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Segundo jornal, plano em discussão prevê divisão de ativos entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, incluindo uma possível expansão internacional da Farm

O “casamento” da Azzas 2154 (AZZA3) parece ter avançado para uma nova etapa da crise: a discussão sobre como seria um eventual "divórcio" entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy. Segundo informações do Valor Econômico, já existe um desenho para uma possível cisão societária entre os dois empresários.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que está em análise a criação de três empresas derivadas da Azzas, grupo formado após a fusão entre Arezzo e Grupo Soma, concluída em 2024.
Pelo modelo discutido, Birman ficaria com Arezzo, Hering, Farm e Reserva, enquanto Jatahy assumiria as demais operações do grupo, incluindo os ativos ligados à moda feminina, segmento que já lidera atualmente.
Há ainda a possibilidade de uma terceira estrutura ser criada a partir de uma eventual listagem da Farm no exterior. Segundo o jornal, caberia a Birman decidir como conduzir esse movimento.
O mercado reagiu bem à notícia. As ações da Azzas 2154 figuravam entre as maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (22). Por volta das 12h25 (de Brasília), os papéis subiam 3,16%, negociados a R$ 20,73. Na máxima do dia, AZZA3 chegou a subir cerca de 6%, cotada a R$ 21,14.
Apesar da reação positiva, o JP Morgan Chase avalia que o episódio reforça as preocupações com a governança corporativa da companhia, um ponto que ganhou peso na tese de investimento para a Azzas. A recomendação do banco segue neutra para AZZA3.
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Segundo o banco, os desentendimentos entre os principais acionistas já extrapolaram as conversas internas e envolveram liminares judiciais, processos arbitrais, contratação de bancos para estudar alternativas estratégicas e até uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre obrigações de divulgação ao mercado.
Para os analistas, uma separação poderia destravar valor ao reduzir conflitos estratégicos e separar ativos com perfis diferentes. Ainda assim, o banco alerta que há pouca clareza sobre como seria executada a operação, além de dúvidas sobre valuation, impactos tributários, questões jurídicas e prazo.
Na avaliação do JP Morgan, a Farm pode acabar sendo um dos ativos mais valiosos em um cenário de cisão, principalmente se o mercado enxergar potencial de expansão internacional para a marca.
Mesmo assim, o banco pondera que esse potencial dependeria do formato da operação, do momento escolhido para a separação, dos riscos de execução e também do apetite dos investidores.
“De forma geral, a cisão pode acabar sendo a solução mais simples para resolver o desalinhamento entre os acionistas, especialmente em relação à estratégia da Farm, mas os efeitos de curto prazo para as ações ainda são incertos”, escreveram os analistas.
O JP Morgan também espera que a ação continue pressionada por questões de governança até que o mercado tenha mais clareza sobre o alinhamento entre os sócios, o andamento da integração entre os negócios e os termos de uma eventual separação.
Os rumores sobre um possível rompimento entre os empresários começaram a circular com mais força em meados de 2025.
Diferenças sobre modelo de gestão e perda de autonomia dentro da nova estrutura estariam entre os principais pontos de atrito. O impasse também teria dificultado a integração entre Arezzo e Grupo Soma desde a fusão anunciada em agosto de 2024.
Na época, os executivos tentaram minimizar as especulações sobre uma ruptura. Agora, porém, o assunto voltou ao centro das atenções enquanto a disputa avança na Justiça.
Além da crise societária, a Azzas 2154 também enfrenta um momento mais fraco operacionalmente.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 63,9 milhões, uma queda de 45,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita líquida somou R$ 2,48 bilhões, recuo de 8%. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente caiu 23,2%, para R$ 328,5 milhões. Com isso, a margem Ebitda encolheu 2,7 pontos percentuais, para 13,2%.
*Com informações do Valor Econômico e do Money Times
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