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Os investidores voltam a assumir uma postura negativa em relação ao surto de coronavírus. Como resultado, o Ibovespa desabou e acionou novamente o circuit breaker
O pessimismo voltou com tudo aos mercados globais nesta quarta-feira (18). O Ibovespa abriu em queda firme e rapidamente perdeu o nível dos 70 mil pontos. As perdas se aprofundaram ainda durante a manhã e, às 13h18, o índice bateu os 10,26% de baixa, acionando o circuit breaker.
É a sexta vez apenas em março que o botão do pânico da bolsa precisou ser acionado. Com a nova interrupção, a atual crise do coronavírus igualou uma marca pouco animadora: em 2008, em meio à quebra do Lehman Brothers e ao caos no sistema financeiro, o circuit breaker também foi acionado seis vezes.

Por mais que os governos tenham assumidos medidas mais enérgicas para conter o avanço do coronavírus e limitar os impactos econômicos da pandemia, notícias preocupantes no front das empresas começam a ecoar. Na Europa, as montadoras de automóveis já começam a indicar uma paralisação ao menos parcial de suas atividades na Europa.
Outro setor fortemente abalado é o de transporte aéreo, com as principais companhias do mundo mostrando grande preocupação quanto à sustentabilidade de suas operações no médio prazo caso o cenário de forte contração da demanda e restrições aéreas persista.
Assim, em meio aos sinais desanimadores, muitos já apostam que os pacotes de estímulo acionados pelos governos não será suficiente para proteger a economia mundial — o que eleva a aversão ao risco por parte dos investidores.
E, de fato, os principais bancos e casas de análise já estão trabalhando com um cenário de recessão econômica no Brasil e no mundo nos próximos trimestres.
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O Credit Suisse, por exemplo, cortou sua projeção de crescimento do PIB do país para zero em 2020; o Morgan Stanley agora tem como cenário-base uma recessão global neste ano; e o UBS projeta recuo na economia brasileira no primeiro semestre.
No mundo todo, já são mais de 8,2 mil mortes e cerca de 203 mil pessoas contaminadas pelo vírus — no Brasil, há mais de 300 casos e ao menos uma morte confirmada por causa da doença.
Por aqui, a falta de sintonia entre o presidente Jair Bolsonaro e os demais poderes no combate à doença também causa desconforto entre os investidores. A percepção é a de que Bolsonaro está se isolando politicamente e perdendo apoio popular — ontem, foram realizados 'panelaços' contra o presidente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
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