Tombo de quase 80%: Fictor Alimentos (FICT3) vira ação de centavos e recebe alerta da B3
A Fictor Alimentos recebeu correspondência da B3 por negociar suas ações abaixo de R$ 1, condição conhecida como penny stock. A empresa busca solucionar o caso com um grupamento

No meio de uma crise que já derrubou em quase 80% o valor de suas ações, a Fictor Alimentos (FICT3) anunciou que recebeu correspondência da B3 por negociar suas ações abaixo de R$1, condição conhecida no mercado financeiro como penny stock.
Segundo o comunicado divulgado ao mercado, a companhia está desenquadrada dessa regra da operadora da bolsa desde 2 de fevereiro. Com isso, a B3 determinou que a empresa regularize a situação até o dia 18 de setembro de 2026.
No último fechamento, por exemplo, as ações FICT3 fecharam o pregão cotadas a R$ 0,43, com alta de 4,88%.
Grupamento no radar
Para resolver o problema, a Fictor informou que pretende propor um grupamento de suas ações. A medida, porém, ainda será encaminhada ao conselho de administração e, posteriormente, submetida à aprovação em assembleia de acionistas.
O grupamento é uma prática comum nesses casos e consiste em reduzir a quantidade de papéis em circulação, elevando o preço unitário das ações.
A crise na Fictor Alimentos
A Fictor Alimentos, braço operacional da holding Fictor, acabou sendo arrastada para a crise após o pedido de recuperação judicial da controladora no início de fevereiro. Inicialmente fora do processo, a companhia acabou aderindo à proteção contra credores pouco depois, juntando-se às demais empresas do grupo.
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Com o envolvimento na RJ, a companhia enfrenta um problema essencial: ela não tem ativos imobilizados próprios, apenas arrendamentos.
Ou seja, as plantas industriais onde a empresa produz as carnes (e são o ganha-pão da companhia) não são dela, mas ativos “alugados” de outras companhias — no caso, da Mellore Alimentos, que também está em recuperação judicial.
Essas informações estão disponíveis no balanço da companhia do terceiro trimestre de 2025, o mais recente divulgado, e desde então não existem informações sobre nenhuma aquisição imobiliária.
O problema disso é: a empresa só consegue produzir enquanto mantém o direito de uso das plantas industriais. Esse modelo, que em condições normais pode funcionar, se torna especialmente frágil quando o grupo entra em crise e a situação passa a ser analisada pela Justiça.
Caso a Justiça entenda que a empresa não teria capacidade de honrar esses pagamentos, poderia autorizar a rescisão dos contratos de arrendamento.
Se isso ocorrer, o impacto é imediato: sem os contratos, a Fictor Alimentos perde o acesso aos frigoríficos, deixa de produzir, não gera receita e, na prática, deixa de ter um negócio operacional.
Entenda mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
*Com informações Money Times
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