Menu
2021-05-06T13:32:29-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Desceu redondo

Na Ambev, a venda de cerveja garantiu o happy hour no primeiro trimestre

A Ambev reportou forte crescimento na receita líquida e no lucro no primeiro trimestre, impulsionada pelas vendas de cerveja no Brasil

6 de maio de 2021
13:32
Budweiser, cerveja do portfólio da Ambev
Budweiser, cerveja do portfólio da Ambev - Imagem: Shutterstock

Se o balanço da Ambev no primeiro trimestre de 2021 viesse acompanhado de um efeito sonoro, ele definitivamente seria esse aqui:

Afinal, a gigante vendeu cerveja como nunca: somente no Brasil, o volume comercializado saltou 16% em relação aos três primeiros meses de 2020. Além disso, o preço médio da bebida também foi mais alto — o que jogou a receita líquida da companhia para cima.

Um desempenho que surpreendeu os analistas e é comemorado na bolsa. Numa sessão em que o Ibovespa opera perto da estabilidade, os papéis ON da Ambev (ABEV3) disparam mais de 8%. Um senhor happy hour para os acionistas da companhia.

É claro que nem tudo no balanço trimestral da empresa merece um brinde. Os custos aumentaram de maneira expressiva na base anual e as margens continuam pressionadas. Ainda assim, as fortes vendas de cerveja foram mais que suficientes para deixar o mercado com sede.

Saúde!

Vamos aos números: a receita líquida da Ambev chegou a R$ 16,6 bilhões no primeiro trimestre de 2021, um salto de 27,8% na comparação anual — dado que superou as projeções dos analistas e causou uma ótima primeira impressão.

Essa expansão da receita líquida se deve, basicamente, a dois fatores: a Ambev vendeu mais cerveja em todos os mercados de atuação, quase sempre com preços mais elevados. E, nesse front, destaque absoluto para o Brasil.

Como foi dito lá no começo do texto, o volume de vendas de cerveja no país cresceu 16%. Isso, aliado ao aumento de 12,6% no preço médio, gerou uma receita de R$ 7,1 bilhões. Ou seja: somente a comercialização de cerveja no Brasil foi responsável por 42% de toda a receita líquida da Ambev no trimestre.

E o que explica esse desempenho tão forte?

Há diversos fatores. Em primeiro lugar, é importante lembrarmos que, ao longo de 2020, a Ambev ganhou participação de mercado, roubando parte do espaço de rivais, como a Heineken — a gestão mais eficaz da logística e a menor susceptibilidade às oscilações da commodity ajudaram a companhia.

Em segundo, há a questão da mudança dos hábitos de consumo durante a pandemia: com restaurantes e bares ainda enfrentando restrições, as pessoas passaram a tomar mais cerveja em casa e a recorrer aos aplicativos de entrega de bebidas — o Zé Delivery, líder nesse segmento, pertence à Ambev.

Zé Delivery Ambev
Zé Delivery, aplicativo da Ambev para entrega de bebidas, tem mais de 5 milhões de downolads na Play Store

Por fim, é preciso analisar a questão do tipo de cerveja consumida. Segundo a Ambev, as marcas premium — como Budweiser, Becks, Corona e Stella Artois — tiveram um salto de cerca de 20% nas vendas; as marcas core plus — um segmento intermediário de preço, encabeçado pela Brahma Duplo Malte — mais que dobraram as vendas.

No entanto, o segmento core — que vende mais e conta com marcas como Skol, Brahma e Antárctica — teve um crescimento de vendas mais modesto, "de um dígito". Apesar disso, o bom desempenho das cervejas de valor mais elevado ajudou a puxar o resultado no Brasil para cima.

Ambev no mundo

As unidades de negócio da Ambev no exterior também tiveram resultados fortes, novamente com a cerveja como protagonista. Na América Central e Caribe, a receita líquida avançou 28,2%; na América Latina Sul, o aumento na linha foi de 44%; no Canadá, o crescimento foi de 1,6%. Os volumes vendidos aumentaram nesses três mercados.

Dito isso, os resultados consolidados da companhia trouxeram alguns pontos que, para alguns, jogam água no chope. O custo dos produtos vendidos aumentou 35,3% em um ano; as despesas com vendas, gerais e administrativas avançaram 13,9%.

