Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Ganha-ganha ou tango à beira do precipício?

Na eventualidade de uma surpresa negativa, o mercado vai desafiar o BCB, questionando sua capacidade de conter uma disparada de câmbio, até o limite de sofrermos um ataque especulativo

25 de maio de 2020
10:31 - atualizado às 13:26
precipício
Imagem: Shutterstock

Mohamed El-Erian, em tom crítico, se refere à dinâmica do mercado norte-americano como uma visão de uma situação do tipo “ganha-ganha”. Não sabemos o que vai acontecer à frente. Há muita incerteza no ar. Teremos uma segunda onda de contágio da Covid-19? Qual será o tamanho da recessão? Em que formato virá a recuperação: V, U, L, W? Teremos uma vacina antes de julho de 2020? E por aí vai.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Contudo, em termos práticos, as perguntas poderiam ser, na visão do consenso de mercado atual, irrelevantes. Se as coisas derem certo e o cenário positivo vier a se materializar, então é autoexplicativo. A economia cresce, as empresas lucram mais, as ações sobem. O cenário bom é… o cenário bom.

Já se for o contrário, e o cenário adverso vier a se concretizar, então o banco central norte-americano entraria no mercado ampliando sua já muito grande atuação, quem sabe até, no limite, comprando ações. Ou seja, também aqui teríamos Bolsas subindo lá fora, por conta de um grande comprador de primeira e última instância. “Never fight the Fed” (nunca bata de frente com o Fed), diz o ditado clássico.

Como Rogério Xavier resumiu na Live que fizemos na semana passada, o mercado está operando a “put-Fed”— o direito de vender para o banco central dos EUA a qualquer momento. “Os mercados são muito simples. Se não é para vender porque o Fed não deixa cair, então é para comprar.” Ou, de forma ainda mais direta: “Se você sabe que o Fed vai comprar muita banana, você compra na frente para vender pra ele”.

Será que não há limite para essa dinâmica? Poderíamos operar sob a “put-Fed” numa espécie de moto-perpétuo? 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vejamos o seguinte: se o Fed está comprando ETFs de high yield e, conforme especula-se, pode avançar para outras categorias numa movimentação ainda mais heterodoxa, o que você faria se fosse uma empresa muito endividada? Se você sabe que, no limite, o Fed compra aquele crédito, você emite tudo que pode. Empresas ficam cada vez mais endividadas, mesmo que o fluxo de caixa não seja suficiente para pagar o serviço da dívida. Vamos caminhando para um mundo de empresas zumbis, que só não quebram porque o Fed está ali para salvá-las.

Leia Também

No final, acabamos com empresas pouco eficientes que, se fosse pela seleção natural do mercado, já estariam mortas. A consequência é uma queda da produtividade agregada da economia e baixo crescimento econômico. Conforme já afirmou André Jakurski, cerca de 1/3 das empresas listadas nos EUA já era meio zumbi antes da Covid-19, por conta do histórico de pesadas intervenções monetárias desde 2008.

Resgatando Howard Marks, capitalismo sem falência é como catolicismo sem inferno. Não funciona. E, para arrematar o argumento, vamos de Keynes: os mercados podem se manter irracionais por mais tempo do que você pode se manter ilíquido. É muito difícil sabermos até quando o mercado vai operar sob o modo “put-Fed”. Pode ser por muito tempo, mas, cedo ou tarde, o fundamento acaba prevalecendo. Ou teremos de caminhar para respostas positivas às perguntas feitas no início deste texto ou incorreremos necessariamente num intenso processo de correção. 

Duas inferências aqui: i) parece excessivamente agressivo já contar com respostas positivas; ii) históricos de bear markets indicam novas visitas às mínimas e muito mais tempo até que as crises se resolvam. Só o tempo vai nos dizer se desta vez é diferente. A questão é já se antecipar contando necessariamente com o cenário positivo à frente, como se fôssemos amantes do risco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Meu entendimento é de que deveríamos tomar atitudes como agentes avessos ao risco, não amantes dele.

Curioso como essa postura tem vindo inclusive dos formuladores de política econômica. O Banco Central do Brasil, contrariando o que se defende como um comportamento típico das autoridades monetárias, também vem adotando uma postura tomadora de risco. Ele corta a Selic agressivamente olhando de forma exclusiva para inflação e hiato do produto. Para impedir uma escalada ainda mais forte da taxa de câmbio, vende reservas pesadamente. Se os mercados continuarem calmos e a crise política local, de fato, passar, ok, não teremos problemas aqui.

Contudo, na eventualidade de uma surpresa negativa, o mercado vai desafiar o BCB, questionando sua capacidade de conter uma disparada de câmbio, até o limite de sofrermos um ataque especulativo. Então, seríamos obrigados a subir os juros de forma rápida e intensa. Isso feriria de morte qualquer expectativa de saída da depressão econômica brasileira. No meio da crise, um grande aperto monetário. Se tudo der certo, ótimo, mas o risco existe. 

Estamos numa situação exótica em que o próprio Banco Central, tradicionalmente quem deveria prezar pela austeridade e pelo conservadorismo, parece contar com a materialização do cenário benigno. Em vez de vivermos uma situação “ganha-ganha”, parecemos mais estar dançando tango à beira do precipício. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Encerro o texto de hoje com a melhor provocação que encontrei nesse final de semana, copiada do Twitter de Paulo Bilyk: “Qual a chance de uma empresa tocada do jeito daquela reunião dar certo? Ou uma escola então? Uma organização social? Até a Máfia, que sucesso teria assim? Qual a eficácia do caos? Seja qual for a ideologia, qual chance de dar certo?”.

O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger dos choques cada vez mais comuns de petróleo, recorde na bolsa, e o que mais move os mercados hoje

14 de abril de 2026 - 8:34

Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

O novo normal é o choque: o investimento “obrigatório” em tempos de guerra

14 de abril de 2026 - 6:04

Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A busca pelo gelato perfeito, a falta de acordo entre EUA e Irã, e o que mais você precisa saber hoje

13 de abril de 2026 - 7:43

Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país

PLANO A

Chá revelação: 10 segredos sobre previdência e investimento de longo prazo para quem está começando uma nova fase da vida

12 de abril de 2026 - 8:00

Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho

VERSÃO BRASILEIRA

Nem todo clássico precisa de adaptação, e a chegada da Hofbräu no Brasil prova isso

11 de abril de 2026 - 9:11

Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia