Inflação, varejo, serviços e empresas: Entenda a última semana — e como se prevenir para as próximas — em 5 gráficos
Os analistas projetam queda no PIB, aumento de inflação, juros e piora no desempenho dos setores de varejo e serviços

A aprovação da PEC dos precatórios esta semana conseguiu aliviar um dos pontos de maior tensão dos mercados nos últimos meses, o que fez os investidores voltarem suas atenções para os indicadores econômicos e balanços das empresas.
A degradação do cenário doméstico é um dos pontos principais que os analistas destacam para recalibrar as projeções para a economia nacional. O PIB não deve crescer tanto quanto o esperado, enquanto a inflação e os juros continuam em trajetória de alta.
Confira abaixo os cinco gráficos que movimentaram essa semana:
Inflação de outubro

Na última quarta-feira (10), o IBGE divulgou o IPCA de outubro, que avançou 1,25%, frente às projeções de alta de 1,06% na mediana das projeções dos analistas ouvidos pelo Broadcast. Em setembro, o índice avançou 1,16%.
Com isso, o índice de preços acumula alta de 10,67% nos últimos 12 meses, contra 10,46% das projeções. O IPCA avança 8,24% em 2021.
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Entre os múltiplos fatores que influenciam a alta da inflação estão o avanço dos preços dos combustíveis e da conta de luz. Além disso, a economia sofre com a alta do dólar, tendo em vista que uma série de produtos básicos estão atrelados à moeda norte-americana.
O indicador está acima do teto da meta do Banco Central para 2021, de 5,25%, o que deve fazer a autoridade monetária acelerar o aumento da Selic. Por sua vez, a curva de juros segue pressionada.
Vendas no varejo em setembro

No dia seguinte da divulgação dos dados inflacionários, outro número também decepcionou o mercado.
O varejo ampliado recuou 1,1% em setembro, enquanto a mediana das expectativas apontavam para uma manutenção em 0%. O varejo restrito, por sua vez, recuou 1,3%, muito acima da mediana das projeções de queda de 0,6%, de acordo com especialistas ouvidos pelo Broadcast.
O aumento da inflação afetou diretamente o resultado do setor, que projeta uma Black Friday morna para este ano.
Apesar da transformação digital e do e-commerce ter chegado a 21% das vendas do varejo, o comércio é afetado pelo crédito mais caro e pela inflação, que afasta tem afastado os consumidores e dificultado por uma retomada com maior tração.
Serviços em setembro
Com o varejo abaixo do esperado, os analistas ficaram de olho no dado do setor de serviços da última sexta-feira (12).
Em tese, uma migração do varejo para o setor de serviços indicaria uma mudança no padrão de consumo do brasileiro durante a retomada econômica, o que seria refletido em números mais robustos do setor.
Entretanto, de acordo com o IBGE, o volume de serviços caiu 0,6% em setembro em relação a agosto, na contramão da mediana das projeções apontava para um avanço de 0,5% das atividades.
[captacao]
Magazine Luiza (MGLU3)
Saindo do campo dos indicadores, a temporada de balanços segue a todo vapor, com dados do terceiro trimestre das empresas mexendo com os negócios.
Com o cenário doméstico fraco, a queridinha do varejo na B3, Magazine Luiza (MGLU3) teve uma queda de 18,32% só no pregão da última sexta-feira (12). No mês, a queda é de 23,10% e, no ano, mais de 55% de recuo.
Mesmo com o e-commerce a todo vapor, a empresa pena em fazer as lojas físicas acompanharem o desempenho do restante da “Amazon brasileira”, o que refletiu diretamente no balanço do terceiro trimestre.
Via (VIIA3) na semana
Outro balanço que também decepcionou os investidores foi o da Via (VIIA3). Receita, Ebitda e lucro ficaram bem abaixo das projeções dos analistas; além disso, a empresa aumentou em R$ 1,2 bilhão o saldo de provisões relacionadas a processos trabalhistas — um efeito que, embora não recorrente, não estava no radar e caiu mal no mercado.
A empresa — que tinha promessas de ser a próxima MagaLu — conseguiu subir 0,65% no pregão da sexta-feira, mas o saldo é negativo na semana (queda de 14,81%), no mês (24,36%) e no ano (65,21%).
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