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E aí, B3, vamos atrair essas milhares de empresas brasileiras? Ou vamos continuar perdendo soldados para a Nasdaq? Temos que fazer algo, com urgência
Hoje não vou falar que a nossa economia está em plena recuperação e que a migração da renda fixa para a renda variável já é uma realidade. Isso você já está careca de saber.
Venho com tom de crítica, clamando por mudanças.
Leitura recomendada: Aqui está um plano para para quem NÃO deseja esperar até os 65 para se aposentar, nem depender do governo.
Temos um problema diante de nós: a Bolsa brasileira não é “as mil maravilhas”.
Ela é pequena. Para não dizer minúscula diante do tamanho do nosso mercado corporativo.
Na B3 só se encontra a nata das empresas brasileiras e esse grupo está longe de representar o nosso PIB.
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Gosto de usar comparações para que se entenda o tamanho do nosso drama.
Israel é um país com menos de 10 milhões de habitantes, cujo território é similar em tamanho ao Estado de Sergipe. Minúsculo, não?
Sua economia de US$ 335 bilhões é um décimo do PIB do Brasil.
Agora eu te pergunto: você sabe quantas companhias israelenses possuem suas ações listadas na Bolsa local (TASE)? São 544 empresas.
Tem ideia de quantas empresas são listadas na B3? Apenas 330. Dessas, considerando a liquidez, podemos dizer que 250 são “investíveis”.
Ou seja, Israel, com uma economia significativamente menor que a brasileira e um mercado financeiro com menos expressão, possui bem mais empresas listadas do que a Bolsa brasileira.
Não precisamos ir muito longe.
Nossa vizinha Colômbia possui uma população de 49 milhões de pessoas, sendo que dessas mais de 3 milhões investem na Bolsa.
De fato, crescemos bastante nos últimos dois anos, mas só temos 1,6 milhão de CPFs, ou seja, menos de 1% da população brasileira investe em ações.
Temos que acelerar esse processo de crescimento. E isso passa não somente pelo aumento no número de investidores, mas também pelo montante de empresas listadas.
Queremos uma B3 que represente o tamanho da economia brasileira. Desejamos uma Bolsa com um número grande de ações listadas.
Estamos falando de uma via de mão dupla. A B3 deve criar meios para atrair novas companhias, reduzindo taxas de listagem e qualquer entrave que não estimule empresas a abrir o seu capital.
Ao mesmo tempo, as instituições têm que enxergar a Bolsa como um local de captação de recursos para a expansão de suas operações a fim de, posteriormente, aumentar o seu valor de mercado.
Não tenho dúvidas de que, com taxas de juros em patamares baixos por um longo período (cenário atual) e investidores recorrendo a mais risco em seus investimentos, se não fizermos nada para atrair mais empresas para a Bolsa, as oportunidades tornar-se-ão escassas em breve.
Vejo atualmente muitas assets anunciando que possuem mais de 5% de participação acionária em várias empresas. Isso é um grande problema.
Problema, pois as próprias gestoras de recursos não querem se tornar tão relevantes como acionistas. Imagine um cenário em que ocorre um alto volume de resgates em seus fundos. Essa movimentação acaba exercendo uma pressão vendedora no ativo. Em ações com menos liquidez, acaba sendo um grande tiro no pé.
Cada vez mais carentes de opções na B3, as assets locais vêm captando bilhões de reais e estão sendo “forçadas” a aumentar posições nas mesmas empresas.
Sem IPOs por aqui, em pouco tempo, o dinheiro que deveria ser investido no Brasil migrará para as Bolsas americanas, gigantes com capacidade de absorver esse enorme volume financeiro.
E isso não é nada legal; perderemos um ciclo positivo que pode levar o mercado acionário brasileiro para outro patamar.
Precisamos de anos como 2007, quando cerca de cem empresas estrearam na Bolsa. O que falta para isso acontecer?
Temos um fluxo enorme para entrar em renda variável; estamos diante de um ambiente econômico mais favorável, que propicia a tomada de mais risco.
Além disso, não tenho dúvidas de que muitas empresas já passaram pelas etapas de crescimento acelerado em seus ciclos, com investimentos de venture capital e private equity, e agora precisam da Bolsa para alçar voos maiores.
E aí, B3, vamos atrair essas milhares de empresas brasileiras? Ou vamos continuar perdendo soldados para a Nasdaq? Temos que fazer algo, com urgência.
Queremos ver a Bolsa grande. Índices acionários que expressem as mudanças, situações e cenários em que a nossa economia está exposta. Algo como o S&P 500 nos EUA, com as 500 ações mais importantes para o mercado.
Não demorará muito tempo para que cheguemos a um volume médio diário de R$ 25 bilhões (em janeiro, esse número já foi R$ 23,4 bilhões). Se não tivermos mais empresas listadas, esse dinheiro vai embora daqui. O mercado precisa de opções e de boas oportunidades.
Pelo menos, um alento. Vamos começar 2020 com três IPOs já engatilhados: os das construtoras Mitre e Moura Dubeux e o da empresa de hospedagem de sites Locaweb (já estamos analisando e vamos levar nossa opinião a você em breve). Segundo a B3, podemos atingir entre 20 e 30 ofertas públicas iniciais em 2020. Ainda é pouco.
Sonho meu: 500 ações com liquidez e 5 milhões de CPFs na B3 em cinco anos.
Não é algo de outro mundo; é bem possível. Basta remarmos todos juntos a favor da corrente.
Aí, sim, teremos uma Bolsa que represente efetivamente a nossa economia, o nosso mercado corporativo, o nosso Brasil.
Por aqui, vimos um mercado de realização de lucros diante do novo risco global com o coronavírus chinês, o que ofuscou o discurso do ministro Paulo Guedes no Fórum Econômico Mundial em Davos.
Acordamos hoje com um clima mais estável, com o governo chinês se mobilizando fortemente para conter o vírus.
As Bolsas europeias operam levemente no positivo e os índices futuros norte-americanos apontam para uma abertura para cima.
No Brasil, devemos ter um dia mais tranquilo, com a Bolsa se recuperando depois da forte queda de ontem. Vale acompanhar o impacto nas ações ordinárias da Petrobras (PETR3), após a empresa anunciar a venda das ações do BNDES em uma oferta que pode chegar a R$ 23 bilhões.
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