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Resseguradora busca reenquadramento da cobertura de provisões técnicas e de liquidez regulatória para continuar operando
Dois anos e alguns meses de calvário levaram o IRB Brasil (IRBR3) a uma encruzilhada. Uma sucessão de prejuízos fez com que a resseguradora ficasse abaixo do limite de enquadramento da cobertura de provisões técnicas e de liquidez regulatória para operar.
A solução encontrada pelo IRB - e que já vinha sendo ventilada pelo mercado - foi o lançamento de uma oferta primária de ações, com esforços restritos.
A intenção original do IRB é emitir 597.014.925 de novas ações. IRBR3 fechou a sessão de ontem a R$ 2,01. E esta é uma informação fundamental.
A oferta pode ser acrescida em 200%. Isso mesmo: 1,19 bilhão de novas ações em lotes adicionais. Entretanto, a operação será limitada a R$ 1,2 bilhão.
O montante é considerado suficiente para o reenquadramento do IRB.
A imposição do limite, porém, indica que a resseguradora prevê a possibilidade de conceder um desconto significativo no preço por ação caso os coordenadores da emissão encontrem demanda.
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Supondo que haja demanda integral pelos lotes adicionais, o preço da emissão giraria em torno de R$ 0,67 por ação. Isso representaria um desconto de aproximadamente 70% em relação ao preço de fechamento de ontem.
De qualquer modo, por se tratar de uma oferta restrita, eventuais pechinchas estarão disponíveis apenas para investidores profissionais. Aqueles com mais de R$ 10 milhões em aplicações comprovadas no mercado financeiro.
O preço por ação será conhecido em 1º de setembro.
A intenção do IRB é utilizar os recursos para adequar os indicadores regulatórios às normas da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Cumprido o reenquadramento, caso sobre algum dinheiro, a resseguradora pretende empregar recursos excedentes da operação no “crescimento orgânico da companhia frente a oportunidades de negócios existentes”. Outra possível destinação é a quitação de passivos.
A reação inicial dos investidores à notícia foi positiva. IRBR3 subia cerca de 6% por volta das 11h e figurava como a maior alta do Ibovespa na manhã de hoje.
Vale lembrar que o IRB Brasil enfrenta uma montanha-russa em seus resultados ao longo deste ano: foi lucro em janeiro, prejuízo em fevereiro, lucro em março e depois prejuízo por todo o segundo trimestre.
Entre abril e junho, o IRB registrou prejuízo líquido de R$ 373,3 milhões, o que representa um aumento de 80,4% em relação às perdas de R$ 206,9 milhões do mesmo período do ano anterior.
Nos primeiros seis meses de 2022, o prejuízo líquido somou R$ 292,9 milhões ante perda de R$ 156,1 milhões nos primeiros seis meses de 2021.
Olhando esses números, fica mais fácil entender as razões que levaram a empresa a fazer uma oferta subsequente de ações.
IRBR3 passa por sérias dificuldades desde fevereiro de 2020.
Na época, a gestora Squadra denunciou inconsistências contábeis nos balanços da empresa de resseguros, que foi obrigada a trocar todo o alto escalão ao ficar com sua saúde financeira exposta.
No mesmo ano, o IRB — que era uma das empresas queridinhas da bolsa brasileira — se viu obrigada a fazer um aumento de capital de R$ 2,3 bilhões para cumprir as regras da Susep.
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