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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Esquenta dos mercados

Sem meta para o PIB e com ameaças renovadas à Hong Kong, China comanda a cautela nos mercados

A tentativa da China de endurecer sua atuação em Hong Kong traz mais tensão na ja complicada relação diplomática com os Estados Unidos. No Brasil, divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril pode renovar a preocupação com o cenário político local

Jasmine Olga
Jasmine Olga
22 de maio de 2020
8:08 - atualizado às 8:29
China EUA
Imagem: Shutterstock

A sexta-feira chega junto com mais um capítulo na novela diplomática que se desenrola entre os Estados Unidos e China. O gigante asiático ameçou impor novas leis de segurança nacional a Hong Kong - um dos maiores centros financeiros do mundo, desagradando os Estados Unidos e o presidente Donald Trump. A tensão entre os países deixa os mercados globais em estado de alerta, com a cautela predominando nas principais bolsas.

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Por aqui, os investidores ainda surfam nos resultados da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores, se apoiando no clima de reconciliação e no aguardo do veto presidencial ao reajuste dos funcionários públicos, previsto na PEC de auxílio aos Estados e municípios. Mas, o sentimento para não durar muito tempo. O ministro Celso de Mello deve definir hoje o destino do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Resta saber se o material considerado 'bombástico' será divulgado na íntegra ou apenas parcialmente.

A novela continua

Mais um capítulo na renovada tensão entre Estados Unidos e China. Dessa vez, a troca de farpas entre as duas maiores economias do mundo tem Hong
Kong como alvo das atenções.

A China pretende anunciar novas de leis de segurança nacional a Hong Kong, com o objetivo de interromper atividades consideradas subversivas pelo governo e a interferência estrangeira na ilha. Em resposta, o presidente Donald Trump disse que haverá uma 'reação muito forte' caso a China siga adiante com o plano.

A ex-colônia britânica é um território autônomo, reconhecido como um dos principais centros financeiros do mundo.

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Vale lembrar que a relação dos dois países vem se deteriorando no último mês, com as seguidas acusações por parte do governo americano de que o país asiático é responsável pela pandemia do coronavírus.

Leia Também

Os investidores temem que a tensão diplomática afete os termos do tratado comercial assinado pelas duas potenciais no começo do ano, por isso a cautela redobrada com a situação.

Sem meta

A China deu início à sua reunião legislativa, muito esperada pelo mercado com as metas para a sua atividade econômica para o ano.

Mas, logo na abertura do Congresso do Povo, um banho de água fria. A China decidiu não fixar uma meta para o seu Produto Interno Bruto em 2020 - é a primeira vez que isso acontece desde 1994.

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A decisão é um reflexo dos ainda incertos impactos do coronavírus na economia do gigante asiático. Somado aos elevados clima de tensão, as bolsas da Ásia fecharam em baixa - com o índice acionário de Hong Kong liderando as perdas.

A instabilidade política em Hong Kong também contamina as principais bolsas europeias, que operam em queda nesta manhã.

A cautela nos mercados também atinge os índices futuros em Nova York, que operam no campo negativo.

Queda firme

Depois de alguns dias de recuperação, o clima tenso entre Estados Unidos e China e a falta de uma meta econômica no país asiático também jogam o mercado de petróleo no campo negativo.

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Por volta das 7h20, o barril do petróleo WTI tinha queda de mais de 6%, a US$ 31,83. O Brent para o mesmo mês caía 4,77%, a US$34,34

Em clima de paz

A tão aguardada reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores, realizada nesta quinta-feira, trouxe alívio ao cenário político doméstico e descolou o Ibovespa da cautela vista no mercado global.

O encontro foi bem recebido pelos investidores locais, que comemoraram uma aparente sintonia entre o presidente e governadores, além de sinais de coesão dentro do governo.

O governo federal e os governadores se uniram em torno do apoio ao veto ao reajuste aos servidores públicos, previsto na PEC que regulamenta o auxílio emergencial a Estados e municípios.

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A reunião contou também com a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, também inspirando o entendimento de que a tensão política deu espaço para discursos mais conciliadores.

Com o clima de reconciliação no ar e a a indicação de que o veto realmente virá, preservando as contas do governo e seguindo a orientação de Paulo Guedes, o Ibovespa fechou o dia em alta de 2,10%, aos 83.027,09 pontos. O dólar teve um dia de forte alívio - aliando o bom humor local com a repercussão da fala do presidente do BC, Roberto Campos Neto -, e caiu 1,88%, a R$ 5,5818.

Com a demora do presidente em sancionar a PEC, os Estados tiveram tempo para anunciar reajustes. Na Câmara, foi aprovada uma MP que reestrutura cargos e concede gratificações na chefia da Polícia Federal.

Fim da linha

O alívio na tensão no cenário político pode não durar muito.

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O ministro Celso de Mello deve divulgar hoje a sua decisão sobre o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril e deve pegar os mercados ainda abertos para repercutir o conteúdo.

A expectativa é que o vídeo seja divulgado integralmente, como pede a defesa do ex-ministro Sergio Moro ou parcialmente, como é defendido pela AGU e PGR.

Segundo o teor do conteúdo já vazado para a imprensa, o vídeo teria um potencial 'bombástico' e confirmaria as acusações de Moro sobre a tentativa de interferência política na Polícia Federal por parte do presidente Jair Bolsonaro.

Balanços

Hoje pela manhã, antes da abertura do mercado, temos a divulgação de Usiminas.

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Confira os últimos números divulgados:

  • A MRV adiou a divulgação do seu balanço, que deveria ter sido apresentado ontem, para quinta-feira da semana que vem.
  • Lojas Renner teve lucro líquido de R$ 10,4 milhões no 1º trimestre, uma queda de 93,6% com relação ao mesmo período do ano passado.
  • Cogna Educação (ex-Kroton Educacional) teve lucro líquido de R$ 46,809 milhões no primeiro trimestre do ano, queda de 85,3% ante lucro de R$ 318,692 milhões visto um ano antes

Agenda

O Banco Central oferta até R$ 4 bilhões em compromissadas de três meses.

O Banco Central Europeu irá divulgar a ata da sua última reunião de política monetária (8h30).

Fique de olho

  • Conselho da Braskem aprovou ajuste do limite da dívida bruta máxima da companhia no valor de US$ 7,9 bilhões.
  • Mudança no valor a ser pago de JCP pelo Carrefour: o total se manteve em R$ 12 milhões, mas o total por ação agora é de R$ 0,006045282.

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