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HORA DE INVESTIR

‘Ações não são o patinho feio’. Gestores estão otimistas com os ganhos do Ibovespa mesmo diante da guerra e das eleições

Em evento do Bradesco BBI, especialistas afirmaram esperar a retomada do apetite dos estrangeiros e a continuidade da queda dos juros para destravar mais valor da Bolsa

André Lion, sócio e gestor de ações da Ibiuna Investimentos, fala sobre aposta no Bradesco (BBDC4)
André Lion, sócio e gestor de ações da Ibiuna Investimentos, foi um dos convidados do evento do BradescoImagem: Reprodução

Nem guerra, nem eleições devem abalar as ações brasileiras. Volatilidade, sim. Perder atratividade, não. Pelo menos é esta a posição de gestores de fundos de ações neste momento. Para alguns deles, o Ibovespa ainda está descontado e há muito espaço para ganhos nos próximos meses.

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No 12º Fórum de Investimentos do Bradesco BBI, Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, afirmou que o investidor local peca no pessimismo com os ativos brasileiros.

“O [investidor] local está sempre em busca dos astros alinhados, do momento exato para entrar na Bolsa, mas não é assim que funciona”, afirmou a gestora. Para ela, sempre há espaço para posição em ações, o que muda de tempos em tempos é o tamanho dessa exposição.

Delfim defendeu no painel de fundos de ações que o Brasil está bem em relação a pares. Mesmo com os juros altos, as empresas estão se mostrando resilientes e conseguindo aumentar o lucro.

Até mesmo a questão da dívida pública, que é um tópico sempre presente entre os agentes financeiros, foi relativizado pela gestora. Ela afirmou que o endividamento público é um problema global, não exclusivo do Brasil.

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“Mesmo com a guerra, nosso país exporta petróleo e não está tão exposto”, afirmou.

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Para Delfim, o histórico do Ibovespa nos últimos anos fala por si. No acumulado dos últimos três anos (2023, 2024, 2025 e 2026 parcial), a Bolsa pagou mais do que o CDI — indicador que acompanha os juros e é benchmark para investimentos no país. O Ibovespa entregou 71,3% enquanto o CDI pagou 48,4%.

“A Bolsa não é sempre o patinho feio. Tem oportunidade. Você tem que estar posicionado, obviamente, com seletividade”, afirmou.

Freios para o Ibovespa?

No começo deste ano, o Ibovespa passou por um rali protagonizado por investidores estrangeiros que levou o índice de ações a superar os 200 mil pontos — um recorde bastante significativo.

Para os próximos meses, André Lion, sócio e gestor da Ibiuna Investimentos, espera a continuidade desse movimento dos estrangeiros, ainda que em menor volume.

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Neste momento, o fluxo perdeu tração diante da aversão ao risco gerada pela guerra no Oriente Médio. No entanto, o gestor destaca como o estrangeiro não se prende ao juro local e nem à preocupação com a dívida pública.

A grande questão nesse momento é até quando a guerra vai durar e se serão realizados acordos.

“Tudo está completamente em aberto. O que a gente sabe é que o preço de energia subiu no mundo inteiro. Então, hoje, a discussão que a gente tem é sobre preço de energia e juros”, afirmou Lion.

Para ele e os demais gestores, a queda dos juros é um gatilho importante para os investidores locais, enquanto a guerra é importante para a retomada dos investidores estrangeiros.

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Nesta terça (7) acaba o prazo que os Estados Unidos deram ao Irã para firmar um acordo de cessar-fogo. Em uma postagem nas redes sociais, o presidente Donald Trump afirmou que “uma civilização inteira morrerá” caso Teerã não aceite as propostas norte-americanas.

Do outro lado, a Guarda Revolucionária do Irã respondeu dizendo que um ataque relâmpago do Irã “remodelaria o planeta”, e acrescentou: “não teste a paciência que se tornou um furacão”.

Para André Caldas, sócio e gestor na Springs Capital, a disputa retórica é apenas ruído. O fato de o Irã já ter indicado que tem condições para um acordo indica que o país está disposto a negociar. O gestor vê o copo meio cheio e não acredita que a guerra se estenderá por mais de três meses.

Enquanto isso, a expectativa é de continuidade da queda dos juros. No entanto, apenas com uma resolução da guerra será possível ter mais clareza de até onde o Banco Central conseguirá ir.

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Onde investir

Não são todas as ações e nem todos os setores que merecem espaço na carteira de investimentos. Embora as empresas estejam se mostrando resilientes, o ambiente ainda é de incerteza e volatilidade.

De modo geral, todos os gestores estão olhando para um setor: energia.

“No começo do ano estávamos falando em petróleo a US$ 60, a US$ 50. Agora, a discussão é em torno de US$ 80 a US$ 90. A gente já aumentou o investimento no setor de energia como um todo”, afirmou Lion.

Caldas também vê oportunidade nos títulos públicos indexados à inflação. No Tesouro Direto, é o Tesouro IPCA+, enquanto no jargão financeiro são as NTN-Bs.

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Para ele, o prêmio desses títulos está muito alto por causa dos juros e da discussão sobre as contas públicas. No entanto, a expectativa atual é de queda dos juros e de mudança política nas eleições presidenciais.

“A grande oportunidade do momento são as NTN-Bs. A assimetria futura é de fechamento da taxa e isso vai refletir na Bolsa também, porque é muito upside”, disse.

Rodrigo Santoro, diretor de equities da Bradesco Asset Management, disse que a casa está posicionada em ações com bons balanços, mas que podem se beneficiar de juros menores. Além disso, a posição em caixa ainda é alta, diante da volatilidade maior dos últimos tempos.

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