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O estranho ano de 2020 talvez acabe muito melhor do que todos poderiam supor a priori.
Antes de entrarmos no prato principal desta segunda-feira, três anúncios importantes.
Confirmamos hoje a aquisição da fintech Real Valor. Ficamos muito felizes em oferecer aos nossos assinantes uma solução importante para consolidação, monitoramento e análise de suas carteiras de investimento, uma demanda antiga deles mesmos. É um passo importante para o nosso Super App e para a consolidação da Empiricus , junto com a Vitreo, como um grande ecossistema de investimentos pautado nas melhores recomendações de investimento e na tecnologia de ponta, tendo sempre o investidor como centro, blindado de conflitos de interesse. Na minha opinião — e também na avaliação da Apple Store —, o Real Valor já é o melhor aplicativo de consolidação de carteiras do Brasil. Mas não o adquirimos somente por isso. Demos esse passo por conta dos brilhantes Gabriel Farias e Eduardo Belotti, fundadores da fintech, e por tudo que eles podem fazer pelos nossos assinantes. Iniciamos ainda hoje uma integração do Real Valor ao App da Empiricus . Em paralelo, o Real Valor segue também como um aplicativo independente. Se você ainda não fez o download desse app, fica aqui o convite.
Como talvez os dois leitores mais assíduos saibam, outro pilar importante desse grande universo de investimentos será a educação financeira. Estamos bastante ansiosos e motivados pelo início do nosso MBA com a Estácio amanhã. Além disso, estamos também muito felizes com o interesse e o engajamento das pessoas com o tema. Subimos a aula 3 na última sexta-feira e em poucas horas chegamos a mais de 2.000 comentários na página do lançamento. Fechamos os últimos detalhes ao longo dos últimos dias e gostaria de deixar aqui meu testemunho pessoal de como não há paralelos frente ao que estamos levando aos alunos. É algo verdadeiramente único e transformador. Se você ainda não assistiu à terceira aula, fica aqui o convite para fazê-lo.
E eu ainda gostaria de dividir outra questão marcante sobre nosso momento empresarial e também pessoal. No sábado, saiu mais uma resenha do meu livro "Princípios do Estrategista", em adição àquela recentemente publicada na Exame. Você pode conferir o texto neste link. A verdade, confesso, é que não estou muito acostumado com críticas elogiosas da imprensa especializada e é marcante e estimulante a transformação observada nessa relação. Será que estamos ficando velhos? O grande desafio entre a institucionalização, o mainstream e a manutenção do espírito de Day One. A referência é Mick Jagger, cavaleiro da Coroa britânica e até hoje um grande artista inovador. It’s only rock and roll, but I like it.
Bom, agora vamos lá.
Amanhecemos com novo recorde histórico do MSCI All-Country World, referência para o consolidado das Bolsas globais. A intensidade do otimismo também é relevante. Futuros dos índices de ações dos EUA sobem mais de 2%. A confirmação da eleição de Joe Biden por margem razoável de votos, com uma composição de Câmara de maioria democrata e, provavelmente, Senado e Suprema Corte com maioria republicana, cria uma ambiência percebida como positiva para os ativos de risco.
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As chances de contestação séria das eleições parecem baixas, afastando um temor antigo do mercado. Em breve, devemos ter aprovado um pacote fiscal superior a US$ 1 trilhão nos EUA — a Goldman Sachs, por exemplo, acaba de soltar relatório prevendo um programa fiscal superior a essa cifra ainda em dezembro. Em paralelo, o equilíbrio de forças no Congresso americano, sem a configuração de uma “blue wave”, sugere dificuldades para muitos aumentos de impostos ou para um avanço notável da regulação sobre as big techs. Não haveria combinação melhor.
Ao otimismo com a eleição nos EUA, se somou anúncio da Pfizer e da BioNTech, de que já há 90% de efetividade na vacina contra o coronavírus. A expectativa da comunidade científica, em geral, era de uma efetividade de pelo menos 75%.
Comemoramos o ambiente favorável para ativos de risco e o bom comportamento das nossas carteiras na semana passada, claro. Há algo talvez ainda mais interessante, porém: a julgar pelo histórico, o que vemos até aqui pode não ser apenas aquilo que tradicionalmente se chama de um “rali de alívio”, quando há altas de curto prazo derivadas da superação de alguma preocupação anterior. Se o passado pode servir de guia, podemos estar diante de uma grande tendência positiva à frente.
Benoit Mandelbrot foi preciso em identificar o que chamamos de clusters de volatilidade. Ou seja, há correlação entre a volatilidade de hoje e a de amanhã, na média. Em linguagem mais simples, dias turbulentos costumam trazer mais dias turbulentos pela frente. Ao mesmo tempo, temos também clusters de dias positivos. Dos cinco primeiros dias de novembro, quatro trouxeram uma alta superior a 1% do S&P 500. Nos últimos 50 anos, esse tipo de sequência foi um bom indicador de novas altas. Os retornos subsequentes de seis meses montaram a 10,65% na média (foram 11 períodos de alta, contra uma única queda). Já a valorização dos próximos 12 meses foi de 14,66%. A última vez em que tivemos uma sequência similar foi em março de 2020.
Segundo dados da Nautilus Investment Research, no dia 6 de novembro, tínhamos 85% das ações do S&P 500 negociando acima de sua média móvel de 10 dias. Uma semana antes, esse número não passava de 5%. Uma reversão de natureza tão extrema costuma significar um aumento da volatilidade de curtíssimo prazo, com uma perda média de 0,85 ponto percentual na semana subsequente à reversão (12 quedas contra 9 altas), acompanhada de um bom desempenho nos meses seguintes — retornos médios de três meses de 5,41% (16 altas contra apenas 5 quedas).
Outro indicador de força é o aumento da correlação entre os setores. De acordo com a Nautilus, a correlação de três meses entre setores atingiu o pico de 98% em abril e, desde então, vinha caindo, para bater 66% em outubro. Nos últimos dias, isso subiu para 70%. Tipicamente, quando esse indicador passa de 70% depois de seis meses, temos uma perspectiva de força do mercado como um todo. Em situações assim, o retorno médio de seis meses do S&P foi de 7,84% (19 altas frente a apenas 3 baixas). O desempenho médio dos 12 meses posteriores marcou 13,73% (21 altas contra uma única queda).
O argumento mais forte acontece com os mercados emergentes. A principal referência para mercados emergentes fechou três desvios-padrão acima de sua média móvel de um mês. Extremos dessa forma tendem a preceder grandes valorizações, com os mercados emergentes tradicionalmente superando o S&P nos meses subsequentes.
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