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2020-07-31T20:08:20-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Não é inédito

Guide rebate XP e diz que já adota seu novo modelo de remuneração de agentes autônomos

Segundo a concorrente da XP, ao contrário do que a corretora afirmou, modelo não é inédito no Brasil, pois a própria Guide já oferece as duas opções – comissionamento ou taxa fixa com devolução de rebate – para o cliente escolher.

31 de julho de 2020
20:08
Investimento em ações em mesa de operações de corretora de valores
Imagem: Shutterstock

A corretora Guide rebateu a afirmação da XP Investimentos de que sua nova proposta de remuneração de agentes autônomos, anunciada na manhã desta sexta (31), seria inédita.

A Guide diz que já oferece as duas modalidades que a XP disse que passará a adotar a partir de setembro: o modelo tradicional, em que o assessor recebe uma comissão (rebate) por cada produto no qual o cliente investe, e o modelo de cobrança de um percentual fixo sobre o valor dos ativos sob custódia do cliente, independentemente dos produtos.

A corretora, que tem 400 agentes autônomos e R$ 24 bilhões sob custódia, afirma inclusive que o cliente pode optar entre uma modalidade ou outra e que, se escolher a segunda, recebe de volta o rebate que seria pago por cada produto - mesma proposta anunciada hoje pela XP.

No caso da Guide, o percentual fixo sobre o patrimônio pode variar de 0,3% ao ano a 1,0% ao ano, enquanto na XP esse valor vai variar de 0,5% ao ano a 1,0% ao ano.

Na manhã de hoje, o sócio-fundador da XP, Guilherme Benchimol, afirmou, em texto publicado no LinkedIn, que "pela primeira vez no Brasil, além do modelo de comissionamento por produto, todo tipo de cliente poderá agora escolher por pagar um percentual fixo pelos serviços prestados, recebendo de volta, em contrapartida, o valor da comissão que iria para o seu assessor." O suposto ineditismo da medida também foi ressaltado no comunicado da corretora à imprensa.

Lembrando que a cobrança de taxa fixa pelo valor investido já é feita pelas fintechs que atuam como robô advisor, isto é, que montam carteiras a partir de algoritmos de acordo com o perfil do cliente pessoa física, sem necessariamente ter a intermediação de um agente autônomo ou consultor humano de qualquer tipo.

Transparência nas taxas cobradas

Outra medida anunciada pela XP e que também seria inédita, segundo a corretora, foi a transparência em relação aos rebates pagos aos agentes autônomos em cada produto, no modelo de comissionamento.

Essa divulgação de fato ainda não é adotada pela Guide, que no entanto disse que "tem um debate em curso junto aos órgãos regulatórios (Anbima e CVM) para decidirem como será feita essa abertura de maneira transparente".

O anúncio da XP vem na esteira de uma série de polêmicas e questionamentos feitos ao modelo de remuneração dos seus agentes autônomos. A corretora, que sempre acusou os bancões de conflito de interesses na hora de indicar investimentos, passou a ter seu modelo questionado por um desses rivais, o Itaú.

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