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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO

BC mais brando e novo ‘pacote Biden’ deram o que falar — com inflação em foco, dólar se firma em R$ 4,90 e Ibovespa volta aos 129 mil pontos

A moeda americana registrou o quarto dia consecutivo de queda, com a pressão do pacote de infraestrutura dos EUA e a melhora do cenário local. No mercado de juros, os investidores reduziram as apostas em uma alta agressiva da Selic na próxima reunião

Jasmine Olga
Jasmine Olga
24 de junho de 2021
18:41 - atualizado às 19:48
Dólar em queda
Imagem: Shutterstock

O dia começou com o foco nos dirigentes dos principais bancos centrais do mundo e terminou com a celebração de um acordo para colocar em prática o pacote de infraestrutura proposto pelo governo Biden, mas a preocupação seguiu sendo uma só: inflação. 

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Foram meses de intensa negociação e muitos embates, mas Joe Biden finalmente conseguiu o apoio de republicanos e democratas para o seu plano ambicioso. Para isso, foi preciso fazer algumas concessões, que acabaram reduzindo o valor total do pacote para US$ 1,2 trilhão. 

A novidade impulsionou as bolsas americanas para novas máximas, depois de um dia marcado por dados mistos da economia e novos discursos divergentes de membros do Fed sobre o futuro da política monetária do país - o Nasdaq subiu 0,69%, o Dow Jones teve alta de 0,95% e o S&P 500 avançou 0,58%. Mas também deve aquecer a discussão a intensidade da pressão inflacionária, já que o objetivo maior do projeto de Biden é criar empregos e acelerar a retomada da economia. O impacto pôde ser sentido no câmbio. 

Esse foi o roteiro seguido pelo mercado na parte da tarde. Pela manhã, foi a inflação brasileira que roubou a atenção dos investidores locais, com o Banco Central brasileiro sob os holofotes. O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado hoje, trouxe um discurso mais ameno do que o visto na ata da reunião do Copom apresentada no começo da semana. Além das projeções mais otimistas para a economia, o documento também impactou a percepção sobre o futuro da taxa de juros.  

A primeira reação foi um desmonte das posições que apostavam em uma atuação agressiva do BC, acima dos 0,75 ponto percentual já sinalizado. O reflexo disso foi um alívio no câmbio, na bolsa e nos juros - com o pacote Biden vindo coroar o dia de recuperação. 

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O dólar à vista seguiu testando as mínimas em mais de um ano e registrou o quarto dia consecutivo de queda. De olho na inflação americana e na melhora do cenário interno, a moeda americana terminou o dia cotada a R$ 4,9049, um recuo de 1,17%.

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O pacote de infraestrutura americano serviu de combustível para que o setor ligado às commodities metálicas subisse forte no pregão desta quinta-feira, mesmo com o recuo do minério de ferro no mercado internacional. O resultado foi uma alta de 0,85% do Ibovespa, aos 129.513 pontos.

A cereja do bolo

O que tem chamado a atenção (e preocupado) é o movimento do mercado de juros. Nos Estados Unidos, o vai e vem segue se pautando nos discursos dos membros do Fed e nos números da economia. Tanto os dados quanto as falas dos dirigentes seguem trazendo sinais mistos ao mercado.

Pela manhã, o Produto Interno Bruto dos EUA no 1º trimestre teve alta anualizada de 6,4%, em linha com as expectativas dos analistas. As encomendas de bens duráveis cresceram menos do que os 2,6% que eram esperados - 2,3% na passagem de abril para maio. Para finalizar, os pedidos semanais de auxílio-desemprego chegaram a 411 mil. As projeções indicavam uma queda mais acentuada, para 380 mil. 

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No Brasil, quem deu o tom foi o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central. No documento, o BC brasileiro reforçou uma nova alta de pelo menos 0,75 ponto percentual na reunião de agosto e revisou para cima as projeções de inflação.

A expectativa para o crescimento do PIB também foi elevada de 3,6% para 4,6%. Na coletiva de imprensa, o diretor de política monetária do BC, Fabio Kanczuk, e o presidente Roberto Campos Neto, falaram mais sobre a visão do Banco Central para a inflação. 

Segundo Kanczuk, a última reunião do Copom teve como horizonte a inflação para 2022, e o próximo encontro deve ficar de olho nas projeções para 2023. Sobre o atual choque de preços, Campos Neto afirmou que as causas são temporárias, mas que o movimento pode ter uma duração mais persistente.

A leitura do mercado foi de que o discurso mais ameno mostrado hoje reduz as apostas de uma atuação mais forte do que 1 ponto percentual na próxima reunião. Por isso, a curva de juros passou por ajustes, principalmente nos DIs mais curtos.

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  • Janeiro/22: de 5,77% para 5,72%
  • Janeiro/23: de 7,31% para 7,22%
  • Janeiro/25: de 8,25% para 8,15%
  • Janeiro/27: de 8,63% para 8,53%

Agora vai?

Com as eleições de 2022 ameaçando travar as pautas mais polêmicas do governo, a equipe econômica corre contra o relógio para tentar emplacar as reformas.

As últimas novidades agradaram o mercado. Pela manhã, Arthur Lira, falou que acredita que a reforma administrativa pode ser aprovada na Casa até o começo de setembro. A partir daí, a pauta deve ser discutida no Senado.

Já a reforma tributária deve ganhar um novo capítulo amanhã (anote na agenda). O Ministério da Economia irá apresentar o projeto de lei que altera o imposto de renda para pessoas físicas, jurídicas e investimentos.

Sobe e desce

A JHSF liderou as altas do dia após receber autorização para operar voos internacionais no seu aeroporto São Paulo Catarina, em São Roque (SP).

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A perspectiva de uma Selic mais controlada também favoreceu o setor de varejo, que vinha sendo penalizado nos últimos dias com a perspectiva de um freio no poder de compra.

O setor de commodities foi outra surpresa positiva, pegando carona no anúncio do novo pacote bipartidário de infraestrutura dos Estados Unidos, mesmo com o recuo do minério de ferro na China. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
JHSF3JHSF ONR$ 7,825,96%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 21,685,35%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 22,374,44%
EQTL3Equatorial ONR$ 25,394,06%
CSNA3CSN ONR$ 44,603,31%

Na parte de baixo da tabela, tivemos um predomínio de uma aparente realização de lucros recentes. Confira também as maiores quedas:

CÓDIGONOMEULTVAR
BIDI11Banco Inter unitR$ 69,20-3,45%
LWSA3Locaweb ONR$ 27,03-2,63%
ELET3Eletrobras ONR$ 45,85-1,40%
AZUL4Azul PNR$ 46,86-1,35%
BBSE3BB Seguridade ONR$ 24,40-1,21%

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