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Cuidado, excesso de cuidado à frente!

Nossos heróis demasiado humanos não podem falhar nem mesmo no olho do furacão?

17 de setembro de 2020
12:06 - atualizado às 13:23
Ray Dalio, gestor da Bridgewater
O megainvestidor Ray Dalio, diretor de investimentos da gestora Bridgewater. - Imagem: Bridgewater Associates / Reprodução

Você provavelmente já ouviu falar dele.

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Ray Dalio toca um dos maiores hedge funds do mundo.

Sua gestora — a Bridgewater Associates — possui um patrimônio de aproximadamente US$ 150 bilhões.

Seu livro de Princípios virou best-seller global, merecidamente (recomendo a leitura a qualquer pessoa que queira empreender, e sobretudo às pessoas que não queiram).

Então, você deve imaginar, esse sujeito é adorado por todos, certo?

Não exatamente.

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A imprensa americana sempre aproveita as mínimas chances de atacar sua reputação.

No caso mais recente, noticia-se que o principal fundo de investimentos da Bridgewater acumula uma queda de 18% no ano, a pior performance em uma década de track record.

Nossos heróis demasiado humanos não podem falhar nem mesmo no olho do furacão?

Ironicamente, num novo mundo de fóruns de day traders em que a ilusão pelo acaso é ostensivamente premiada, a pretensa falha de Ray Dalio tem menos a ver com indisciplina e mais a ver com um excesso de cuidado.

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A Bridgewater foi rápida ao cortar suas alocações de risco em março, quando o coronavírus se tornou um grave problema sistêmico.

No entanto, o retorno a essas mesmas posições ocorreu de forma vagarosa nos meses subsequentes, sem conseguir pegar carona no "helicopter money" do Fed.

Não é a primeira vez que isso acontece.

Em janeiro de 2019, um movimento semelhante impediu que a gestora surfasse o pacote de estímulos de Jerome Powell.

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E não custa lembrar que o maior erro da carreira de Ray Dalio, explicitado no livro, ocorreu em 1982, quando ele apostou todas as sua fichas em um cenário de depressão econômica que nunca veio à tona (ao contrário, aquele fora o início de um dos maiores ciclos de crescimento não inflacionário dos EUA).

Ok, todos esses fatos são verídicos e têm sua devida importância no entendimento de como pensa e trabalha a Bridgewater.

Mas, se Ray Dalio é mesmo tão estúpido, como seu principal fundo foi capaz de subir em 17 dos últimos 20 anos, gerando um retorno médio de 12% ao ano, em dólares, sob volatilidade bastante aceitável?

No calor do momento, as notícias financeiras são levadas ao leitor desprovidas de contexto.

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Um sujeito passa 20 anos fazendo um ótimo trabalho e é retratado como um idiota em meio à adversidade de um 2020 pandêmico.

Se é verdade que a Bridgewater vai mal quando o mercado se recupera rapidamente — e mesmo assim é capaz de gerar alfa em longo prazo —, isso significa que só poder ir bem quando o mercado não se recupera.

Diante da atual escassez de hedges para os nossos portfólios, uma posição em Bridgewater traz o pouco de cuidado a mais de que todos estamos precisando antes de sair por aí falando mal de quem não conhecemos.

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