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Problemas de saúde física e mental criam um fenômeno trabalhadores que não faltam no serviço, mas não fazem entregas como deveriam; efeitos já aparecem nas contas das empresas

O absenteísmo é um indicador famoso (e temido) pelas equipes de recursos humanos. O termo, que mede as faltas, atrasos e saídas dos funcionários já é bastante conhecido no mercado de trabalho. No entanto, há uma outra palavra semelhante, que dificilmente é considerada pelas empresas, mas representa um cenário capaz de gerar perdas financeiras significativas para as companhias: o presenteísmo.
Diferente do absenteísmo, em que não há o funcionário ali, o presenteísmo ocorre quando o colaborador está fisicamente — ou virtualmente, no home office — presente no trabalho, mas atua com capacidade produtiva reduzida.
“O funcionário do presenteísmo cumpre o horário, aparece onde tem que estar, mas não está, de fato, presente”, explica Elza Veloso, professora do Programa de Liderança e Gestão de Pessoas da FIA Business School.
Esse fenômeno pode acontecer em empresas de qualquer porte e setor e normalmente é causado por sintomas físicos, emocionais ou cognitivos, como dor, fadiga, estresse, ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade ou exaustão.
Ninguém é 100% produtivo em todo o tempo do trabalho e o presenteísmo não é um reflexo das quedas de produtividade naturais de cada trabalhador.
O termo mede situações mais prolongadas desse tipo de situação, muitas vezes relacionadas a problemas de saúde física ou mental.
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O problema é ainda mais profundo que o absenteísmo
O absenteísmo tem um traço fundamental que se torna mais fácil se der notado, já que é visível se o funcionário está no trabalho ou não. Com isso, medidas podem ser tomadas pelas empresas de forma mais prática.
“Já o presenteísmo é mais silencioso: o colaborador está ali, mas com performance reduzida. Por isso, por muitos anos esse custo ficou subestimado”, explica Tatiana Pimenta, CEO da plataforma de saúde mental Vittude.
A executiva afirma que, embora o presenteísmo tenha ficado por muito tempo fora do radar das empresas, esse cenário tem mudado nos últimos anos. Uma das razões é a percepção dos custos.
“As companhias começaram a perceber que não basta olhar só para afastamentos. Existe um volume enorme de perda de performance que acontece antes da licença médica.”
Há dados que corroboram a visão de Pimenta. O Censo de Saúde Mental da Vittude, publicado em fevereiro com dados de 2025, mostra que as empresas brasileiras têm, em média, um índice de presenteísmo de 32%.
De acordo com a executiva da empresa responsável pelo estudo, essa taxa demonstra que cada trabalhador, em média, perde um terço da produtividade potencial devido às limitações físicas, cognitivas, emocionais ou organizacionais.
Para a empresa, “isso quer dizer que, a cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, R$ 32 deixam de retornar em trabalho efetivamente realizado”, defende Pimenta.
Dentre os motivos indicados pelos colaboradores do levantamento para ter a produtividade afetada, 49% das respostas apontam para questões físicas, como dor — muscular, lombar e tensional, por exemplo — fadiga intensa, sensação de esgotamento físico, tensão corporal e problemas de sono.
Segundo o estudo, esses sintomas podem ser reflexo de sobrecarga emocional, principalmente em ambientes de trabalho com alta demanda.
Além da estatística de perda financeira pela menor produtividade, Pimenta afirma que presenteísmo tende a gerar outras consequências para a companhia, por exemplo:
Já Veloso defende que o presenteísmo pode gerar mais custos de contratações caso a empresa não identifique a raiz do problema.
Ele também pode ocasionar um problema estrutural, contaminando todo o ambiente e criando um efeito cascata. “Se o funcionário de uma equipe reduz a produtividade, esse trabalho será compensado por outra pessoa, que ficará mais sobrecarregada e pode desenvolver problemas de saúde mental”, explica.
A executiva da Vittude tem uma visão semelhante em relação aos efeitos culturais do presenteísmo. Para ela, ele costuma ser um sintoma de uma empresa com fragilidades na gestão de pessoas.
“O fenômeno revela ambientes que têm sobrecarga, insegurança psicológica, dificuldade de priorização, pressão excessiva, baixa autonomia, relações desgastadas ou ausência de suporte por parte das lideranças”, diz.
Ricardo Guerra, CEO da plataforma de bem-estar corporativo Wellhub, defende que o presenteísmo existe em qualquer empresa, de diferentes portes e setores.
