Lucro do Banco do Brasil cai 20% no primeiro trimestre com provisão de R$ 2 bilhões para coronavírus
Banco teve lucro líquido de R$ 3,395 bilhões nos três primeiros meses de 2020, abaixo do esperado pelos analistas, e rentabilidade de 12,5%

Com um reforço de R$ 2 bilhões nas provisões para se proteger do aumento da inadimplência esperado com a crise do coronavírus, o lucro do Banco do Brasil registrou uma queda de 20,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado de R$ 3,395 bilhões nos três primeiros meses de 2020 ficou abaixo do esperado pelos analistas, cuja projeção apontava para um lucro de R$ 4,498 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.
Com a queda no lucro, a rentabilidade do Banco do Brasil caiu para 12,5%, contra um retorno de 16,8% obtido no primeiro trimestre do ano passado e pôs fim ao processo de melhora que vinha desde 2016.
No total, as despesas líquidas com provisões para perdas com calotes no crédito atingiram R$ 5,539 bilhões, um avanço de 63,3% sobre o primeiro trimestre do ano passado. Resta saber se elas serão suficientes ou se o BB terá de fazer novas provisões nos próximos balanços.
Dos quatro grandes bancos de capital aberto, apenas o Santander registrou aumento no lucro no primeiro trimestre, justamente por ter sido o único a não fazer provisões para o efeito coronavírus.
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Crédito
Assim como os demais bancos, a carteira de crédito do Banco do Brasil avançou no trimestre com o aumento na demanda, mas em um ritmo menor do que nos concorrentes privados.
O saldo das operações de financiamento atingiu 725 bilhões, alta de 5,8% em 12 meses e de 6,5% no trimestre.
Com isso, a margem financeira, que inclui a receita com as operações de crédito menos o custo de captação, atingiu R$ 14 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de 9,9% na comparação com o mesmo período de 2019.
A piora na economia provocada pela pandemia ainda não se refletiu nos índices de inadimplência do BB. Os atrasos acima de 90 dias na carteira do banco até registraram uma leve queda de 3,27% para 3,20% no trimestre. Mas estão acima dos 2,58% de março do ano passado.
Além da margem financeira, as receitas com prestação de serviços e tarifas ajudaram o resultado do Banco do Brasil, com uma alta de 4%, para R$ 7,067 bilhões.
As receitas avançaram em um ritmo maior do que as despesas administrativas, que somaram R$ 7,770 bilhões – alta de 2,7%.
Diante do cenário incerto, o BB também decidiu suspender as projeções para o desempenho deste ano. A estimativa do banco antes da crise era de registrar um lucro líquido entre R$ 18,5 bilhões e R$ 20,5 bilhões.
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