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Thiago Veras
Trilhas de Carreira
Thiago Veras
Sócio-diretor de recursos humanos na Empiricus
2022-01-07T16:42:26-03:00
TRILHAS DE CARREIRA

Lições da maratona e do casamento para planejar a sua carreira

Minha primeira recomendação é que você dê pelo menos um passo em 2022 na direção do seu objetivo

9 de janeiro de 2022
7:15 - atualizado às 16:42
Corredores em uma maratona
Imagem: Shutterstock

O mês de janeiro começando e todo um ano pela frente. Provavelmente, como a grande maioria, você já deve estar pensando nas metas e planos para os próximos 365 dias.

Como estreia da minha coluna aqui no ano passado, comecei falando de um framework e modelo que gosto muito para planejamento de carreira. E, para não ser repetitivo, hoje colocarei luz sobre uma das etapas mais importantes quando se estabelece uma meta, que é o planejar.

O ano em 42 quilômetros

Um dos exemplos que mais gosto de usar para abordar o tema é o processo de planejamento para uma maratona (corrida). Já fiz quatro vezes a distância dos 42km, e em todas as vezes o planejamento foi primordial para a execução da prova no dia.

Tudo começa em média seis meses antes da competição: planilhas com distâncias que vão aumentando ao longo do tempo, acompanhamento do treinador, plano nutricional para dar conta do grande volume de treinos, check-ups com médicos e inúmeras outras etapas, que devem ser seguidas à risca para que a pessoa realize a prova da melhor forma possível.

São inúmeros os aprendizados que se têm ao longo da jornada. Mas pensando sobre o processo de planejar, eu destacaria um primeiro que é começar dando um pequeno passo pelo menos, mesmo que o planejamento não esteja completamente finalizado.

Digo isso a partir da minha própria experiência na primeira maratona. Eu não fazia a menor ideia de como seria o processo inteiro, apenas estabeleci a meta de que eu correria naquele ano a minha primeira maratona. O caminho foi sendo construído conforme eu ia avançando nos treinos.

Sobre os dias ruins e as falhas na execução, com certeza eles existem e surgirão ao longo da preparação. Quantas vezes acordei sem a menor disposição para fazer um treino, mas me forçava a fazer, nem que fosse um treino inferior ao planejado.

Feito é melhor que não feito. E todo degrau é importante para o resultado. No final, a média se compensa entre dias ruins e dias ótimos de treinos.

Extrapolando para o tema de carreira, minha primeira recomendação é que você dê pelo menos um passo em 2022 na direção do seu objetivo.

Para exemplificar, imagine que este é o ano em que você quer uma promoção: estabeleça uma meta simples que é conversar com o seu chefe sobre sua aspiração.

Para muitos, isso pode soar trivial, mas vejo empiricamente nos processos de coaching como, no geral, não comunicamos abertamente nossos pedidos e ficamos na expectativa de que o outro atenda nossos desejos.

Lembre-se, o que pode ser óbvio para você, talvez não seja tão óbvio para o outro. Portanto, dedique tempo para as conversas com qualidade, declarando aberta e honestamente seus pedidos.

Aproveite a jornada

Outro aprendizado sobre planejamento que tive recentemente foi na preparação da minha festa de casamento. Impedidos pela pandemia de realizar na data original, postergamos o evento duas vezes.

Por um lado foi ótimo, porque ganhamos uma boa folga no cronograma para planejar. Contudo, a incerteza da realização na terceira data pela questão da pandemia me obrigou a estabelecer uma regra simples para o momento — e aqui vai minha segunda recomendação: curta cada segundo da jornada do planejamento.

Eu decidi que não me estressaria por absolutamente nada que estivesse fora do meu controle e que eu aproveitaria cada etapa, vivendo de forma genuinamente presente e tentando curtir cada passo.

Não só deu certo, como a minha grande saudade, quando me recordo de tudo, vem justamente de todo o planejamento feito.

A festa, que neste caso poderia ser considerada a etapa da execução, foi só uma continuidade do prazer que eu já vinha sentido durante a jornada.

A maratona é igual. Se cada treino é encarado na perspectiva de aproveitar e curtir, no final, a prova é somente a continuidade de algo que foi bom o tempo todo.

Aceite: nem tudo sai como planejado

Outra lição, que tiro tanto da preparação da maratona quanto do planejamento da festa, é a capacidade de adaptação e flexibilidade que tive que desenvolver.

Quem planeja sabe: no final, muita coisa vai sair diferente do que foi pensado inicialmente. Ainda mais nos tempos atuais em que a incerteza é rainha soberana.

Transpondo o olhar sobre as nossas próprias carreiras, a minha terceira recomendação é que você desenvolva musculatura para absorver as mudanças em relação ao plano.

Como? Desenvolvendo um olhar curioso sobre as coisas e estabelecendo uma escuta ativa durante todo o processo de planejamento.

Muitas vezes haverá oportunidades, mas que serão observadas somente pelo olhar e escuta atentos. Um exemplo para ilustrar: a escolha de uma determinada profissão ou uma determinada posição almejada na empresa.

O caminho para chegar lá nem sempre precisa ser linear e direto, muito provavelmente a vida nos presenteará com possibilidades bem diferentes daquelas imaginadas inicialmente.

Eu tenho um ótimo exemplo na minha própria carreira que foi a escolha pela área de recursos humanos.

Formado em comunicação social, meu sonho era atuar na área de marketing de uma empresa. Entrei em um programa de trainee e pude experimentar diferentes áreas da organização.

E a área de RH, que nunca havia sido a minha primeira possibilidade, acabou se tornando o lugar onde eu mais queria estar.

Isso somente aconteceu por eu ter adotado deliberadamente uma postura de abertura total para o novo. E ao fazer isso, me conectei com o que para mim fazia mais sentido.

O começo de um sonho… deu tudo errado

Mas tenho também outro exemplo que vai na contramão dessa ótima experiência que tive como trainee. Quando eu tinha quinze anos, ingressei no meu primeiro emprego, como jovem aprendiz dentro de uma grande multinacional.

A oportunidade era ótima: formação técnica em mecânica de produção veicular com direito a uma bolsa-auxílio. Para um jovem, filho de metalúrgico, sem grandes perspectivas, parecia ser um sonho. Triste engano.

O planejado foi muito mais bonito do que se mostrou na vida real. Eu definitivamente não gostava do curso, tampouco tinha interesse em fazer carreira nessa área. E o melhor (e pior!) é que tive consciência disso já logo no início da formação.

Pela frente, havia ainda cinco longos semestres em período integral, para conseguir minha certificação e um emprego garantido por prazo indeterminado ao término do programa.

Aqui vem uma reflexão importante sobre o processo de planejamento. Nem sempre faremos planejamento de coisas que amamos - como foram, no meu caso, a maratona e o casamento.

Outras vezes, a vida nos colocará de frente com realidades que não são tão bonitas quanto o planejado inicialmente. Cabe ao indivíduo a adequação do plano à realidade. Foi assim comigo durante essa formação técnica.

Eu acabei enxergando ali uma chance de me capacitar e ter um emprego, que seria a ponte para a realização de outros sonhos. Mesmo não gostando daquilo, ali estava uma grande oportunidade de construir o caminho para outras possibilidades profissionais. E foi o que aconteceu.

Cuidado com as emoções ao planejar

Olhando para esse plano de dicas, percebo que uma das coisas mais importantes é o estado de espírito que se adota ao planejar. Gosto da definição de que emoção é predisposição para a ação.

Isso significa que o sentimento determina o padrão da ação. Imagine-se planejando algo a partir do medo? O plano provavelmente estará embebido dessa emoção e refletirá ações que endereçarão o nosso medo, o que pode gerar um planejamento ruim. 

No meu caso com a maratona, pude fazer um plano que nasceu a partir de um estado de ânimo de excitação e alegria. Correr uma maratona e finalizar? Aquilo por si só já era uma grande motivação para mim.

E, com certeza, este espírito animado e otimista me guiou ao longo de todo o processo. Inclusive foi fundamental para que eu, no dia da prova, conseguisse lidar com todas as falhas e frustrações que surgiram: as cãibras que chegaram muito cedo no trajeto, a temperatura e umidade do dia que estavam diferentes do que estava habituado a correr, a perda progressiva de tempo frente à meta desejada. 

Portanto, como quarta e recomendação final, esteja centrado durante o planejamento, isso pode realmente fazer muita diferença. Tem gente que gosta de buscar o centramento por meio de meditação, mindfulness, ou até mesmo só pelo silêncio. A melhor forma é aquela que funciona para você.

Desejo a você leitor um ótimo planejamento para o ano.

Até a próxima!

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