Apertem os cintos: Azul (AZUL54) despenca quase 86% em dois dias com diluição das ações
O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.

A Azul (AZUL54) precisou descer as máscaras de oxigênio enquanto suas ações despencam na bolsa.
Ainda que a despressurização do seu valor de mercado seja impactante, a queda era esperada no mercado financeiro. Com a emissão de novos papéis, o valor do acionista foi pelos ares, o que pressiona o movimento de venda.
Por volta das 13h45, os papéis estavam em queda de 63,55%, maior queda na B3, a bolsa de valores brasileira. Ontem, as ações já haviam perdido 54,37% do seu valor, maior queda do mercado. Os papéis da aérea, que abriram o dia 6 de janeiro negociados a R$ 650,52, valem hoje R$ 91,25, queda de 85,97%.
Em uma semana, porém, a queda é de 95,90%. E, no dia 2 de janeiro, primeiro pregão deste ano, os papéis derreteram 50%. Ou seja, é só queda livre.
Diluição do valor do acionista
O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
Em meio à sua reestruturação, como parte do Chapter 11, nos Estados Unidos, a empresa ofertou R$ 7,44 bilhões em ações na noite de terça-feira, 6. Ao todo, são 723,9 bilhões de ações preferenciais (sem direito a voto, mas com prioridade no recebimento de dividendos) e 723,9 bilhões de ações ordinárias (com direito a voto).
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Apesar da emissão dos papéis, o valor de mercado da companhia permanece o mesmo, já que há mais ações em circulação.
Ou seja, quem tinha investimento na Azul perdeu dinheiro, já que seus papéis passam a valer menos. Esses investidores, portanto, os colocam à venda para que haja um reequilíbrio, o que impulsiona ainda mais as quedas. Os credores, por sua vez, receberam ações da empresa.
Segundo Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, a operação da Azul envolve uma forte diluição, com emissão massiva de ações a preços simbólicos. "A troca de dívida por equity sinaliza estresse financeiro, não crescimento", disse nesta quarta-feira, 7. "O aumento de capital melhora a estrutura de capital, mas beneficia credores, não acionistas."
Essa não é a primeira diluição da empresa. Desde o último dia 23 de dezembro, as ações preferenciais da Azul são negociadas sob o código “AZUL54”: cada papel representa um lote padrão de 10 mil ações, refletindo a conversão de dívidas em ações.
A Azul está em recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) desde maio do ano passado. O plano de reestruturação, aprovado pela Justiça norte-americana em dezembro após o aval de mais de 90% de todas as classes de credores elegíveis, prevê essa diluição dos acionistas minoritários.
Segundo a administração, a conversão é uma exigência do plano de recuperação aprovado pela Justiça norte-americana e já havia sido comunicada ao mercado em fato relevante divulgado em dezembro.
A Azul pretende encerrar o processo de recuperação judicial ainda no começo deste ano.
O que mais está no radar
Ainda em dezembro de 2025, o conselho de administração da Azul convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para o dia 12 de janeiro de 2026 para deliberar sobre o fim de suas ações preferenciais e transformar todo o capital da companhia em ações ordinárias, movimento que também faz parte do plano de recuperação judicial.
A proposta da companhia prevê que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo o comunicado ao mercado, a proporção foi estabelecida pela administração com base na relação econômica existente entre as ações preferenciais e as ações ordinárias.
Vale lembrar que a principal diferença entre os dois tipos é que a preferencial concede direito de preferência no recebimento de dividendos, enquanto a ordinária dá direito a voto em assembleias. Com a proposta, a Azul visa ter seu capital completamente composto por ações ordinárias.
Com Estadão Conteúdo e Money Times
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