Esse salto nos custos e despesas se deve, entre outros fatores, à taxa de câmbio, ao preço maior das commodities, às despesas com distribuição e às provisões com remuneração variável. Seja como for, o aumento nesses gastos trouxe pressão às margens da Ambev:

  • Margem bruta: 52,3% (era 55,2% no 1T20);
  • Margem Ebitda ajustado: 32% (era 33,6% no 1T20).

Apesar disso, a última linha do balanço ainda foi bastante forte: o lucro líquido da Ambev nos primeiros três meses de 2021 foi de R$ 2,7 bilhões, mais que o dobro do reportado no mesmo período do ano passado.

O que fazer com as ações?

Como um todo, os analistas de bancos e grandes casas de investimento elogiaram os resultados da Ambev no trimestre. O BTG Pactual, por exemplo, disse que o balanço da companhia foi "praticamente sem falhas"; para o Credit Suisse, os números "foram uma surpresa generalizada".

Sergio Oba, editor da Empiricus, é outro que gostou do que viu: para ele, "os números vão mostrando a qualidade da empresa", com uma postura proativa nas frentes comercial, de marketing e inovação — e o crescimento do Zé Delivery é um exemplo da adaptação da Ambev às novas condições de mercado.

Ambev ações

Dito isso: é hora de abrir uma cerveja e comprar ações da Ambev? Bem, não é tão simples assim.

As margens pressionadas e os custos em alta inspiram cautela a alguns —caso do Bank of America Merill Lynch, que também mostra-se incerto quanto às possíveis mudanças no perfil de consumo uma vez que a pandemia estiver sob controle.

Além disso, quando olhamos para os múltiplos das ações da Ambev — os indicadores que podem ajudar a entender se os papéis ainda oferecem potencial de valorização —, enxergamos um cenário com pouco espaço.

O múltiplo preço/lucro por ação, por exemplo, está perto de 20x, abaixo da média histórica, de 25x — um bom sinal. Já a relação entre valor da empresa e Ebitda nos últimos 12 meses aparece perto de 11x, muito próxima à média, de 12x — o que indica que as ações podem já estar em seu preço justo.

Assim, por mais que o balanço do trimestre tenha vindo bastante forte, a decisão de comprar ações da Ambev no atual nível de preço pode ser difícil — depende muito do que você enxerga para o futuro da empresa. Se as vendas de cerveja acelerarem ainda mais, é provável que as ações sigam subindo; se os custos e margens continuarem sob pressão, a tendência pode ser de baixa.

Tanto é que os próprios analistas mostram visões bastante difusas para a companhia. Veja abaixo algumas recomendações:

  • BTG Pactual: recomendação neutra; preço-alvo de R$ 15,00;
  • BofA Merrill Lynch: recomendação de venda; preço-alvo de R$ 14,00;
  • XP: recomendação de compra; preço-alvo de R$ 17,50.
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Fora do planeta

Bilhete só de ida? Petições defendem permanência de fundador da Amazon no espaço

Mais de 70.000 pessoas assinaram manifestos online para impedir que o bilionário Jeff Bezos retorne da viagem espacial marcada para o dia 20 de julho

Exile on Wall Street

O que esperar dos IPOs na bolsa brasileira? Basta ver os jornais dos EUA

Era o final dos anos 1980, mas ele pode ver o jornal de 22 de outubro de 2015. Na capa do periódico, seu filho estava sendo preso por roubo. Não havia alternativa senão entrar mais uma vez no DeLorean e viajar para o futuro, de modo a evitar a prisão de Martin McFly Júnior. O […]

Mercado de quatro patas

Poder felino: Petz compra Cansei de Ser Gato e avança na produção de conteúdo digital

A Petz entrou no segmento de conteúdo digital ao adquirir a Cansei de Ser Gato, marca voltada aos felinos e que tem forte presença nas redes

Atenção acionista

Rede D’or anuncia pagamento de R$ 156,2 milhões de juros sobre capital próprio

O pagamento do valor anunciado será destinado aos acionistas que detiverem as ações da Rede D’or no próximo dia 24 de junho

Fome para crescer

Em mais uma aquisição, Magazine Luiza se fortalece em food services com a Plus Delivery

Segundo a varejista, plataforma de entrega de comida tem cerca de 1.500 restaurantes parceiros e atende mais de 250 mil clientes por mês

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies