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Devolvendo os ganhos

Risco político volta a aumentar e faz o dólar subir quase 2%; Ibovespa fecha em queda

O dólar à vista saltou mais de 10 centavos em relação ao fechamento de ontem, pressionado pelas tensões entre governo e STF. O Ibovespa caiu mais de 1% hoje, mas ainda acumula ganhos de 8% desde o começo de maio

Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O dólar à vista e o Ibovespa vinham numa onda de alívio, sustentados pela menor percepção de risco dos investidores. Pois, nesta quinta-feira (28), esse quadro mudou: notícias mais preocupantes voltaram ao radar dos mercados, especialmente no Brasil — e, como resultado, os ativos domésticos passaram por uma correção relevante.

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A moeda americana fechou a sessão de hoje em alta de 1,97% no segmento à vista, cotada a R$ 5,3832 — um avanço de mais de 10 centavos em relação ao fechamento de ontem, quando a divisa valia R$ 5,27. Ainda assim, o dólar continua acumulando uma baixa de mais de 3% na semana e de cerca de 1% no mês.

Na bolsa, o Ibovespa permaneceu no campo negativo durante quase todo o pregão, terminando o dia em queda de 1,13%, aos 86.949,09 pontos. Assim como o dólar, o índice também continua com um saldo positivo mesmo com o desempenho de hoje: desde o começo de maio, ainda avança 8%.

  • Eu gravei um vídeo para explicar melhor a dinâmica da sessão desta quinta-feira. Veja abaixo:

O comportamento do Ibovespa chama a atenção por ficar aquém dos demais índices acionários do mundo: na Europa, as principais praças avançaram mais de 1%; nos EUA, o Dow Jones (-0,58%), o S&P 500 (-0,21%) e o Nasdaq (-0,46%) tiveram baixas moderadas, após passarem boa parte do dia flutuando perto da estabilidade.

Esse tom mais pressionado na bolsa brasileira e no mercado doméstico de câmbio deixa claro que os fatores locais foram responsáveis por movimentar a sessão por aqui. E, em primeiro plano, apareceram as novas tensões em Brasília.

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Governo e STF entraram em rota de colisão após a operação da Polícia Federal contra apoiadores da administração Bolsonaro. O presidente e seus aliados próximos elevaram o tom contra os ministros do Supremo, o que aumentou a percepção de risco político.

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Esse novo episódio ressalta a sensibilidade dos mercados ao noticiário vindo de Brasília e deixa claro como o equilíbrio de forças entre os Três Poderes encontra-se fragilizado — uma situação que, evidentemente, coloca em risco os planejamentos econômico e de saúde pública numa situação de pandemia.

Obviamente, esse tom mais apreensivo visto no Brasil serviu como argumento perfeito para a realização de lucros: considerando o rali visto na bolsa e o forte alívio no câmbio, os investidores tiveram hoje uma oportunidade perfeita para desfazer parte de suas posições.

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Exterior cauteloso

Em paralelo às questões domésticas, também tivemos uma certa prudência no exterior, com os EUA e a China trocando farpas cada vez mais intensas. O centro da disputa, agora, é a independência de Hong Kong — o governo chinês deseja retomar o controle administrativo da ilha, uma aliada americana na Ásia.

O anúncio de que o presidente dos EUA, Donald Trump, fará uma entrevista coletiva amanhã para falar sobre a China contribuiu para piorar o humor dos agentes financeiros externos, colocando Wall Street de vez no campo negativo e pressionando ainda mais o Ibovespa.

Assim, as bolsas de Nova York assumiram um comportamento mais defensivo nesta quinta-feira, destoando do otimismo visto na Europa — por lá, o pacote de auxílio financeiro e o processo de reabertura econômica continua injetando confiança nos mercados.

Desemprego avança

Voltando ao Brasil, os investidores também reagiram com cautela aos dados do mercado de trabalho: a taxa de desemprego no país subiu para 12,6% no trimestre encerrado em abril, atingindo 12,8 milhões de pessoas. Trata-se de mais um impacto gerado pela crise do coronavírus e que aumenta o pessimismo em relação à economia doméstica.

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O aumento no desemprego e a fraqueza da economia abrem espaço para cortes mais acentuados na Selic, de modo a estimular a atividade — e, assim, os DIs fecharam em ligeira queda na ponta curta quanto na longa:

  • Janeiro/2021: de 2,38% para 2,36%;
  • Janeiro/2022: de 3,22% para 3,19%;
  • Janeiro/2023: de 4,29% para 4,35%;
  • Janeiro/2025: de 5,99% para 6,02%.

Top 5

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON8,13+5,58%
USIM5Usiminas PNA6,00+5,26%
BRKM5Braskem PNA29,00+5,07%
VVAR3Via Varejo ON12,58+3,28%
GGBR4Gerdau PN13,53+2,04%

Confira também as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IGTA3Iguatemi ON32,93-6,40%
MULT3Multiplan ON21,30-5,50%
YDUQ3Yduqs ON28,51-5,28%
MRVE3MRV ON15,75-5,23%
BRML3BR Malls ON9,95-4,88%
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