Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Vamos falar de longo prazo, que tal 10 anos? A coleção de décadas perdidas

Já sabemos que, no longo prazo, todos estaremos mortos. A questão é o que faremos no meio do caminho

15 de abril de 2020
10:34 - atualizado às 13:26
Calendário mostra longo prazo
Investimento de longo prazo - Imagem: Shutterstock

Dório Ferman, que dispensa apresentações, tem uma frase para descrever o comportamento típico dos investidores de Bolsa: “Todo longo-prazista é um curto-prazista que não deu certo”. É uma ironia, claro. Mas sejamos sinceros: todos preferiríamos ganhar dinheiro hoje em vez de ter de esperar três anos. Não seria lindo se pudéssemos comprar ABCD3 neste 15 de abril e — amanhã mesmo, por que não? — vendê-la pelo dobro do preço?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há um pequeno problema, um detalhe nessa equação: é simplesmente impossível, salvo sob determinadas condições muito particulares, ganhar dinheiro de forma sistemática em Bolsa no curto prazo. Em linhas gerais, os preços das ações — e da maior parte das séries financeiras — seguem modelos econométricos descritos por um “random walk”, um passeio aleatório em que o preço amanhã é descrito pelo preço de hoje mais um ruído randômico de média zero e variância constante. Em português, a melhor previsão que você pode fazer para o próximo “tick” é o próprio preço atual. Má notícia.

Então, por isso, pela simples impossibilidade de encher o bolso no curto prazo, vamos encher a Bolsa com horizontes de longo prazo. Nesse novo horizonte temporal, há uma crença — e não se iluda tanto: não passa mesmo de uma crença razoavelmente bem fundamentada em alguma observação empírica, sem uma efetiva e sólida comprovação e validação científica estruturada — de que o preço das ações conversa razoavelmente bem com o lucro da respectiva empresa.

Legal, temos aqui um procedimento a seguir. Compre ações de companhias cujo lucro aumenta substancial e consistentemente, sem pagar um preço exorbitante por elas, claro, e você terá chances razoáveis de sucesso.

Daí, porém, emerge uma nuance. Apegar-se a um suposto “longo prazo” não pode esconder erros individuais, de analistas, gestores e investidores, de inação. Se o cenário muda, eu mudo — e você? Se o fundamento estrutural mudou ou a matriz de risco-retorno mudou, você precisa mudar suas alocações também. Isso não significa, em nenhum momento, tentativas de fazer “timing” de mercado. Ao contrário, é a mais estrita análise fundamentalista, de se apegar a mudanças de valor intrínseco (não de preço) para balizar suas decisões de investimento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em bear markets estruturais, o certo a se fazer é reduzir sua posição em ativos de risco. Se você tiver um perfil mais de trader, inclusive, vender nos repiques e recompor mais pra baixo. Não precisamos ir muito longe. Na era Dilma, as incontestáveis (merecidamente) Dynamo e Atmos lotavam suas carteiras de NTN-B, dólar e mais o diabo, tudo que podiam para proteger suas posições em ações. Deu certo — tenho a sensação de que, para eles, sempre dá certo.

Leia Também

“Não se preocupe, no longo prazo volta.” Volta mesmo? Será? Qual é a garantia disso? Disfarçamos nossa incapacidade de adaptação ao novo cenário com uma hipótese por vezes sequer passível de rejeição — lembro de Karl Popper: toda hipótese precisa ser falseável. Se o sujeito lhe propuser algo como: “Isso é para longo prazo, ok?”, no fundo é uma proposta que beira a desonestidade intelectual.

Deixe-me dar um exemplo familiar para ilustrar o ponto — ele é absolutamente real (e ridículo também, mas hoje consigo rir a respeito).

Depois de quebrar quatro vezes e já acometido pela miastenia, o que tirava parte de sua capacidade de trabalhar e eliminava quase por completo as chances de recuperação patrimonial, meu pai passou a jogar na Mega-Sena, com disciplina espartana, todas as semanas — a verdade é que ele sempre teve uma tara por jogo; adorava um baralho e uma purrinha, costumava jogar no bicho também, em conversas ao pé do ouvido de um mulato que ficava sentado na frente do bar do Jorjão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sempre achei as jogadas semanais uma perda de dinheiro, com as probabilidades jogando contra. VPL negativo e tal. Enchi tanto o saco que uma vez ele se irritou e fez uma aposta: “Felipe, eu ainda vou ganhar na Mega. Vale mil reais?”.

O que aconteceu? Bom, a aposta, em si, eu ganhei. Os tais mil reais nunca vi. E suspeito que nunca verei — a não ser que ele me seja enviado em algum envelope via psicografia kardecista.

O tal “longo prazo” em Bolsa é um tipo de aposta como essa. O sujeito fala que no longo prazo a ação ABCD3 vai se recuperar depois do tombo de 60%. Você, com confiança no seu gestor, no seu analista ou no seu youtuber favorito, confia naquilo. Até o dia em que você morre, sem ver a tal recuperação. Sua esposa vai questionar a tal sugestão e percebe que o erro, claro, não foi do gestor, do analista ou do youtuber. O erro foi do próprio marido, que morreu cedo demais, aos 94 anos, sem ter esperado pelo longo prazo, que chegaria aos 103 anos de vida do falecido.

