O que o enredo de “De Volta Para o Futuro – parte 2” nos ensina sobre prever o mercado?
O imaginário financista cultiva um entendimento infantil de que enxergar o futuro implica lucrar com a trajetória dos ativos financeiros, seja essa uma trajetória de alta ou de baixa. Todavia, no imaginário popular — sintetizado por narrativas que vão de Cassandra a Marty Mcfly —, a faculdade de prever o futuro sempre vem acompanhada de […]

O imaginário financista cultiva um entendimento infantil de que enxergar o futuro implica lucrar com a trajetória dos ativos financeiros, seja essa uma trajetória de alta ou de baixa.
Todavia, no imaginário popular — sintetizado por narrativas que vão de Cassandra a Marty Mcfly —, a faculdade de prever o futuro sempre vem acompanhada de uma série de dificuldades trágicas.
Prestes a voltar para o passado, Marty decide comprar um almanaque esportivo que lista todos os resultados das competições americanas entre 1950 e 2000.
Apostas baseadas nesses resultados certamente produziriam ganhos extraordinários — chamaríamos isso de beta ou de alfa?
Porém, o Dr. Emmett Brown corta o barato de McFly, dizendo que não construiu sua máquina do tempo para ganhar dinheiro, e sim em nome da ciência.
Emmett joga o almanaque no lixo, e aí começam todos os problemas no enredo de "De Volta Para o Futuro - Parte 2".
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Se você encontrasse um almanaque financeiro no lixo, com estatísticas completas para o período 2022–2052, isso seria uma bênção ou uma maldição?
Travestida de roupagem lúdica, essa é, na verdade, a única questão filosófica que importa.
Se não houvesse nenhuma outra dúvida no mundo, restaria ainda uma dúvida fundamental: esta vida — narrada pelo almanaque, conhecida desde o nascimento — é uma vida que merece ser vivida?
A melhor resposta, ao meu ver, é dada pela evolução das espécies, por meio da seleção natural.
Conhecemos formas de vida com bicos, com asas, com oito pernas, que enxergam no escuro, que não precisam de olhos, que respiram oxigênio, que respiram gás carbônico, que compram COGN3, que morrem a cada minuto ou que vivem cem anos.
Por que — em meio a toda essa tamanha heterogeneidade — não temos pelo menos uma forma de vida capaz de enxergar o futuro?
Meu palpite é o de que não existe um prêmio evolucionário associado à antevisão; ao contrário, ela representaria o maior de todos os karmas.
Aqueles indivíduos (hipoteticamente) capazes de ver o futuro tomariam ciência instantânea das inúmeras mazelas que os acometeriam por toda uma vida.
De uma forma ou de outra, sucumbiriam diante dessa carga letal de sofrimento trazida a valor presente, que nunca poderia ser compensada por um fluxo intertemporal de alegrias vindouras.
A seleção natural é sábia, obrigando-nos a passar por um problema de cada vez, intercalando janelas de tempestade com janelas de bonança, aliviando a barra.
Não faz isso em nome do dinheiro, nem em nome da ciência; faz em nome da sobrevivência.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
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