Tensão entre Rússia e Ucrânia e expectativa com reunião do Fed derrubam bolsas pelo mundo, e Ibovespa cai quase 1%, mas NY vira para o azul na reta final
Wall Street consegue uma virada impressionante e fechar em alta, depois de índices terem chegado a cair mais de 3%; Ibovespa reduziu perdas, mas ainda fechou com queda significativa, enquanto dólar subiu

As bolsas globais desabaram na tarde desta segunda-feira (24), à medida que os investidores internacionais fugiam dos ativos de risco em direção a investimentos considerados seguros. E o Ibovespa foi junto, enquanto o dólar avançou globalmente.
O cenário, que já era de cautela desde a semana passada, ficou ainda mais avesso ao risco com as notícias de que os Estados Unidos e o Reino Unido começaram a retirar funcionários das suas embaixadas em Kiev, capital da Ucrânia, em razão da escalada das tensões entre o país e a Rússia.
O risco geopolítico se somou à expectativa em relação à próxima reunião do Federal Reserve, o banco central americano, marcada para a próxima quarta-feira (26). Na ocasião, a autoridade monetária deve dar mais clareza sobre os próximos passos da alta de juros e da retirada de estímulos da economia.
Para completar o cenário, dados econômicos dos Estados Unidos e da Europa, divulgados pela manhã, indicaram desaceleração da atividade.
O resultado dessa combinação de temores e más notícias foi um verdadeiro banho de sangue nas bolsas no início da tarde de hoje. O índice de volatilidade VIX, apelidado de "índice do medo", chegou a disparar mais de 20% pela manhã, ao seu maior patamar em um ano.
Na Europa, região diretamente mais afetada por um potencial conflito entre Rússia e Ucrânia, as bolsas tiveram um dia muito negativo, e o índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, fechou em queda de 3,81%, depois de ter chegado a desabar mais de 4% no pior momento do dia.
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A Rússia é um dos principais produtores de petróleo do mundo e produz cerca de 35% do gás natural consumido pelos países europeus; um conflito entre os dois países, portanto, pode vir a afetar ainda mais os preços das commodities, contaminando os mercados e a economia como um todo.
Mesmo assim, os contratos futuros de petróleo fecharam em queda de cerca de 2% hoje, com a aversão a risco generalizada.
Já em Wall Street, o Dow Jones e o S&P 500 chegaram a cair mais de 3%, e o Nasdaq despencou mais de 4%, no pior momento da sessão. Entretanto, de forma surpreendente, as bolsas americanas conseguiram virar para alta na reta final e fecharam no azul. O Dow Jones subiu 0,30%, o S&P 500 ganhou 0,29%, e o Nasdaq avançou 0,63%.
Os três indicadores já haviam amargado fortes perdas na semana passada, com a cautela generalizada por conta da perspectiva de alta de juros nos EUA. Assim, as quedas na tarde de hoje acabaram abrindo oportunidades de compra e, consequentemente, de recuperação.
No entanto, por aqui, o Ibovespa, que acumulou alta de 1,88% na semana passada, não teve a mesma sorte hoje. O índice até reduziu as perdas no fim da sessão, com a recuperação dos mercados americanos, mas ainda fechou com uma baixa amarga de 0,92%, aos 107.937 pontos. Na mínima, o principal índice da B3 chegou a cair mais de 2% e perder até mesmo os 107 mil pontos.
Os ativos considerados "portos seguros", por sua vez, avançaram nesta segunda. O dólar à vista subiu globalmente e fechou em alta de 0,88% ante o real, a R$ 5,5032, depois de ter chegado a avançar mais de 1% e ultrapassar os R$ 5,52, na máxima.
Já a procura pelos Treasuries, os títulos públicos americanos, levou seus preços para cima e, por consequência, reduziu suas taxas.
Assim, os juros futuros também recuaram por aqui, mesmo com a alta do dólar e o aumento do risco fiscal, com a aprovação do Orçamento de 2022 e a possibilidade de aprovação de uma proposta para reduzir, na canetada, os preços dos combustíveis, diminuindo a arrecadação do governo.
Veja o fechamento dos principais vencimentos de DI futuro nesta segunda:
- Janeiro/23: queda de 11,887% a 11,82%;
- Janeiro/25: queda de 11,188% a 11,095%;
- Janeiro/27: queda de 11,302% a 11,22%;
- Janeiro/29: queda de 11,471% a 11,42%.
Tensões na Ucrânia
No último domingo, os governo americano recomendou que seus cidadãos que se encontram na Ucrânia saiam do país, e ordenou aos funcionários de sua embaixada em Kiev, a capital ucraniana, deixem o país com suas famílias.
