Despesa de grandes bancos com provisões para calotes supera o lucro no trimestre
Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil contabilizaram um total de R$ 25,8 bilhões em provisões, ante um lucro de R$ 14,7 bilhões. A grande dúvida dos investidores agora é se o baque vai continuar nos balanços seguintes

Em meio à crise do coronavírus, as despesas dos grandes bancos com provisões para calotes no crédito superou (e muito) o lucro líquido no primeiro trimestre deste ano.
Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil contabilizaram um total de R$ 25,8 bilhões em provisões, o que representa um aumento de 88% em relação ao três primeiros meses de 2019.
Enquanto isso, o lucro dos bancões registrou uma rara queda de 28,5% e somou R$ 14,7 bilhões no trimestre. Sem dúvida uma má notícia para tem ações desses bancos.
Para quem não é acionista, fica um alerta: quando o lucro dos bancos cai, o prognóstico para o resto da economia costuma ser bem mais complicado.
A grande dúvida dos investidores agora é se o baque do primeiro trimestre vai continuar nos balanços seguintes. A resposta provavelmente é sim, mas a intensidade vai variar de banco para banco, e a seguir eu digo por quê.
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O mais rentável (por um trimestre?)
Os bancos são obrigados pela regulação a reservar uma parcela de dinheiro para proteger o balanço de calotes no crédito de acordo com a faixa de atraso.
Os balanços em geral ainda não mostraram aumento da inadimplência, mas as instituições financeiras decidiram se antecipar à recessão econômica nos próximos meses.
Dos quatro grandes, apenas o Santander decidiu não fazer provisões extras para o coronavírus. Em teleconferência com analistas, Angel Santodomingo, vice-presidente executivo do banco, disse estar "confortável" com as reservas que possui hoje para lidar com a crise.
O Santander também foi o único a ter aumento no lucro e, com isso, desbancou o Itaú como o mais rentável entre os grandes bancos. Mas é provável que esse título dure apenas um trimestre e que a conta para o banco espanhol venha já no próximo balanço.
No dia da divulgação do resultado, as ações do Santander dispararam na bolsa. Mas os papéis devolveram os ganhos nos pregões seguintes quando os outros bancos mostraram um cenário bem diferente.

Mais preparado
O Itaú foi quem fez a maior provisão para o coronavírus. O banco teve uma despesa total de R$ 10 bilhões para proteger o balanço de calotes no crédito no primeiro trimestre, um aumento de 165%. Desse total, R$ 4,3 bilhões foram reflexo do "efeito coronavírus".
Na teleconferência com a imprensa, da qual eu participei, o presidente do Itaú, Candido Bracher, não descartou a possibilidade de fazer mais provisões nos próximos balanços e falou que o momento exige generosidade do banco.
A avaliação da maior parte dos investidores e analistas, porém, é que o maior banco privado brasileiro é o mais preparado para segurar o rojão do coronavírus.
Vai piorar
O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, fez um prognóstico ainda mais negativo e disse que a crise atual pode levar a inadimplência a níveis maiores que em recessões passadas.
Isso significa que o Bradesco provavelmente terá de fazer mais provisões nos próximos balanços além dos R$ 2,7 bilhões extras do primeiro trimestre (R$ 6,7 bilhões no total).
O banco também foi o único a mostrar um aumento mais representativo da inadimplência já no resultado dos três primeiros meses do ano.
O Banco do Brasil encerrou a temporada de resultados dos grandes bancos com uma queda de 20% no lucro e R$ 2 bilhões em provisões para o coronavírus (R$ 5,5 bilhões no total).
A primeira leitura do resultado é positiva, segundo os analistas do BTG Pactual. Ao contrário dos concorrentes privados, o BB conseguiu manter o nível de capital apesar do lucro menor destacaram os analistas.
Por outro lado, o banco pode ter de reforçar ainda mais as provisões nos balanços seguintes, dependendo de como a economia vai reagir na fase pós-quarentena.
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