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Cuidado, pois muitas pessoas confundem estratégia com resultado almejado.
Como investidores, de que tipo de estratégia precisamos para atravessar uma crise?
Cuidado, pois muitas pessoas confundem estratégia com resultado almejado.
Por exemplo: a chamada "herd immunity", em que uma grande parte da população fica imune a determinada doença infecciosa, mitigando o contágio aos demais, não é uma estratégia, mas sim um resultado almejado.
A estratégia seria: como fazemos para alcançar a imunidade de rebanho minimizando as mortes no meio do caminho? Isolamento, distanciamento social, uso de máscaras, construção de hospitais de campanha, etc. — essas são as estratégias, sob o teste da realidade.
Analogamente, ficar rico com oportunidades abertas pela volatilidade não é uma estratégia; é um resultado almejado.
Importa como chegar lá.
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Via de regra, a dedução da estratégia é muito mais complexa do que a definição do resultado almejado.
Durante um drawdown de mercado como este que vivemos, não há como fixar parâmetros perenes sobre preços ideais para compra e venda, tomada de risco ou de proteções.
Hoje, a volatilidade de um dia equivale, literalmente, à volatilidade de um mês em condições normais.
Temos que viver uma ocasião por vez, e decidir a contento.
Viver como o escultor que molda a pedra, pacientemente, com seu cinzel de unha.
Quando lhe perguntam: que tipo de escultura você tem em mente?
"Está vendo estes primeiros sulcos aqui embaixo? Se começa a se delinear uma barba, é um São Francisco. Caso contrário, é o véu de uma Nossa Senhora."
Seja um ou seja outro, ambos ambicionam resultados de imagens sagradas.
Refiro-me a tal argumento pois, em geral, temos recomendado cautela, desde o início.
Se quiser se dar ao trabalho, compare-nos com os outros e verá que temos diferencial na disciplina e dedicação para com nossos assinantes (no que, vale lembrar, não fazemos mais que a obrigação).
Mas toda essa cautela não nos impede de buscar oportunidades pontuais de ganho em meio aos exageros do mercado.
Assim como não impedirá que entremos de cabeça na virada caso a Bolsa venha a desbravar novas mínimas nas próximas semanas.
Conforme escreveu o Felipe nesta coluna ontem: "A proposição de um portfólio mais defensivo no momento não representa a ausência de posições de risco. Essas duas coisas podem coexistir simultaneamente e não são paradoxais".
Somos franciscanos, somos marianos. Felipe é de formação jesuíta. Às vezes, somos ateus, mas sempre somos céticos.
Desconfiamos de que as coisas podem piorar antes de melhorar.
Não seria exatamente um problema.
Enquanto houver pedra virgem em nosso quintal e um bom cinzel em nossas mãos.
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?
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