Hoje, o Reino Unido divulgou que deu a mesma ordem ao seu corpo diplomático. Nenhum dos dois governos, entretanto, admite alguma ameaça específica contra os cidadãos dos seus países.
A Rússia vem transferindo tropas e armamentos para a fronteira com a Ucrânia já há algum tempo, e os países que fazem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) temem uma invasão.
A Otan anunciou hoje que está deslocando mais navios e jatos de combate para o Leste Europeu. A Ucrânia tinha pretensões de entrar na aliança e, como membro, uma invasão ao seu território exigiria uma reação imediata da organização. Já a União Europeia anunciou 1,2 bilhão de euros em ajuda financeira aos ucranianos.
Do ponto de vista do mercado e da economia, uma guerra entre os dois países pode causar interrupções no abastecimento de grãos e gás natural à Europa e pressionar os preços das commodities ainda mais.
Além disso, EUA e Reino Unido já ameaçaram a Rússia com sanções, o que poderia gerar retaliações. Lembrando que a Rússia também é importante produtora de petróleo.
Federal Reserve
Nesta quarta-feira (26), o Federal Reserve, o Banco Central americano, decide os próximos passos da sua política monetária. A expectativa dos mercados é de que o Fed mantenha os juros inalterados, sinalize a primeira alta das taxas para a reunião de março e indique a próxima etapa do tapering, o processo de retirada de estímulos da economia.
O temor é de que venha por aí alguma surpresa, no sentido de que a alta de juros ou a retirada de estímulos possam ser mais intensas ou mais rápidas do que o atualmente esperado.
De acordo com as projeções de especialistas ouvidos pelo Yahoo! Finance, o Fed deve elevar os juros mais duas ou três vezes ainda neste ano, fazendo a taxa atingir o 1% até o final de 2022.
Mas de acordo com um relatório do Goldman Sachs, para que o BC americano consiga controlar a inflação, os juros devem subir até cinco vezes ainda neste ano.
PMIs em desaceleração
Pela manhã foram divulgados os Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) compostos de Estados Unidos, Reino Unido e zona do euro.
Nos EUA, o indicador caiu de 57 em dezembro para 50,8 em janeiro, ainda indicando expansão da atividade (índice maior que 50), mas em desaceleração em relação ao mês anterior.
No Reino Unido e na zona do euro, os PMIs compostos caíram a 53,4 e 52,4 em janeiro, respectivamente, menores níveis em 11 meses.
Orçamento 2022
A peça orçamentária, sancionada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, deve gerar reações do mercado nos próximos dias. A proposta destina cifras bilionárias para o parlamento, em detrimento de outras áreas sociais.
Confira os principais pontos:
- Fundo eleitoral: R$ 4,9 bilhões;
- Emendas do relator (RP-9): R$ 16 bilhões;
- Reajuste de servidores (RP-8): R$ 1,7 bilhão.
Vale lembrar que os recursos para reajustar os salários de servidores públicos federais não está carimbado para nenhuma categoria específica, mas o presidente já se comprometeu a destiná-los às forças policiais, o que motivou protestos de outras categorias neste início de ano.
PEC dos Combustíveis
Como se não bastasse, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o preço dos combustíveis permanece no radar.
De acordo com um relatório da XP, o governo central pode perder até R$ 240 bilhões com a aprovação da chamada PEC dos Combustíveis — e o impacto no preço da gasolina será de apenas R$ 0,20, no melhor dos cenários.
A proposta busca tirar os impostos federais PIS/Cofins do preço dos combustíveis, além de estender a isenção fiscal à energia elétrica.
Contudo, a medida parece ter caráter eleitoreiro e não respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que exige compensação para qualquer renúncia tributária.
Sobe e desce do Ibovespa
Veja as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira:
| CÓDIGO | AÇÃO | VALOR | VARIAÇÃO |
| PCAR3 | Pão de Açúcar ON | R$ 20,95 | +7,44% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 23,49 | +4,68% |
| BRKM3 | Braskem ON | R$ 49,95 | +3,63% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 23,46 | +3,39% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 16,24 | +2,40% |
Veja também as maiores quedas:
| CÓDIGO | AÇÃO | VALOR | VARIAÇÃO |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 6,39 | -7,39% |
| BIDI11 | Inter unit | R$ 23,45 | -7,28% |
| BPAN4 | Banco Pan PN | R$ 9,60 | -5,88% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 3,16 | -5,39% |
| ALPA4 | Alpargatas PN | R$ 28,75 | -5,30% |
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