Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais tentam emplacar mais um dia de recuperação; Ibovespa aguarda dados de inflação do IPCA
Os desdobramentos da guerra limitam as altas dos índices, com a expectativa de que novas sanções sejam impostas à Rússia

O último dia de pregão na semana começa com as bolsas internacionais em busca de mais um dia de recuperação. Enquanto isso, o investidor local do Ibovespa deve acompanhar a divulgação dos dados de inflação, medidos pelo IPCA, antes da pausa do final de semana.
Lá fora, os investidores já se movimentam para tentar contornar a alta dos juros americanos, anunciada pelo Federal Reserve e confirmada pela ata de quarta-feira (06). Dessa forma, as bolsas permaneceram pressionadas e buscam reverter o prejuízo dos últimos dias.
Enquanto isso, o Ibovespa sentiu os solavancos vindos da troca de chefia da Petrobras, mas conseguiu avançar na última sessão. Com isso, o principal índice da B3 encerrou o dia em alta de 0,54%, aos 118.862,12 pontos.
Por sua vez, o dólar à vista seguiu devolvendo a forte desvalorização recente e subiu 0,56%, a R$ 4,7409.
Confira o que movimenta bolsa, dólar e o Ibovespa nesta sexta-feira (08):
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Dragão da inflação movendo a bolsa
O IBGE deve divulgar os dados do IPCA de março antes da abertura de mercados por aqui. Assim sendo, o índice de inflação deve avançar 1,35% na base mensal e, na comparação anual, subir 11,00%. Ambos são as medianas das projeções de especialistas ouvidos pelo Broadcast.
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A inflação dos últimos 12 meses ultrapassou a marca de 10%, atingindo o patamar de 10,54%. A alta do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis, fizeram o BC alterar a meta da inflação para este ano de 4,7% para 7,1%.
Logo, o Banco Central pode alterar a política de alta nos juros, mesmo que a autoridade monetária considera que a próxima elevação da Selic possa ser suficiente para conter a inflação.
[captacao]
Paulo Guedes e a reforma tributária
A reforma tributária foi para escanteio nas pautas de prioridade do Congresso e tanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), admitiram isso em público.
É verdade que o texto estava travado no Senado devido a impasses internos da Casa. No entanto, o fator que mais pesou na decisão de adiar o andamento da pauta é sem dúvidas a eleição de outubro.
Guedes tentou colocar panos quentes na situação, dizendo que a prioridade “no dia 1” de um eventual segundo mandato de Jair Bolsonaro, será a reforma.
Mas a faca dos cortes permanece afiada — e isso perturba a bolsa
Uma análise um pouco mais aprofundada mostra uma preferência do governo por cortes de impostos do que por uma reforma mais ampla. É o caso da medida que visa a redução dos tributos sobre a gasolina, a recente isenção do gás de cozinha, entre outros.
As medidas podem impactar — em parte — o preço para o consumidor final, mas são nocivas aos cofres públicos. Além disso, não têm efeito no longo prazo e resolvem apenas uma situação momentânea, o que é visto como mau negócio pelos analistas.
As bolsas lá fora
Os índices asiáticos encerraram a sessão em alta, acompanhando a modesta recuperação de Nova York ontem. Na mesma linha, as bolsas da Europa buscam mais um dia de recuperação, mas avançam sem muita força nas primeiras horas de negociação.
Entretanto, as eleições francesas pressionam a região. Emmanuel Macron é favorito no pleito que deve ocorrer neste domingo (10), mas a candidata Marine Le Pen, de extrema direita, começou a se aproximar do atual presidente nas pesquisas.
Por último, mas não menos importante, os futuros de Nova York também buscam uma recuperação das perdas da semana, e avançam com menos timidez.
Na esteira dos acontecimentos, a agenda mais fraca do dia coloca a guerra entre Rússia e Ucrânia no centro das atenções dos investidores internacionais.
Rússia e uma Europa sem carvão
O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que o país precisará de um período de transição para deixar de depender do carvão russo. Entre as sanções impostas ao gigante do extremo-leste da Europa, estão a importação de matérias primas.
Mas o Velho Continente ainda é dependente do gás russo, o que pode gerar sanções por parte da Rússia contra os demais países do bloco.
Ucrânia devastada
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou ao mundo imagens de uma série de assassinatos de civis em Bucha, noroeste de Kiev.
A expectativa é de que a comunidade internacional condene as ações de Moscou de forma mais dura e aperte ainda mais as sanções econômicas contra o país de Vladimir Putin.
Agenda do dia
- IBGE: IPCA de março (9h)
- IBGE: Produção industrial regional de fevereiro (9h)
- Anfavea: Produção, exportação, estoque e venda de veículos e geração de empregos no setor (10h)
- Estados Unidos: Estoques do atacado (11h)
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