especializados buscam multiplicar seus salários
24 de agosto de 2026 - 15:30Conteúdo Empiricus