Petrobras e outras 18 empresas do Ibovespa divulgam balanços nesta semana; veja o que esperar
Depois da decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras, os holofotes do mercado devem se voltar para o balanço da estatal
A temporada de balanços das empresas cujas ações fazem parte do Ibovespa chega ao ápice nesta semana. Serão 18 companhias do principal índice da B3 divulgando seus números, incluindo pesos-pesados como Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Weg (WEGE3).
Mas depois da decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras (PETR4) em meio à ameaça de intervenção na política de preços dos combustíveis, os holofotes do mercado devem se voltar para o balanço da estatal, previsto para sair na quarta-feira (24) à noite.
Turbulências políticas à parte, os dados do último trimestre de 2020 devem apontar para uma reação das empresas à pandemia de covid-19 e reverberar o baque de um ano cheio de turbulências. Confira a seguir o que esperar para cada uma delas a seguir e a agenda completa de divulgação no final desta matéria.
Petrobras: no olho do furacão
A Petrobras divulga os resultados do quarto trimestre e de 2020 no olho do furacão da troca de comando determinada pelo governo. Bolsonaro indicou o general e ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna para assumir a presidência da estatal no lugar de Roberto Castello Branco.
A independência da estatal para determinar o preço dos combustíveis já vinha sendo questionada pelo mercado. A estatal mudou os critérios para o a definição dos preços dos combustíveis no ano passado, mas isso só chegou ao conhecimento do investidor neste ano.
Os resultados do quarto trimestre da Petrobras, contudo, não devem refletir a crise aberta com a ameaça de invervenção. A empresa registrou prejuízo de R$ 1,546 bilhão no terceiro trimestre, mas deve sentir os impactos positivos da retomada da economia global e uma maior procura pelo petróleo nos próximos meses.
Leia Também
O preço da commodity tem apontado para uma alta nos últimos meses, mas o resultado da empresa ainda deve vir afetado pela pandemia.
Confira a média das projeções dos analistas para as principais linhas do balanço do quarto trimestre, que será divulgado na quarta-feira (24), após o fechamento do mercado:
- Lucro líquido: R$ 4,860 bilhões (↓)
- Ebitda: R$ 30,121 bilhões (↓)
- Receita líquida: R$ 73,996 bilhões (↓)
Vale: de carona com o minério
Em grande momento, a Vale divulga os resultados na quinta-feira (25) à noite, mas a previsão é que o lucro da mineradora desacelere em relação aos R$ 15,6 bilhões do terceiro trimestre de 2020.
Apesar do resultado menor se compararmos com o mesmo período de 2019, ainda é bem melhor que o prejuízo de R$ 1,562 bilhões, quando a Vale ainda contabilizava os prejuízos com a tragédia de Brumadinho.
O resultado da empresa é puxado pela disparada das cotações do minério de ferro com a perspectiva de retomada da economia mundial — e em particular da China. Na bolsa de Dalian, o preço da commodity já avançou quase 14% só neste ano.
No início da pandemia no Brasil, em março do ano passado, o valor do minério chegou a saltar 24% em um mês por medo de escassez no mercado mundial.
Tudo isso ajuda, mas a empresa ainda precisa provar que avançou na agenda ESG (sigla em inglês para agregar questões envolvendo governança ambiental, social e corporativa) após o rompimento das barragens em Brumadinho e Mariana.
A melhoria da nota da empresa nesse quesito pela Moody’s e o acordo com o estado de Minas foram ações bem vistas pelas casas de análise. Veja a seguir as projeções para o balanço, de acordo com dados da Bloomberg:
- Lucro líquido: R$ 4,667 bilhões (↑)
- Ebitda: R$ 7,778 bilhões (↑)
- Receita líquida: R$ 12,679 bilhões (↑)
Weg: vem nova surpresa por aí?
Apontada como a "empresa à prova de crises" após os ótimos resultados obtidos em plena pandemia, a Weg deve honrar a reputação no balanço do quarto trimestre, previsto para sair quarta-feira (24).
Enquanto a maioria das companhias ainda sentia os efeitos da covid-19 nos resultados, a fabricante de equipamentos para a indústria surpreendeu o mercado ao registrar uma alta de 54% no lucro do terceiro trimestre.
A empresa também seguiu com o plano de aquisições. Em dezembro, concluiu a compra de uma fábrica de transformadores da Transformadores e Serviços de Energia das Américas S.A. (TSEA), localizada em Betim (MG). Confira as estimativas para o resultado:
- Lucro líquido: R$ 539 milhões (↑)
- Ebitda: R$ 771 milhões (↑)
- Receita líquida: R$ 4,697 bilhões (↑)
CSN: diminuindo o peso da dívida
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) divulga o balanço do quarto trimestre e de 2020 hoje à noite com o caixa reforçado depois da abertura de capital de sua unidade de mineração.
O dinheiro recebido com a venda de parte de suas ações na subsidiária ainda não vai aparecer no resultado do quarto trimestre. Mas o mercado já considera a redução no nível de endividamento, uma das sombras que pairaram sobre a CSN nos últimos anos.
No segundo trimestre de 2020, a relação entre dívida líquida e Ebitda (o lucro antes de juros, impostos, dívida e amortização) da companhia estava em 5,2 vezes. Mas a forte geração de caixa permitiu que a empresa diminuísse sua alavancagem, que caiu para 3,67 vezes a dívida líquida sobre Ebitda.
Além da valorização do minério de ferro, o reaquecimento da demanda chinesa após a pior fase da pandemia no país asiático, a demanda por aço e cimento puxaram os números da siderúrgica.
- Lucro líquido: R$ 1,398 bilhão (↓)
- Ebitda: R$ 4,350 bilhões (↑)
- Receita líquida: R$ 9,031 bilhões (↑)
Confira o calendário completo de balanços das empresas do Ibovespa programados para esta semana:
Segunda-feira (22)
- CSN (CSNA3): após o fechamento
- Itaúsa (ITSA4): após o fechamento
Quarta-feira (24)
- Gerdau (GGBR4): antes da abertura
- Metalúrgica Gerdau (GOAU4): antes da abertura
- Telefônica Brasil SA (VIVT3): antes da abertura
- Weg (WEGE3): antes da abertura
- Sul America SA (SULA11): após o fechamento
- Ultrapar Participações SA (UGPA3): após o fechamento
- Via Varejo S/A (VVAR3): após o fechamento
- Petrobras (PETR4): após o fechamento
Quinta-feira (25)
- Ambev SA (ABEV3): antes da abertura
- Gol Linhas Aéreas (GOLL4): antes da abertura
- Minerva (BEEF3): após o fechamento
- BRF (BRFS3): após o fechamento
- Notre Dame Intermédica (GNDI3): após o fechamento
- Fleury SA (FLRY3): após o fechamento
- EcoRodovias (ECOR3): após o fechamento
- Vale (VALE3): após o fechamento
- Localiza (RENT3): após o fechamento
Sexta-feira (26)
- Hypera (HYPE3): após o fechamento
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
