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Dados da Bolsa por TradingView
2020-03-17T14:46:40-03:00
Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.
CRESCIMENTO GLOBAL

Para Morgan Stanley, recessão global em 2020 agora é cenário-base

No documento, os analistas Chetan Ahya, Derrick Y Kam, Nora Wassermann e Frank Zhao disseram que a expansão do PIB do mundo neste ano deve ser de 0,9% e que essa seria a pior expansão desde a crise financeira global, quando o crescimento econômico global foi negativo em 0,5% em 2009

17 de março de 2020
14:46
queda das bolsas pelo mundo
Aqueda no exterior puxa o índice brasileiro para baixo, em cenário interno nada favorável - Imagem: Shutterstock

Depois de ver o número de casos de coronavírus piorar bastante e prever que o impacto na economia mundial será grande, o banco Morgan Stanley divulgou hoje (17) em relatório que agora o cenário-base da instituição é de recessão global em 2020.

No documento, os analistas Chetan Ahya, Derrick Y Kam, Nora Wassermann e Frank Zhao disseram que a expansão do PIB do mundo neste ano deve ser de 0,9% e que essa seria a pior expansão desde a crise financeira global, quando o crescimento econômico global foi negativo em 0,5% em 2009.

Segundo eles, a expectativa para este ano é que o Produto Interno Bruto (PIB) contraia 0,3% no primeiro trimestre deste ano e recue 0,6% no trimestre seguinte. Já no terceiro e no quarto trimestres, a estimativa dos analistas é que o indicador tenha expansão de 1,8% e de 2,5%, respectivamente.

Eles destacaram ainda que o impacto do coronavírus na economia mundial vai acontecer por meio de três canais: na atividade comercial e nos efeitos que ele pode ter nas cadeias de suprimentos; na destruição da demanda, particularmente em termos de consumo e serviços e o impacto nas condições financeiras, já que elas estão cada vez mais "apertadas" e os deslocamentos dos mercados financeiros, particularmente o mercado de crédito.

Para eles, embora as políticas dos governos ajudem a limitar a queda, o impacto do coronavírus juntamente com o pouco espaço para melhorar as condições financeiras no mundo podem ajudar a produzir "grandes ondas de impacto na economia global".

E por isso fizeram um alerta: se o coronavírus continuar a se espalhar mundo afora até o terceiro trimestre de 2020, a expectativa é que haja uma recessão ainda mais profunda e que o crescimento médio global fique negativo em 0,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Ao falar sobre o crescimento específico dos países, os analistas destacaram que o crescimento chinês deve contrair em 5% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos Estados Unidos, a expectativa do time é que os americanos vejam um recuo de 4% do PIB no segundo trimestre e uma recuperação mais lenta no terceiro trimestre de 2020.

A Europa, por sua vez, deverá ter o pior desempenho com uma queda de 5% no crescimento em 2020, na comparação com o percentual registrado um ano antes.

Além de um crescimento mais lento, a expectativa dos analistas é que os países do G4 juntamente com a China aumentem o seu déficit fiscal em cerca de 200 pontos-base em 2020.

Revivendo a economia global

Porém, para eles, a combinação de uma boa política monetária com afrouxamento fiscal poderão ajudar a reviver a economia global no terceiro trimestre de 2020, enquanto a contração na comparação ano a ano no primeiro semestre de 2020 deve ser "inevitável".

Dessa forma, a atitude dos Bancos Centrais se faz cada vez mais necessária para conter o pânico nos mercados e nas economias. Para os especialistas, o anúncio do banco central americano (FED) no último domingo (15) deve fazer com que todos os bancos centrais do chamado G4 estejam na mesma página e sigam a linha de afrouxamento monetário.

"Acreditamos que ainda há um longo espaço para irmos com cerca de 25 bancos centrais aumentando o afrouxamento monetário que começou no meio de janeiro e que deve ir até o terceiro trimestre deste ano", apontaram os especialistas.

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