Maior alta do Ibovespa na semana: Natura (NATU3) salta 12% com “selo” de gigante global. Vem mais por aí?
Os papéis da companhia encerraram a semana a R$ 10,35 após o anúncio da Advent International sobre a compra de papéis da Natura; veja o que mais mexeu com as ações e o que esperar

As ações da Natura (NATU3) foram o grande destaque positivo do Ibovespa nesta semana. Os papéis encerram a ultima quinta-feira (2) com uma alta acumulada de mais de 12% desde segunda, negociados a R$ 10,35.
A alta veio na esteira do anúncio de que a Advent International — uma das maiores e mais experientes gestoras globais de private equity — irá comprar entre 8% e 10% das ações no mercado, por um preço-alvo médio de R$ 9,75, em até seis meses.
O investimento da Advent será feito no mercado secundário e equivale a entre 109,964 milhões de ações, no mínimo (8%), e 137,456 milhões, no máximo (10%). A companhia também anunciou um novo acordo de acionistas, com duração de dez anos, e a migração dos fundadores para um conselho consultivo.
A reação do mercado foi positiva. O Bank of America (BofA), por exemplo, elevou a recomendação para as ações da Natura de neutra para compra e aumentou o preço-alvo em R$ 5. O banco projeta NATU3 a R$ 14 no final deste ano, o que representa um potencial de valorização de 35,3% sobre o preço de fechamento da última quinta-feira (2). O preço-alvo anterior era de R$ 9.
Ontem (2), o Citi também elevou o preço-alvo das ações. O banco projeta NATU3 a R$ 12 em dezembro. O preço-alvo anterior era de R$ 11,30. Os analistas mantiveram a recomendação neutra, com classificação de alto risco.
Hora de comprar as ações da Natura?
Para o Citi, a ação da Natura “claramente respondeu bem” ao processo contínuo de simplificação da companhia e à perspectiva de um novo acionista estratégico, a Advent. A NATU3 acumula valorização de mais de 40% desde janeiro, contra alta de 17% do Ibovespa no período.
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Após o forte avanço, os analistas veem uma relação de risco e retorno mais equilibrada. O banco, porém, mantém uma postura mais cautelosa.
“Natura continua enfrentando limitações de crescimento, e permanecemos cautelosos quanto ao potencial real de expansão da Avon — a própria gestão reconheceu que novos investimentos na marca dependerão da resposta do consumidor”, escreveram João Pedro Soares e Felipe Husein, em relatório.
Já a equipe de analistas do BofA considera que as ações da varejista ainda são negociadas com desconto em relação aos pares globais, à medida que o mercado antecipa maior probabilidade de mudanças operacionais adicionais, disciplina de custos e reinvestimento na marca.
Para o futuro, o banco espera que as mudanças no conselho reorientem os objetivos para uma maior responsabilização baseada na execução.
“Identificamos um potencial adicional significativo na estrutura de custos e na execução e esperamos que a Natura avalie de forma mais sistemática sua marca, organização, estratégias de go-to-market, precificação e estrutura de canais, saindo de segmentos mais comoditizados e melhorando a arquitetura de preços, a coesão dos canais e as sinergias”, escreveram os analistas Robert Aguilar, Gustavo Fratini, Melissa Byun e Wellington Santana, em relatório.
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