Avanço no raciocínio

Se uma ação específica segue o lucro da respectiva empresa no longo prazo (seja lá o que queira dizer esse “longo prazo”, que eu nunca conheci, nunca vi por aí), então, em termos agregados, um índice de ações deve seguir o consolidado dos lucros das empresas que o compõe — é apenas uma derivação lógica da hipótese de agregação. E, claramente, os lucros de uma amostra considerável de empresas, em especial se elas forem grandes, guarda correlação importante com a atividade econômica de um país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pense no caso dos bancos para facilitar. Se você somar Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, já consegue ter uma boa ideia do comportamento de todo o mercado de crédito brasileiro, que obviamente se relaciona diretamente com a economia como um todo.

Talvez o leitor mais crítico pudesse questionar a argumentação acima, sugerindo que as empresas listadas em Bolsa são as maiores, melhores e com mais vantagens competitivas, de modo que poderiam transitar de maneira resiliente por cenários mais adversos. Com efeito, não nego o contra-argumento. Ainda assim, parece razoável supor uma correlação entre lucros das empresas listadas em Bolsa e o PIB do respectivo país — não à toa, Warren Buffett tem como um de seus indicadores favoritos a relação de capitalização de mercado sobre PIB como uma das referências para balizar o quanto uma determinada Bolsa está barata ou cara.

Bom, então vamos lá.

Se organizações como Banco Mundial e FMI, que costumam ser comedidas e cautelosas em suas projeções e agora estimam uma contração de cerca de 5% do PIB brasileiro em 2020, estiverem certas, eis o que aconteceria com a nossa economia:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sim, é isso mesmo, praticamente voltamos ao PIB de 2010. Uma década perdida. Dez anos é “longo prazo” suficiente?

“Ah, mas voltaremos rápido em 2021?” Será? Com uma taxa de desemprego superior a 15%? Qual vai ser o nível de consumo diante de tanto desemprego? Mesmo quem estiver empregado vai rapidamente voltar a consumir vigorosamente depois da quarentena ou preservar altos níveis de poupança diante de uma natural cautela? E quem vai investir sabendo que não haverá consumo? O G (o Gasto do governo que entra na equação do PIB) vai nos salvar sendo que precisaremos de mais ajuste fiscal depois do déficit primário de 7% neste ano? Ok, ok, as exportações líquidas podem nos ajudar com o dólar lá perto de R$ 6, mas serão suficientes, dada nossa baixa corrente de comércio?

Pondere ainda que já havia no mundo, antes da questão do coronavírus, um debate sobre uma eventual estagnação secular — Larry Summers recuperou o termo proposto na década de 1930 por Alvin Hansen para descrever o baixo crescimento estrutural dos EUA à época, mediante excesso de taxa de poupança.

Não à toa, Ray Dalio, da Bridgewater, vem defendendo agora um período bastante semelhante àquele de 1930-32, sob as mazelas da Grande Depressão de 1929. O tal “Paradigm Shifts” foi escrito por ele no ano passado e a tese agora é de que o coronavírus chegou apenas para catalisar e acelerar esse movimento. Uma das grandes preocupações de Dalio é com uma espécie de “japanização” do mundo, com os países desenvolvidos vivendo uma grande armadilha de liquidez.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Então, se dez anos não forem suficientes para você, talvez valesse apenas, apenas como ilustração e para termos mapeadas todas as possibilidades, o comportamento do Nikkei (principal índice de ações da Bolsa de Tóquio) em razoável “longo prazo”:

Já sabemos que, no longo prazo, todos estaremos mortos. A questão é o que faremos no meio do caminho. Precisamos entender o longo prazo não como algo estático e imutável. No fim do dia, é uma mera soma agregada e sucessiva de curtos prazos. O cenário intrínseco e estrutural vai mudando e suas alocações precisam mudar com ele. Se não fosse assim, todos os portfólios do mundo seriam uma grande alocação estrutural, final e definitiva, sem qualquer interferência dinâmica do gestor.

O problema não é morrer no longo prazo. O diabo da coisa é não sobreviver até ele.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A busca pelo gelato perfeito, a falta de acordo entre EUA e Irã, e o que mais você precisa saber hoje

13 de abril de 2026 - 7:43

Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país

PLANO A

Chá revelação: 10 segredos sobre previdência e investimento de longo prazo para quem está começando uma nova fase da vida

12 de abril de 2026 - 8:00

Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho

VERSÃO BRASILEIRA

Nem todo clássico precisa de adaptação, e a chegada da Hofbräu no Brasil prova isso

11 de abril de 2026 - 9:11

Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como dobrar o patrimônio ao reinvestir dividendos, Regime Fácil, e o que mais você precisa saber hoje

10 de abril de 2026 - 8:30

Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa

SEXTOU COM O RUY

Receber dividendos é bom; reinvestir é melhor ainda. A estratégia confiável capaz de até dobrar o retorno dos seus investimentos

10 de abril de 2026 - 6:05

Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como surfar pela renda fixa, o preço do petróleo, e o que mais move os mercados hoje

9 de abril de 2026 - 8:27

Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia