Em dia de alta volatilidade, Lira salva Ibovespa de um fiasco e segura o dólar em R$ 5,66
A volatilidade reinou absoluta nesta quarta-feira (03) e mais uma vez Brasília foi responsável por movimentar os negócios no Brasil. Lá fora, o dia foi de cautela com a alta dos juros futuros

Com as incertezas e indefinições que se acumulam em diversas frentes, quem tem brilhado no mercado brasileiro esta semana é a volatilidade. Até o momento ninguém anda podendo reclamar de tédio por aqui. Pelo terceiro dia consecutivo, o saldo final da bolsa brasileira foi diferente do que aquele que se desenhou ao longo de todo o dia.
Se na terça-feira a leve alta do Ibovespa teve gosto de frustração, hoje a queda de 0,32%, aos 111.183 pontos, tem sabor de goleada. Isso porque ao longo do dia o principal índice da bolsa brasileira parecia ter se firmado em uma queda superior a 3%, em muitos momentos com nenhum papel em alta.
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O estresse também reinou durante todo o dia no mercado de câmbio, com a moeda americana encostando nos R$ 5,78. No fim do dia, as duas atuações do Banco Central acabaram não tendo grande influência, mas a moeda americana conseguiu inverter o sinal e terminou em leve queda de 0,03%, a R$ 5,6643.
Bruno Musa, economista e sócio da Acqua Investimentos, destaca que tanto para o dólar quanto para a bolsa de valores, uma menor percepção de risco com relação ao cenário fiscal foi essencial, e essa inversão de cenário só foi possível após declarações do atual presidente da Câmara, Arthur Lira.
No caso do câmbio também é importante destacar que hoje tivemos mais um dia de alta dos rendimentos dos títulos americanos, o que acaba pressionando as moedas emergentes. Musa destaca, no entanto, que os problemas fiscais e domésticos que enfrentamos faz com que o Real tenha uma distorção grande frente aos seus pares emergentes.
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As bolsas americanas tiveram um dia de queda, na esteira da nova alta nos juros e uma decepção com números do mercado de trabalho, que ficou abaixo do esperado pelos analistas. O Dow Jones teve queda de 0,38%, seguido pelo S&P 500, que teve recuo de 1,30% e o Nasdaq, que caiu 2,70%
Musa destaca, no entanto, que os problemas fiscais e domésticos que enfrentamos faz com que o real tenha uma grande distorção frente aos seus pares emergentes e por isso as falas do presidente da Câmara falaram mais alto até do que as atuações do BC no mercado.
O mercado de juros também reverteu o cenário de alta expressiva visto ao longo de todo o dia. Confira as taxas de fechamento:
- Janeiro/2022: de 3,87% para 3,81%
- Janeiro/2023: de 5,77% para 5,61%
- Janeiro/2025: de 7,45% para 7,31%
- Janeiro/2027: de 8,08% para 8,42%
Chama o bombeiro
Não estamos falando do Banco Central, que mais uma vez fez mais de uma intervenção no câmbio ao longo do dia sem muito sucesso, e sim do presidente da Câmara, Arthur Lira, que foi o responsável por acalmar os mercados ao garantir que haverá um respeito ao teto de gastos na apreciação do texto da PEC Emergencial, que deve destravar a nova rodada do auxílio emergencial.
Desde o começo do dia, a expectativa do mercado estava justamente na votação do texto, mas, conforme as horas passavam, a percepção do risco fiscal só foi aumentando, com uma leitura de que a pauta deve sim ser desidratada e não contar com contrapartidas no médio ou longo prazo. O gasto com emendas parlamentares também pesou.
Coube à Lira reverter a situação, afirmando que esses temores não passam de especulação e que o teto de gastos não corre riscos, já que não ocorrerão excepcionalidades. O deputado também garantiu que o Bolsa Família deve permanecer dentro do teto, já que ruídos sobre a possibilidade contrária vinham ganhando forças.
As palavras do deputado foram o remédio perfeito e fizeram com que a bolsa brasileira saísse de uma queda de quase 4% para uma alta de 1%. Ainda que o Ibovespa tenha fechado o dia no vermelho, o resultado poderia ter sido muito pior.
A expectativa agora fica com a votação do tema. Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos, acredita que o cenário que temos visto, de alta volatilidade, deve se manter durante a semana, principalmente com as questões relacionadas ao risco fiscal.
Melhor do que o esperado (mas em segundo plano)
Os dados do PIB, que saíram hoje pela manhã, acabaram ficando meio de lado frente às preocupações mais urgentes dos investidores.
O número veio melhor do que o esperado pelo mercado. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 foi divulgado IBGE confirmou uma retração anual de 4,1%. Mesmo com uma elevação de 3,2% na passagem do terceiro para o quarto trimestre, especialistas acreditam que as perspectivas não são boas para o futuro caso não se controle a pandemia. Confira aqui cinco pontos que você precisa entender sobre o número de hoje.
Sobe e desce
A pandemia de covid-19 fez a economia brasileira derrapar e cair, e as perspectivas não são das melhores também para o futuro. Com o atraso da vacinação no Brasil, será difícil que a retomada econômica engate em marcha rápida. Por isso, o mercado também recebeu de braços abertos a notícia de que o governo federal deve comprar cerca de 100 milhões de doses de dois laboratórios - Pfizer e Johnson & Johnson.
Outra preocupação relacionada ao coronavírus é o avanço das novas variantes e a necessidade de que os estados adotem novas medidas de isolamento social. Hoje, o governador de São Paulo anunciou uma intensificação das medidas já adotadas, regredindo todo o estado para a fase vermelha novamente, uma notícia que pesa sobre setores sensíveis à covid-19, como as empresas aéreas, de shopping centers e varejo.
A Petrobras teve mais um dia de queda forte motivada pelo noticiário em torno das mudanças na companhia. Ontem, quatro membros do conselho de administração da Petrobras anunciaram que não farão mais parte do grupo após a troca de gerência da estatal.
Confira as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 21,35 | -5,61% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 14,98 | -4,53% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 20,97 | -4,29% |
| CYRE3 | Cyrela ON | R$ 23,70 | -4,09% |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 21,19 | -3,64% |
Em muitos momentos do dia, nenhuma ação do Ibovespa apresentou viés de alta, mas, com a melhora do índice, foi possível reverter também esse quadro.
O principal destaque ficou com as ações da PetroRio, que acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional. O Magazine Luiza também se destacou, deixando para trás as preocupações renovadas com lockdowns e refletindo a nova aquisição feita pela companhia. Confira as principais altas do Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 89,62 | 4,61% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 25,12 | 3,50% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 20,66 | 2,02% |
| SBSP3 | Sabesp ON | R$ 36,98 | 1,90% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 32,89 | 1,86% |
FUTURO NEBULOSO
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