Ladeira abaixo: dólar à vista cai pelo sexto dia seguido e chega a R$ 5,27
O dólar à vista voltou a ter um alívio intenso e, com isso, já acumula perdas de mais de 5% apenas nesta semana — com a baixa de hoje, a moeda chegou ao menor nível desde 17 de abril

A primeira lei de Newton diz que "todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele". O enunciado, originalmente formulado para descrever a dinâmica dos corpos, parece reger também o comportamento recente do dólar à vista.
Basta pensar nos vetores que atuam sobre o câmbio. Há algumas semanas, todos empurravam a moeda americana para cima — tínhamos uma forte tensão política doméstica e uma enorme incerteza econômica no exterior. E, enquanto essas forças não eram alteradas, o dólar continuou subindo.
Pois, de uns dias para cá, esses vetores se inverteram. Aqui dentro, tivemos uma diminuição nas turbulências em Brasília; lá fora, um otimismo cada vez mais firme quanto à retomada da atividade começou a ser visto. O dólar, assim, foi forçado a mudar o seu movimento uniforme — e, de acordo com o reequilíbrio das forças, passou a cair.
- Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados brasileiros nesta quarta-feira. Veja abaixo:
E, ainda obedecendo à Lei da Inércia, essa queda da moeda americana tem ocorrido de maneira praticamente uniforme: nesta quarta-feira (27), o dólar à vista marcou a sexta baixa consecutiva, recuando mais 1,47% e fechando o dia a R$ 5,2790 — a menor cotação de encerramento desde 17 de abril.
Com o desempenho de hoje, o dólar à vista já acumula um alívio de 5,39% apenas nesta semana; desde o começo de maio, a baixa chega a 2,94%. Vale lembrar que, no meio do mês, a moeda chegou a tocar os R$ 5,97 na máxima intradiária.
Leia Também
E o que aconteceu para esse novo dia de alívio no câmbio? Bem, basicamente... nada. Tivemos apenas a conservação dos vetores da maneira como estavam anteriormente: o cenário doméstico segue tranquilo e o panorama externo continua otimista.
Ok, é claro que algumas notícias contribuíram para a manutenção das forças da maneira vista nos últimos dias. Em destaque, o lançamento de um plano de auxílio econômico na Europa, no montante de até 750 bilhões de euros.
Uma novidade que, inclusive, deu ânimo às bolsas globais: as principais praças europeias fecharam em alta de mais de 1%, os índices americanos subiram e, por aqui, o Ibovespa fechou o dia com ganhos de 2,90%, aos 87.946,25 pontos — na máxima da sessão.
É o maior nível desde 10 de março, quando o Ibovespa ainda estava acima dos 90 mil pontos. E, com os ganhos de hoje, o índice já sobe 9,24% em maio.
Sem estresse
Esse otimismo visto lá fora se deve às iniciativas lançadas pela União Europeia para combater os impactos econômicos do coronavírus. O grupo lançou um plano de auxílio de 750 bilhões de euros aos Estados-membro do bloco — o pacote ainda precisa ser aprovado pelos governos dos países.
A iniciativa soma-se aos inúmeros planos de estímulo lançados pelos Estados Unidos ao longo das últimas semanas e contribui para aumentar a percepção de que a recuperação da atividade nas áreas mais afetadas pela Covid-19 contará com o apoio maciço das autoridades globais.
Além disso, o próprio processo de reabertura econômica na Europa e nos EUA contribuiu para manter o bom humor dos investidores Desde a semana passada, o retorno gradual das atividades em países como Itália, Espanha e França tem ajudado a dar força às bolsas e tirado pressão do câmbio.
O noticiário mais ameno vindo da Europa se sobrepôs, inclusive, às tensões geopolíticas envolvendo EUA e China. A troca de acusações em relação à responsabilidade pela pandemia, somado aos atritos envolvendo a soberania de Hong Kong, elevaram a percepção de que a guerra comercial entre as potências poderá ser reativada a qualquer momento.
Mas, enquanto não há grandes novidades nesse front o mercado preferiu se focar nos anúncios e iniciativas vistos na Europa — e, assim, o tom foi positivo nos mercados globais nesta quarta.
[captacao]
Sem descuidar de Brasília
Por aqui, o mercado continuou atento aos desdobramentos do cenário político. Apesar da percepção de diminuição das turbulências em Brasília, ainda há muitos fatores de risco no radar dos investidores.
Em primeiro lugar, tivemos a expectativa quanto à assinatura, pelo presidente Jair Bolsonaro, do pacote de auxílio financeiro emergencial a Estados e municípios — e, em paralelo, a perspectiva de veto ao aumento no salário dos servidores públicos, conforme alinhado com governadores na semana passada.
Contudo, a relação entre a administração Bolsonaro e os governadores passou por novas tensões recentemente, considerando a operação da Polícia Federal (PF) contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. E, nesta quarta, uma nova operação da PF, desta vez contra apoiadores de Bolsonaro, gerou alguma tensão em Brasília.
Nada, no entanto, que tenha mexido com a percepção de risco por parte dos investidores, que continuaram assumindo uma postura menos defensiva no dólar e na bolsa. No mercado de juros, o dia foi de poucas movimentações a ponta curta teve um tom mais estável, enquanto a longa seguiu caindo:
- Janeiro/2021: estável em 2,38%;
- Janeiro/2022: de 3,24% para 3,24%;
- Janeiro/2023: de 4,34% para 4,29%;
- Janeiro/2025: de 6,01% para 5,98%.
Top 5
Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta quarta-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| USIM5 | Usiminas PNA | 5,70 | +16,33% |
| CVCB3 | CVC ON | 15,25 | +12,96% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | 6,08 | +11,76% |
| GGBR4 | Gerdau PN | 13,26 | +10,96% |
| CSNA3 | CSN ON | 9,45 | +10,79% |
Confira também as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| TOTS3 | Totvs ON | 20,32 | -1,69% |
| BTOW3 | B2W ON | 94,00 | -1,47% |
| VIVT4 | Telefônica Brasil PN | 48,72 | -0,57% |
| SULA11 | SulAmérica units | 44,01 | -0,18% |
| EGIE3 | Engie ON | 41,64 | -0,05% |
TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE