Livre das investigações, a Hypera está pronta para voar; entenda por que HYPE3 ainda vale a pena
Acordo de leniência após investigação sobre suspeita de pagamento de propina livra a Hypera (HYPE3) do risco de uma multa bilionária

O grande destaque da bolsa na última quarta-feira foi a Hypera (HYPE3), com uma alta de quase 8% no dia.
O motivo dessa valorização: o Acordo de Leniência firmado com a Controladoria Geral da União. A investigações sobre pagamentos de propinas envolvendo antigos executivos concluiu que a companhia não obteve vantagens ilícitas.
Como o mercado chegou a cogitar uma multa de mais de R$ 1 bilhão no início das investigações, a conclusão de que ela não pagará nada foi um enorme alívio, que se traduziu em uma valorização de R$ 2 bilhões.
Mas a pergunta que fica é: será que tem espaço para mais? Tem sim, e para ótimos dividendos também, mas antes precisamos entender quem é a Hypera.
Quem é a Hypera?
Antes de entender se vale a pena investir em Hypera, precisamos entender o que a companhia faz.
Ela atua no setor farmacêutico, um segmento da economia que vem mostrando muita resiliência e crescimento:
Leia Também
Na saúde e na doença
Como estamos falando de um setor que vende remédios, é natural esperar que o consumo se mantenha saudável mesmo nos anos de crise.
Mas o setor farmacêutico não tem mostrado resiliência apenas nas crises, ele tem crescido acima do PIB mesmo nos anos de expansão da economia.
Olhando para a frente, continuamos enxergando essa mesma dinâmica de crescimento saudável no Brasil, um pouco por conta dos efeitos da pandemia nos hábitos da população, que tem se preocupado um pouco mais com medicação e prevenção, mas principalmente por conta do envelhecimento dos brasileiros.
Isso ajuda, é verdade, mas não basta. Especialmente se não houver barreiras de entrada para o setor, e a companhia não tiver diferenciais competitivos.
Felizmente, não é o caso aqui.
A Hypera e suas power brands
Para começar, o setor farmacêutico é um dos mais bem fiscalizados, o que, combinado com altos investimentos necessários, eleva as barreiras de entrada.
Além disso, a Hypera é dona de várias das marcas mais famosas do mercado farmacêutico brasileiro. Ela possui 18 power brands (marcas com mais de R$ 100 milhões de vendas cada uma), sendo 14 delas líderes em suas categorias.
A combinação de marcas fortes com a enorme capacidade de investimento em inovação se transforma em um grande diferencial competitivo. Por exemplo, uma estratégia que vem surtindo grandes resultados recentemente é a extensão de marcas fortes e já consolidadas em novos produtos adjacentes.
Por exemplo, o Benegrip "clássico" virou uma família completa com Benegrip Xarope, Benegrip Infantil, Benegrip Dia, Benegrip Noite, Benegrip Imuno Energy (Vitamina C)…
E como você pode ver, os investimentos em inovações cresceram bastante nos últimos seis anos.
Mais importante do que isso: o índice de inovação, que mede a participação na receita desses produtos lançados há menos de cinco anos, também mostrou crescimento relevante, indicando o sucesso e o retorno financeiro deles.
Segundo a companhia, as criações de 2021 e 2022 devem contribuir com um faturamento de R$ 2,6 bilhões em cinco anos, já excluindo os efeitos de canibalização. Isso representa cerca de 38% do faturamento atual, o que não é nada absurdo se observarmos no gráfico acima que o índice de inovação chegou a superar os 30% no ano passado.
O fato é que todas as iniciativas já têm surtido efeitos positivos e ajudaram a trazer bom crescimento de resultados e de market share:
Como dissemos, atuar em um setor que cresce não basta. Se uma companhia quer se tornar vencedora no longo prazo, ela precisa acompanhar ou superar esse crescimento, sempre com foco em rentabilidade e inovação. E é justamente isso o que temos visto com a Hypera.
É verdade que parte desse crescimento vem de aquisições, mas também nesse aspecto temos visto sinais positivos para os acionistas.
- ESTÁ GOSTANDO DESTE CONTEÚDO? Tenha acesso a ideias de investimento para sair do lugar comum, multiplicar e proteger o patrimônio.
Aquisições e disciplina na alocação de capital
Nas aulas de MBA ou de cursos de gestão, aprendemos que só se deve fazer um investimento quando o retorno esperado for maior do que o retorno do CDI no período mais um adicional de risco.
Infelizmente, muitos gestores se esquecem dessa regrinha básica, e, quando uma empresa começa a acumular muito caixa, eles se sentem tentados a comprar qualquer coisa por qualquer preço.
Na maioria das vezes, compram marcas ou empresas inteiras por preços elevados, e o resultado é um retorno sobre o investimento abaixo até do que se tivessem deixado o dinheiro no Tesouro Selic, sem risco algum.
