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2020-05-04T20:08:30-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Efeito coronavírus

Itaú faz provisão de R$ 10 bilhões e lucro cai 43% no primeiro trimestre

O maior banco privado brasileiro registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,912 bilhões e rentabilidade de 12,8%, bem abaixo das projeções dos analistas

4 de maio de 2020
19:48 - atualizado às 20:08
Banco Itaú
Imagem: Estadão Conteúdo / Itaci Batista

Uma provisão para perdas com crédito da ordem de R$ 10 bilhões diante dos impactos esperados da crise do coronavírus derrubou o resultado do Itaú Unibanco no primeiro trimestre deste ano.

O maior banco privado brasileiro registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,912 bilhões, o que representa uma queda de 43,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado ficou bem abaixo da projeção média dos analistas, que apontava para um lucro de R$ 5,965 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.

O forte aumento das provisões segue a linha adotada pelo Bradesco, que divulgou o balanço na semana passada também queda no lucro.

Já o Santander Brasil destoou dos principais concorrentes privados ao registrar um lucro maior e não fazer provisões específicas para o aumento da inadimplência previsto com o coronavírus. Quem está certo?

A queda no lucro derrubou junto a rentabilidade do Itaú para 12,8% no primeiro trimestre, bem abaixo do índice de 23,6% alcançado nos três primeiros meses de 2019.

Com isso, o Santander tirou do Itaú, pelo menos por um trimestre, o posto de banco mais rentável entre os gigantes privados.

Crédito e margem

Na mesma linha do que ocorreu com Bradesco e Santander, a carteira de crédito do Itaú apresentou um forte crescimento de 18,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e 8,9% em três meses, para R$ 769,2 bilhões.

Nas linhas para grandes companhias, o avanço foi de 24,5%, enquanto que os financiamentos para micro, pequenas e médias empresas e pessoas físicas subiram 16,2%.

Apesar da maior concessão de financiamentos, a margem financeira do Itaú (que contabiliza as receitas com crédito menos os custos de captação) registrou alta de apenas 0,8% na comparação com os três primeiros meses de 2019.

No relatório que acompanha o balanço, o banco informou que a margem financeira foi afetada os efeitos da mudança na regulação do cheque especial e também pela queda de 38,9% do resultado da tesouraria.

Inadimplência e provisões

No total, o custo do crédito do Itaú – que contempla as despesas com provisão para perdas com calotes – atingiu R$ 10,1 bilhões. Trata-se de um crescimento de 165,2% em relação ao primeiro trimestre de 2019.

O banco não especifica o quanto desse valor se refere especificamente à piora no cenário provocada pelo coronavírus e o quanto está ligado ao crescimento da carteira de crédito no período.

“O cenário macroeconômico e as perspectivas financeiras das pessoas e das empresas se alteraram a partir da segunda quinzena de março de 2020. O crescimento do custo de crédito se deu por essa alteração, que capturada pelo nosso modelo de provisionamento por perda esperada, gerou maiores despesas de provisão no banco de varejo e no banco de atacado no Brasil”, informou o banco.

Embora tenha se preparado para uma piora no cenário nos próximos meses, o índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira do banco segue relativamente estável e encerrou março em 3,1%.

Tarifas e despesas

Do lado positivo (do ponto de vista do acionista), o Itaú registrou um aumento de 8,2% nas receitas com tarifas e prestação de serviços, que somaram R$ 11,1 bilhões.

O banco também apresentou um bom controle de custos e, com isso, as despesas operacionais diminuíram 0,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, para R$ 12,1 bilhões.

Junto com o balanço, o Itaú informou a suspensão das projeções para o desempenho do banco neste ano.

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