No entanto, o problema não se manifesta uniformemente e o impacto varia em cada companhia.
“Em empresas maiores, o efeito tende a ser mais diluído. Há mais camadas e processos. Isso faz com que a queda de performance individual leve mais tempo para aparecer nos resultados. Já nas pequenas e médias empresas, as estruturas são mais enxutas e há menos margem de absorção”, explica.
Na visão de Guerra, quando um profissional opera abaixo do potencial em uma empresa de menor porte, os efeitos do presenteísmo surgem rapidamente por meio de problemas da operação, feedbacks negativos de clientes e resultados menores.
Pimenta tem uma percepção semelhante. Para ela, setores mais intensivos em mão de obra têm uma sensibilidade maior porque a perda de produtividade de uma pessoa tende a ganhar escola. Esse é caso da construção civil, varejo, restaurantes e call centers, por exemplo.
Há diferenças também entre cargos hierárquicos, diz a executiva.
“Lideranças tendem a trabalhar mesmo em sofrimento, mas com queda de discernimento, piora na comunicação, redução da capacidade de priorização e maior risco de decisões ruins. Em cargos operacionais, o presenteísmo pode aparecer com mais força em fadiga, dor, lentidão, retrabalho, erros e acidentes.”
Portanto, as companhias precisam se atentar às diferentes formas de manifestação para encontrar a solução.
O principal problema do presenteísmo, como defendem os especialistas, é que se trata de custo silencioso e difícil de ser metrificado. Veloso explica que esse fenômeno dificilmente é identificado imediatamente – afinal, todo profissional tem dias menos produtivos – e deve ser avaliado em uma janela de meses.
Porém, há algumas estratégias para identificar esse problema dentro das empresas.
Não há uma “regra de bolso” que separa o presenteísmo de problemas de produtividade pontuais de cada trabalhador.
Para a professora da FIA Business School, uma das principais estratégias para detectar o problema é mudar o foco da medição de produtividade. Em vez de monitorar as horas trabalhadas ou o tempo de conexão no computador, os gestores devem focar na qualidade e constância das entregas.
“Alguns sinais de alerta que podem ser percebidos são quedas súbitas na qualidade do trabalho, atrasos frequentes, erros operacionais recorrentes, retrabalho e perda de prazos”, diz.
Em trabalhos mais operacionais, é possível identificá-lo por meio do descumprimento de metas e redução dos resultados numéricos, por exemplo. Já para funções intelectuais, é indispensável a uma avaliação qualitativa com base em trabalhos anteriores do profissional.
A CEO da Vittude também destaca instrumentos de mapeamento de saúde mental – que, inclusive, se tornarão uma das obrigatoriedades da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em 26 de maio.
Pimenta cita, por exemplo, a aplicação do Work Limitations Questionnaire (WLQ). No português, formulário de limitações no trabalho.
O questionário validado internacionalmente é utilizado para mensurar o impacto de problemas de saúde na produtividade e desempenho dos funcionários. São quatro áreas avaliadas nessa pesquisa: gerenciamento do tempo, demanda física, mental-interpessoal e de produção.
Com o problema identificado, as empresas devem agir na causa. “Isso pode envolver revisão de carga de trabalho, prioridades, metas, fluxos, papéis, desenho das lideranças e medidas de prevenção em saúde mental”, explica a CEO da Vittude.
Na visão dela, uma das iniciativas mais importantes é entender o presenteísmo como um problema organizacional e não somente do profissional.
Veloso também explica que a abordagem pode variar de acordo com a estrutura da empresa. Em equipes reduzidas, de até 20 funcionários, por exemplo, é possível realizar reuniões individuais para entender os problemas caso a caso e oferecer instrumentos para o profissional.
Por exemplo, se em uma reunião a queixa for o alto volume de trabalho que está gerando sintomas de burnout – transtorno de esgotamento físico e mental –, o gestor pode reorganizar a equipe para distribuir as demandas.
Porém, em estruturas maiores, como operários em uma fábrica, o contato individual nem sempre é possível. Para os especialistas, a identificação do problema e as medidas precisam ser feitas em larga escala nesses casos.
Para Guerra, isso pode gerar resultados diretos nas contas da empresa. Ele cita um estudo da consultoria EY-Parthenon, que indica que colaboradores em melhores condições de bem-estar podem ser até 15% mais produtivos.
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