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Na volta dos negócios em meio a um feriado prolongado, bolsa brasileira deve passar por teste de fogo na sessão de hoje
O mês de abril caminha para o fim e o Ibovespa mantém, até aqui, um excelente desempenho em 2022. O principal índice da bolsa brasileira acumula alta de pouco mais de 10% no que vai do ano.
O fato de estarmos em um ano eleitoral torna esse desempenho ainda mais impressionante, uma vez que a volatilidade tem sido bastante limitada no mercado brasileiro de ações.
É altamente provável, porém, que o Ibovespa seja submetido a seu primeiro grande teste de 2022 na sessão de hoje.
Afinal, no feriado de Tiradentes, o noticiário negativo não tirou folga.
Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, azedou o humor em Wall Strreet ao afirmar que um aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa básico de juro nos EUA “será um opção”, na próxima reunião de política monetária da instituição.
Com isso, os principais índices de ações dos EUA fecharam em queda ontem. Hoje, as bolsas asiáticas encerraram no vermelho, os mercados europeus abriram em baixa e os índices futuros de Nova York sinalizam recuo na abertura. Já o dólar opera em alta ante seus pares.
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Por si só, o vermelho convicto no fechamento da véspera em Wall Street já tenderia a pressionar o Ibovespa hoje, uma vez que a bolsa brasileira não funcionou ontem.
Para piorar, os ADRs de grandes empresas brasileiras como Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco registraram forte recuo ontem em Nova York.
Isso deve fazer com que esses importantes componentes do Ibovespa se ajustem à queda hoje, pressionando o índice na abertura. Também é esperada alguma redução de liquidez.
O problema é que a notícia ruim vem acompanhada de outra pior. E ela envolve o noticiário político brasileiro.
Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) a oito anos e nove meses de prisão por incitar agressões a ministro da corte e por atacar a ordem democrática. A condenação também prevê a inelegibilidade do político.
Silveira ainda nem começou a cumprir a sentença e seus advogados ainda podem recorrer, mas já está “perdoado”.
O presidente Jair Bolsonaro resolveu sair em defesa de seu aliado de modo bastante controverso e que tende a tumultuar ainda mais o cenário político.
Bolsonaro concedeu indulto presidencial a Silveira, elevando a temperatura de sua interminável queda de braço com o STF.
Juristas consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo consideram o indulto ilegal. Além disso, o ato presidencial viola a separação entre os poderes e as prerrogativas constitucionais do Judiciário.
Ainda que eventualmente suspenda a pena, o indulto não deve interferir na inelegibilidade de Silveira. A dúvida é se ele ficará inelegível já a partir das eleições deste ano.
Não há indicadores econômicos nem balanços corporativos previstos para hoje no Brasil.
Lá fora, os investidores acompanham falas da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey.
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