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Às vezes, a gente conta história, se mete a falar de filosofia, apresenta uma teoria com o intuito de demonstrar um ponto. E, às vezes, não tem nada disso. Seguimos a via mais direta nesta segunda-feira. Se aparecer uma oportunidade simples e eficiente, você deve aproveitá-la sem tergiversar.
Difícil entender a preferência de algumas pessoas pelo complexo, talvez como forma de demonstrar inteligência. No mercado, porém, inteligente mesmo é ganhar dinheiro. Preferimos a navalha de Occam à teoria das cordas. Portanto, aqui vamos nós.
Os juros no Brasil estão altos de novo — e subindo.
A inflação também está alta e o Banco Central tem sinalizado custo elevado em termos de produto para fazê-la convergir rapidamente à meta.
Em outras palavras, é possível, para não dizer provável, que ela continue alta — embora, claro, em níveis inferiores ao observado nos últimos 12 meses.
Em paralelo, há um cenário de grande incerteza à frente. As projeções para PIB e inflação para 2022 têm piorado de maneira significativa. Entre as mais pessimistas, já aparecem estimativas de crescimento de apenas 0,40% no próximo ano, com Selic a 9%.
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Sabemos que a futurologia, tipicamente, não serve para muita coisa. Não precisamos ir muito longe. Pegue o relatório Focus de cada 1º de janeiro e compare com o efetivamente realizado a posteriori. Vai ser uma vergonha atrás da outra.
E continuamos dando bola para os modelos econométricos, como se acreditássemos no princípio da contraindução de Mário Henrique Simonsen — vamos insistir num procedimento que deu errado até que ele dê certo.
Não é um problema dos economistas, fique claro. Pense em você mesmo. Volte dois anos no tempo e tente projetar, com as informações disponíveis à época, como você estaria hoje. Se o exercício for honesto, dificilmente você vai estar.
É da natureza humana tentar penetrar um futuro que permanecerá sempre impermeável, opaco e revelado apenas… no futuro. Tecnicamente, a realidade é não ergódica.
O desejo de controle nos empurra à falsa sensação de que podemos antever alguma coisa. Essa já é uma dificuldade estrutural e recorrente, negligenciada pela incapacidade humana de reconhecer que apenas não sabemos, nem nunca saberemos. Mas ela me parece maior agora.
Na saída da pandemia, estamos em mares nunca antes navegados. E existe uma eleição à frente, cujo resultado é absolutamente imprevisível e com consequências igualmente imprevisíveis. Há enorme dispersão de resultados possíveis à frente.
Num cenário assim, não faz sentido destinar uma parte de nosso dinheiro à renda fixa, protegida da inflação, com bom juro e, para melhorar um pouco as coisas, isenta de IR?
Isso nos traz à recomendação de hoje: uma LCA pagando IPCA + 4,36%, com prazo de 4 anos.
Assim, podemos atravessar o período de maior incerteza alocados num bom patamar de juro real, garantindo rentabilidade adequada e protegida da inflação, isentos de Imposto de Renda.
Não se trata, claro, de defender uma concentração excessiva em renda fixa, tampouco de negar a atratividade da Bolsa e, em especial, de algumas ações bem selecionadas em particular.
Ao contrário, em termos de alocação de ativos, temos defendido uma cesta diversificada com boa posição em Bolsa local, juro real doméstico e dólar, a partir de uma exposição significativa ao exterior.
A LCA atrelada ao IPCA neste momento pode ser particularmente interessante para compor parte deste juro real doméstico. Ela ajuda na diversificação e, inclusive, nos traz tranquilidade (financeira e psicológica) para manter nossas posições em Bolsa, devidamente dimensionadas (é fundamental cuidar do sizing).
Caso o cenário fique mais negativo, poderemos enfrentar mais facilmente a volatilidade da Bolsa, estendendo o horizonte temporal de alguns investimentos, já que boa parte do nosso portfólio estará protegido em dólar e na boa segurança da renda fixa local com gordo juro real.
Se surge um pênalti sem goleiro para bater, o centroavante tem que marcar.
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