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BTG Pactual e Credit Suisse começaram a cobertura dos papéis da companhia com recomendação de compra (e bons prognósticos para o futuro)
O ano passado foi marcado por 28 estreias na bolsa brasileira, mas nenhuma delas foi como a da Rede D'Or (RDOR3).
A maior rede independente de hospitais privados do país fez o seu "debut" no mês passado, sendo a primeira do segmento a abrir o capital na bolsa. A operação movimentou R$ 11,4 bilhões, com as ações a R$ 57,92, sendo a maior oferta inicial de ações de 2020 e a terceira maior da história da B3.
Na ocasião, eu conversei com gestores e analistas para saber o que o mercado estava achando da novata. O consenso foi de que o preço da ação estava um pouco "salgado", mas o que a companhia tem para entregar nos próximos anos compensava o investimento. De lá para cá, as ações da Rede D'Or se valorizaram 3,85%.
Passado o frenesi inicial com a oferta, os analistas começam a divulgar suas visões para o papel. Só hoje, o BTG Pactual e o Credit Suisse iniciaram a cobertura da companhia. Em comum, os dois relatórios trazem boas perspectivas para a Rede D'Or e recomendações de compra (outperform).
Enquanto o banco suíço vê um potencial de alta de 15,72% (preço-alvo de R$ 78), o BTG vai ainda mais longe. Além de colocar os papéis como os favoritos do setor de saúde, também enxerga espaço para que uma valorização de 26,11% (preço-alvo de R$ 85).
Para o Credit, a Rede D'Or hoje é negociada em múltiplos semelhantes aos das operadoras verticalizadas, mas o potencial de crescimento é muito maior.
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No segmento de saúde, estamos vendo um incrível processo de consolidação. Hoje, o mercado ainda é composto por diversos "pequenos" players e há espaço para que as grandes companhias trabalhem com estratégias de aquisições agressivas.
A Hapvida (HAPV3) e a Intermédica (GNDI3), as únicas duas operadoras verticalizadas da bolsa, vêm liderando esse processo. Há, inclusive, uma negociação para que as duas companhias unam suas forças e se tornem uma só. Mas elas não estão sozinhas.
Mauricio Cepeda, analista do Credit Suisse, destaca o forte potencial de crescimento da Rede D'Or, muito escorado na sua eficiência e capacidade de consolidação. Os analistas do BTG Pactual, Samuel Alves e Yan Cesquim, têm uma visão parecida. Para eles, a companhia oferece uma combinação atrativa de valor de mercado, crescimento de receita e uma forte estratégia de aquisições.
As perspectivas positivas para a Rede D'Or vêm na esteira do histórico recente de sucesso, que o BTG Pactual classifica como "o melhor entre as grandes empresas da América Latina".
As duas instituições ressaltam que a empresa tem se destacado na consolidação do setor de saúde privada, que reserva muito potencial de crescimento, e o agressivo plano de aquisições.
Segundo o BTG, a companhia conseguiu dobrar a sua margem nos últimos anos e isso pode levar os investidores a pensarem que existe uma cobrança excessiva, pressionando a inflação médica (um problema sério do setor), mas os analistas não acreditam que esse seja o caso.
A Rede D'Or tem um histórico de sucesso quando o assunto é aquisições. Nos últimos dez anos foram 30 novas operações, o que serviu de motor para crescimento da receita, Ebitda e margem de lucro.
Cepeda acredita que esse sucesso aumenta o poder de barganha da companhia com médicos e outros fornecedores, se tornando um elo essencial do ecossistema.
"Em um setor marcado pela ineficiência, a Rede D'Or segue um caminho de sucesso na integração dos novos ativos, o que cria valor em diversas frentes: aquisição de insumos, crescimento no número de leitos, credenciamento dos seus hospitais nas maiores operadoras do país, melhora no uso dos hospitais, integração que deve diminuir os custos administrativos e otimização do capital
Agora com o dinheiro levantado no IPO, a companhia deve continuar crescendo de forma saudável, robusta e inorgânica. O plano é ousado, dobrar o número de hospitais em cinco anos, mas os analistas das duas instituições acreditam que é possível.
A má execução do plano de expansão é um dos riscos que o papel oferece, sendo citado tanto pelos analistas do BTG Pactual como pelo Credit Suisse. Além disso, o banco suíço cita eventuais quedas na demanda (que pode ter como gatilho novas ondas da pandemia do coronavírus).
Os analistas do BTG também acreditam que a empresa tem potencial para passar a fazer parte do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, em maio, quando a carteira for atualizada, o que pode ser um novo gatilho para alta.
Embora os dois relatórios divulgados hoje sejam positivos para a companhia, os papéis fecharam em queda de 0,22%, a R$ 67,25.
Credit Suisse: Consolidando o mercado de hospitais no Brasil
Recomendação: outperform (equivalente a compra)
Preço-alvo: R$ 78 (potencial de 15,72%)
BTG Pactual: Escalabilidade de integração e execução incomparável
Recomendação: buy (compra)
Preço-alvo: R$ 85 (potencial de 26,11%)
Banco elevou a recomendação para compra ao enxergar ganho de eficiência, expansão de margens e dividend yield em torno de 8%, mesmo no caso de um cenário de crescimento mais moderado das vendas
No começo das negociações, os papéis tinham a maior alta do Ibovespa. A prévia operacional do quarto trimestre mostra geração de caixa acima do esperado pelo BTG, desempenho sólido no Brasil e avanços operacionais, enquanto a trajetória da Resia segue como principal desafio para a companhia
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