Esse foi um enorme problema para a própria Hypera nos velhos tempos de Hypermarcas, mas que felizmente parece ter ficado para trás, como mostram as aquisições recentes.
As compras do portfólio da Takeda e Buscopan, que levaram a companhia para o segundo lugar em vendas no setor, foram feitas por apenas 6 vezes o valor da firma sobre o Ebitda após as sinergias, enquanto o múltiplo de aquisição das marcas da Sanofi foi de apenas 5 vezes o Ebitda. Como base de comparação, a Hypera negocia por bem mais do que isso, 12 vezes o seu Ebitda.
Hypera livre para voar
Mas mesmo com todas essas coisas boas acontecendo (aquisições interessantes, crescimento de resultados, ganho de market share, etc.), as ações praticamente só andaram de lado nos últimos cinco anos.
Em termos de múltiplos, essa discrepância é ainda mais grave. Observe como o múltiplo Preço/Lucros está abaixo da média dos últimos cinco anos:
Ou seja, a companhia ficou melhor e ao mesmo tempo mais barata. Por que isso aconteceu? Justamente por causa das investigações!
Com esse problema fora do caminho por causa do Acordo de Leniência, HYPE3 agora tem o caminho livre para voltar a entregar retorno aos acionistas.
Outro ponto importante: depois de fazer a digestão das aquisições recentes, a Hypera vai vomitar caixa e voltar a ser uma vaca leiteira com potencial de pagar grandes quantias em dividendos daqui a alguns anos.
Não é à toa que ela está presente na série Double Income, focada em escolher os melhores ativos pagadores de rendimentos – ações que pagam dividendos, FIIs, Renda Fixa.
Se quiser conferir todos os ativos da série, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU
SpaceX salta 10% após balanço, mas duas linhas do resultado servem para manter investidores ‘com os pés no chão’, diz BTG
21 de outubro de 2026 - 11:17É COMPRA
XP dá sinal verde para fundo imobiliário e recomenda compra — mas com uma ressalva
20 de outubro de 2026 - 15:07ESG
B3 realiza 2ª edição de toque de campainha dedicado à filantropia para levar a causa para dentro das empresas
20 de outubro de 2026 - 13:32DEPOIS DO TOMBO
Com queda de 30% em 2026, TRXF11 quer recomprar cotas, mas um ‘detalhe’ pode limitar a operação
20 de outubro de 2026 - 12:32MERCADOS HOJE
3 mil pontos em 13 minutos: o gatilho que disparou o Ibovespa antes da eleição
20 de outubro de 2026 - 12:04BILHÕES NO RALO
“O investidor trocou Vale por Petrobras”: a combinação que faz a mineradora perder R$ 24 bilhões enquanto o Ibovespa festeja
20 de outubro de 2026 - 10:29FOME RENOVADA
TRXF11 coloca maior centro de distribuição do Mercado Livre (MELI34) na carteira por R$ 250 milhões — mas volta atrás em outro negócio
19 de outubro de 2026 - 10:07'NÃO É HORA DE VENDER'
Ibovespa a 240 mil pontos? Inter explica por que ainda vê espaço para a bolsa subir
18 de outubro de 2026 - 15:30MOVIMENTOS TÁTICOS
Estrangeiros despejam R$ 19 bilhões na bolsa em outubro; desafio agora é transformar aposta eleitoral em fluxo permanente
17 de outubro de 2026 - 12:11RESUMO SEMANAL
Petrobras (PETR4) sobe mais de 6% e escapa do tombo do Ibovespa; veja o que movimentou a bolsa na semana
17 de outubro de 2026 - 9:58MUDANÇA DE ARES
Brasil é a melhor escolha na América Latina: BTG zera posição em Argentina e aposta em oito ações brasileiras
16 de outubro de 2026 - 19:27UM TEMPERO EXTRA
Não é só o rali eleitoral: BTG tem mais motivos para recomendar C&A (CEAB3), XP (XPBR31), Cyrela (CYRE3) e estas outras ações
16 de outubro de 2026 - 18:28DEPOIS DA FESTA
Ibovespa a 240 mil pontos? Mesmo após o rali eleitoral com Flávio Bolsonaro, Inter e Citi ainda veem espaço para a bolsa subir
16 de outubro de 2026 - 14:00TOUROS E URSOS #292
Juros altos vieram para ficar? Gestor da XP diz que investidor terá de reaprender a investir em um novo mundo
16 de outubro de 2026 - 12:17TARDE DEMAIS?
Casas Bahia (BHIA3) paga aluguel ao HSLG11, mas segue devendo ao FII; entenda como fica a ação de despejo
16 de outubro de 2026 - 10:38ALOCAÇÃO TÁTICA
Adeus ao CDI fácil: UBS rebaixa renda fixa pós-fixada e vê espaço para a bolsa brasileira saltar até 25%
15 de outubro de 2026 - 18:07TURNAROUND DA CARTEIRA