Lucro multiplicado e receitas bilionárias: Veja por que analistas recomendam a compra das ações da Multilaser (MLAS3)
Analistas consideram papel barato nos níveis atuais e projetam bons resultados para a companhia nos próximos cinco anos. Potencial de valorização chega a 70%.

A Multilaser (MLAS3) tem seguido a tendência das empresas de tecnologia na Bolsa nas últimas semanas. Logo após o IPO, no dia da estreia, a ação da fabricante e varejista de eletroeletrônicos subiu mais de 17%, mas hoje vale menos que o preço da abertura de capital.
Para os analistas, a queda mais recente abriu uma oportunidade. Por isso, XP e Bank of America (BofA) iniciaram a cobertura de MLAS3 com recomendação de compra e projeção de valorização de até 70% em 12 meses.
O BofA optou por colocar um preço-alvo de R$ 16 para o preço do papel, o que representa um potencial de alta de 71% em 12 meses. A XP colocou o preço-alvo em R$ 15, uma valorização esperada de 60%. A ação fechou hoje em alta de 1,18%, a R$ 9,47. No IPO, o preço fixado foi de R$ 11,70.
E o que se espera dos resultados?
Esse otimismo dos analistas é justificado pelos resultados da Multilaser projetados para os próximos cinco anos.
O BofA espera uma adição de R$ 7,8 bilhões ao volume de vendas, citando algumas parcerias fechadas recentemente, como a Joint Venture com a Nokia em smartphones, com a Toshiba em SmarTV e com a ZTE em infraestrutura de internet.
A XP espera que a Multilaser quase triplique o seu lucro líquido até 2025, passando dos R$ 450 milhões de 2020 para quase R$ 1,3 bilhão cinco anos depois. O BofA espera um crescimento médio anual de 19% no lucro da empresa no mesmo período.
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As expectativas da XP também envolvem um crescimento médio de 25% nas receitas até 2025, e a margem Ebitda de longo prazo em torno dos 15%.
No segundo trimestre deste ano, o lucro da Multilaser foi de R$ 202,3 milhões, 123% maior que os R$ 90,7 milhões do mesmo período de 2020. O Ebitda cresceu mais de 88%, para R$ 186,4 milhões.
Multitarefa
O portfólio da Multilaser é atualmente composto por 20 marcas próprias, que combinadas com outras nove licenciadas ou em parceiras, alcançam uma ampla gama de preços e segmentos sociais.
Em seu relatório, o BofA aponta o amplo espectro de clientes que a Multilaser atinge. São mais de 44 mil pontos de venda, sendo que 6% são próprios.
Problemas no meio do caminho
Tanto a XP quanto o BofA veem que a Multilaser pode enfrentar desafios nos próximos meses, especialmente em relação à carga tributária.
Atualmente, a empresa se beneficia de três grandes benefícios fiscais: isenção de ICMS, PPB (Processo Produtivo Básico) e Padis (Programa de auxílio ao desenvolvimento da indústria de semicondutores).
Esses benefícios são válidos até o período entre 2029 e 2032, e correspondem a praticamente todo o lucro atual da Multilaser, além de serem importantes componentes na competição com importados.
O risco de mudanças nas regras é improvável, de acordo com a XP, mas os analistas fazem esse alerta aos investidores.
E a competitividade internacional também é um fator de risco para a empresa. Mesmo com a manutenção dos estímulos, gigantes do setor de tecnologia como a Xiaomi podem penetrar no mercado nacional e trazer concorrência mais forte para a Multilaser.
Atualmente, o valor relativo da Multilaser tem uma defasagem em relação aos seus concorrentes locais e internacionais, exatamente por ser uma empresa bastante exposta a esses benefícios fiscais. Mas para os analistas do BofA, o preço atual da ação abre uma oportunidade de compra.
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