Esquenta dos mercados: Bolsas no exterior tentam recuperação de olho no petróleo e Opep+; Ibovespa aguarda PIB do 1º tri
O encontro de representantes do cartel dos países produtores da commodity fica no radar e o investidor monitora os impactos na Petrobras (PETR4)

O investidor vive um looping infinito que rondam mais ou menos as mesmas notícias. Apesar dos temores envolvendo a desaceleração econômica e o medo de novas ondas de covid-19 assustarem as bolsas internacionais, os índices amanheceram em alta, em um movimento de busca por barganhas e ajuste de carteiras.
Enquanto o feriado em Londres reduz a liquidez na Europa, os futuros de Nova York operam no azul nas primeiras horas da manhã. As mesas de operações do Velho Continente e de Wall Street acompanham as falas da vice-presidente do Fed, Lael Brainard, no final da manhã desta quinta-feira (02).
Quem ficou de fora da festa foram as bolsas da Ásia e do Pacífico, que fecharam a sessão em queda, refletindo o fraco desempenho de Nova York no pregão da última quarta-feira (1º).
Nas terras brasileiras, o clima morno e o cabo de guerra entre as notícias no exterior e o desempenho da bolsa local fizeram o Ibovespa encerrar o pregão de ontem praticamente estável. O índice local registrou alta de 0,01%, aos 111.359,94 pontos.
Já o dólar à vista avançou 1,08%, a R$ 4,8041, e o mercado de juros operou em alta. Pesou do lado negativo a possibilidade de aumento de subsídio aos combustíveis.
Mas não importa se você está aqui no Brasil ou no exterior: os olhos do mundo se voltam para a reunião da Opep+, marcada para esta quinta-feira. O cartel pode propor um aumento da produção em virtude da alta de preços e escassez do petróleo em meio a guerra entre Rússia e Ucrânia.
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Entenda mais e prepare-se para o dia na bolsa aqui:
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Petróleo e bolsas: mais um dia de tensão
A principal commodity energética do mundo ganha destaque nesta quinta-feira, antes do encontro de líderes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).
As cotações do barril do Brent — utilizado como referência internacional — seguem pressionadas com a perspectiva de aumento da produção. Perto das 7h, a commodity caiu 2,57%, negociada a US$ 113,31.
De acordo com o roteiro esboçado pelo cartel no ano passado, a produção deve subir para 432 mil barris de petróleo por dia. Porém, ainda que as cotações estejam elevadas, os delegados da Opep+ destacam que a desaceleração chinesa preocupa e a demanda pode não ser suficiente para agradar o grupo.
Soma-se a esse cenário o acordo da União Europeia para eliminar gradualmente a dependência do petróleo da Rússia, um dos maiores exportadores da commodity do planeta.
Chove lá, molha aqui: como isso afeta a nossa bolsa
Uma das maiores empresas da bolsa, a Petrobras (PETR4) está diretamente ligada a esse vai e vem do petróleo. Com a queda de quase 3% hoje, as ações da empresa devem sentir um baque junto com o setor como um todo no Ibovespa.
Quem pode ajudar a sustentar um bom desempenho no segmento de commodities por aqui é o setor de siderurgia. O minério de ferro teve alta de 3,77% em Dalian, na China, negociado a US$ 131,95.
A maior empresa da bolsa, a Vale (VALE3), pode equilibrar a balança com a Petrobras nesse cenário.
E o que pode desestabilizar o Ibovespa hoje
O cenário internacional de recuperação e tensão pode segurar as pontas da bolsa mais um dia. Entretanto, a divulgação do PIB do primeiro trimestre deve chacoalhar o humor dos investidores hoje.
De acordo com a mediana das projeções de especialistas ouvidos pelo Broadcast, a atividade econômica deve avançar 1,2% nos primeiros meses de 2022 e subir 2,1% em relação ao mesmo período de 2021.
A retomada das atividades após a pior fase da pandemia de covid-19 deve impulsionar o resultado do primeiro trimestre.
O peso do petróleo na bolsa — e no Congresso
Não é de hoje que a alta dos combustíveis, em virtude da disparada do barril de petróleo, pressiona as Casas Legislativas brasileiras. A proposta de limitar o ICMS sobre combustíveis e energia a 17% permanece como um impasse no Congresso.
Na noite de ontem, o Senado aprovou uma medida para conter o avanço de preços, com um abatimento de tributos cobrados indevidamente na conta de luz. O texto segue para aprovação na Câmara.
Os valores são referentes a cobranças adicionais do ICMS no cálculo do PIS/Cofins, reconhecida como indevida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). São mais de R$ 60 bilhões já habilitados para esse tipo de compensação, de acordo com a Receita Federal.
Ideia número 2
O governo federal ainda pretende abrir a concorrência no setor de transporte e distribuição de combustíveis, visando baratear os custos de operação. De acordo com o Estado de São Paulo, o plano é garantir que refinarias, distribuidoras e importadores tenham acesso à infraestrutura da Transpetro — braço da Petrobras responsável pelo segmento.
Para dar agilidade à proposta, o texto deve ser incluído em um pacote de medidas junto com a pauta do ICMS. Entretanto, a medida encontra resistência no Congresso.
Agenda do dia
- Fipe: IPC de maio (5h)
- França: CPI da OCDE em abril (7h)
- FGV: IPC-S Capitais de maio (8h)
- IBGE: PIB do 1º trimestre (9h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio desemprego (9h30)
- Estados Unidos: Vice-presidente do Fed, Lael Brainard, concede entrevista à CNBC (11h)
- Áustria: Reunião ministerial da Opep+ (sem horário específico)
- Anatel pode analisar pedido de prazo adicional para operadores começarem a usar 5G nas capitais (dia todo)
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