IRB encontra fraude de R$ 60 milhões em bônus e responsável por boato sobre venda a Warren Buffett
'Fake news' envolvendo uma suposta compra dos papéis da companhia por parte da Berkshire levou a uma desvalorização de 70% da empresa na bolsa neste ano; companhia já tinha números questionados por gestora

O grupo ressegurador IRB Brasil informou nesta sexta-feira (26) ter identificado os responsáveis pelos boatos de uma suposta venda de ações da companhia para a Berkshire Hathaway, holding que concentra os investimentos de Warren Buffett.
O grupo responsável teria atuado de forma individual e "fora de seus mandatos e de seus poderes regulares de gestão". A empresa não revelou os nomes.
O IRB também relata ter encontrado uma fraude de R$ 60 milhões no pagamento de supostos bônus a um ex-diretor e outros colaboradores da empresa e suas controladas.
Segundo a companhia, em fevereiro e março de 2020 foram realizadas operações de recompra de ações que ultrapassaram as quantidades autorizadas pelo conselho de administração em 2.850.000 papéis.
"Os responsáveis primários já identificados por todas estas irregularidades apuradas não integram mais os quadros da companhia", informa o IRB.
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A companhia apresentou as conclusões das apurações ao Ministério Público Federal, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Entenda o caso
A investigação envolvendo a Berkshire foi feita pela KPMG Assessores Ltda. e Felsberg Advogados, após uma notícia falsa que passou a circular no final de fevereiro de que a holding teria aumentado a participação acionária no IRB.
A direção do IRB naquela época, em um primeiro momento, não negou a informação e, na avaliação do mercado, teria corroborado para a propagação dos rumores ao indicar para o conselho fiscal a advogada Márcia Cicarelli, procuradora da holding no país.
A Bershire teve de vir a publico negar o boato. O caso levou dois dos principais executivos do IRB a anunciarem a renúncia aos cargos, no início de março. No desenrolar do caso, os papéis da companhia subiram e desceram.
A "fake news" surgiu em um momento que a empresa passava por uma forte desvalorização na Bolsa, após a gestora carioca Squadra acusar a companhia de turbinar os resultados com efeitos que não devem se repetir nos próximos balanços.
O IRB negou a informação e publicou o balanço do quarto trimestre com o laudo de uma segunda auditoria específica para os dados atuariais, feito pela Ernst & Young (EY), além do trabalho já feito pela PwC.
A medida não foi suficiente para eliminar as dúvidas do mercado, que penalizou ainda mais a empresa após o boato envolvendo a holding de Buffett.
Ontem, os papéis do IRB eram negociados com um desconto de 70% em relação ao final do ano passado, cotados a R$ 11,25. A empresa divulga o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2020 na próxima segunda-feira (29).
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