Não é Auren (AURE3) nem Engie (EGIE3): a elétrica favorita do Santander pode pagar dividendos de até 24%
Os analistas destacam que a ação preferida no setor elétrico do banco tem um caixa robusto, que pode se traduzir em dividendos extras para os acionistas

Um setor queridinho dos investidores interessados em dividendos é o elétrico. Devido aos contratos de longo prazo, essas empresas costumam ter maior previsibilidade de resultados e são conhecidas pelo pagamento de renda extra para os acionistas. Dentre os papéis do segmento, o Santander deu o veredito de qual é a favorita.
Quem ocupa o pódio do banco no setor elétrico é a Axia Energia (AXIA6), ex-Eletrobras. Desde o início do ano, a ação tem ocupado os holofotes e acumula valorização de 24% em 2026. A título de comparação, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem alta de 17,1% no mesmo período.
A empresa tem colhido os frutos de uma longa transformação, que ocorre desde a sua privatização, em 2022.
Além da troca de nome e de ticker, o processo incluiu uma reestruturação de capital, com a redução de endividamento e de estruturas, revisão de contratos, corte de custos e venda de ativos considerados não essenciais.
Segundo o Santander, a empresa tem exposição relevante a ativos hidrelétricos não contratados, o que funciona como um belo diferencial para diminuir custos. Como cereja do bolo, o banco destaca ainda o caixa robusto, que pode se traduzir em distribuição adicional aos acionistas.
As estimativas apontam para um rendimento extra de dividendos de 23,9% entre 2026 e 2028.
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O banco também recomenda compra das ações preferenciais classe C (AXIA7), que negociam com desconto de 3,7% em relação às ordinárias (AXIA3).
O Santander elevou o preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 68,92 no caso de AXIA6, um potencial de alta de 5,8% em relação à cotação da última quinta-feira (2).
Para os papéis AXIA3 e AXIA7, os analistas indicam preço-alvo de R$ 62,66, espaço para valorização de 5,7% e 9,3%, respectivamente.
Cabe ressaltar que a Axia foi destacada como a ação do mês no ranking do Seu Dinheiro. Três das 10 corretoras consultadas recomendaram a compra do papel em abril.
Outro fator que tem chamado a atenção do mercado é que a Axia se prepara para dar um novo passo que promete fortalecê-la ainda mais: a migração para o Novo Mercado da B3, segmento com regras mais rígidas de governança corporativa.
Auren: endividamento é calcanhar de Aquiles
Se a Axia é destaque positivo, o mesmo não se pode dizer das demais geradoras. O Santander manteve recomendação neutra para a Auren (AURE3), com preço-alvo de R$ 13,47, potencial de valorização de 7,1% em relação ao fechamento de quinta (2).
Os analistas reconhecem o histórico operacional sólido da companhia, evidenciado pela integração bem-sucedida da AES Brasil, além do benefício trazido pelo atual ciclo de alta dos preços de energia.
Por outro lado, a empresa enfrenta um nível elevado de endividamento, pressionado tanto pela inflação quanto pelos juros elevados.
“Além disso, observamos incerteza relevante em relação aos impactos de curto e médio prazo de um eventual racionamento de energia, o que limita o potencial de valorização nos níveis atuais”, destaca o banco.
Engie: banco eleva recomendação, mas ainda tem cautela
Para a Engie Brasil (EGIE3), o Santander elevou a recomendação de venda para neutra, com preço-alvo de R$ 33,64 — espaço para uma tímida valorização de 1% com base no patamar do último fechamento, de R$ 33,28.
A mudança reflete a decisão da companhia de adotar a distribuição de juros sobre capital próprio de forma recorrente, além dos efeitos do leilão de capacidade e da atualização da curva de preços de energia.
Ainda assim, o banco avalia que a empresa segue exposta a riscos como redução de produção, modulação e diferenças entre submercados, enquanto avança em um amplo portfólio de novos projetos.
“Esperamos que isso resulte em aumento da alavancagem — com a relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) atingindo pico de 3,7x em 2026 — e dividendos mais modestos, com rendimento médio estimado em 6,1% entre 2026 e 2028”, afirma o Santander.
*Com informações do Money Times
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