Ibovespa reage e sobe 1,58%, retornando ao patamar dos 117 mil pontos; dólar tem dia de estresse
O Ibovespa aproveitou o tom de maior otimismo no exterior para recuperar boa parte das perdas acumuladas na semana passada. Já o dólar à vista teve uma sessão mais cautelosa, voltando à faixa de R$ 4,14

Na semana passada, o Ibovespa acumulou uma baixa de 1,87%. Pois, apenas na sessão desta segunda-feira (13), o principal índice da bolsa brasileira recuperou boa parte do terreno perdido.
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Desde o início do dia, o Ibovespa dava sinais de que teria um pregão positivo, dando fim à sequência de seis quedas consecutivas. O exterior estava tranquilo, o front corporativo não trazia focos de pressão e o noticiário doméstico mantinha-se calmo.
E, de fato, o índice correspondeu às expectativas: abriu no azul e foi ganhando força gradativamente. Ao fim da sessão, marcava 117.325,28 pontos, em alta de 1,58% — um desempenho superior ao das bolsas americanas: o Dow Jones (+0,29%), o S&P 500 (+0,68%) e o Nasdaq (+1,04%) tiveram ganhos menos intensos.
O bom humor, contudo, não foi generalizado. No mercado doméstico de câmbio, a sessão foi marcada por uma cautela intensa, com o dólar à vista terminando em forte alta de 1,18%, a R$ 4,1418 — a maior cotação desde 10 de dezembro.
Essa diferença de comportamento entre o Ibovespa e o dólar se deve aos fatores considerados por cada um dos mercados ao longo do dia. Enquanto o noticiário internacional pautou as negociações na bolsa, a apreensão em relação à economia local foi dominante nas operações de moeda.
Dissipando os riscos
Em linhas gerais, o clima foi de maior tranquilidade no exterior, com uma menor percepção de risco por parte dos agentes financeiros. No Oriente Médio, a leitura é a de que um conflito militar é cada vez menos provável, em meio à onda de protestos populares no Irã contra o líder supremo do país, Ali Khamenei.
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Desde que Teerã revelou ter disparado o míssil que derrubou o avião da Ukranian Airlines — um acidente, de acordo com as autoridades iranianas —, parte da população do país têm se mobilizado contra o governo. Assim, há o entendimento de que o Irã tende a deslocar as atenções para seus prolemas internos, deixando de lado as movimentações militares na região.
Além disso, há otimismo quanto à assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China — a cerimônia está prevista para quarta-feira (15). Por mais que o tema esteja longe de uma conclusão, a formalização do acerto tende a reduzir as tensões dos agentes financeiros no curto prazo.
Considerando essa dissipação nos riscos internacionais, os investidores mostraram-se mais confortáveis para assumir posições nos mercados acionários — e o Ibovespa foi particularmente beneficiado por esse contexto, considerando a sequência negativa das últimas sessões.
[captacao]
Dólar estressado
No câmbio, o dia foi de valorização do dólar em relação às moedas de países emergentes, como o rublo russo, o rand sul-africano e o peso chileno. No entanto, o Brasil se destacou nessa lista, com o real apresentando um dos piores desempenhos nesta segunda-feira.
E o que explica esse salto no dólar à vista por aqui? Segundo Ricardo Gomes da Silva, operador de câmbio da corretora Correparti, o mercado mostrou-se apreensivo com a agenda econômica recheada desta semana, especialmente com os dados referentes à atividade no Brasil.
Nos próximos dias, serão divulgados os números do IBC-Br, das vendas no varejo e do setor de serviços — informações que, segundo ele, ganharam relevância com a recente aceleração da inflação.
"Há a necessidade de manter a política monetária frouxa para estimular o crescimento, mas também há um processo de inflação recrudescente que se contrapõe", diz Silva, lembrando que, no exterior, também serão conhecidos os dados de PIB na China e outros indicadores relevantes nos EUA.
Por outro lado, o operador da Correparti destaca que o Ibovespa conseguiu ter uma sessão tranquila, o que indica que não houve um movimento de cautela generalizada nos mercados brasileiros. "É uma semana mais tensa e devemos ter bastante volatilidade, ainda mais com a baixa liquidez do começo do ano".
Juros pressionados
A valorização do dólar à vista ainda resultou em pressão nas curvas de juros, que passaram por ajustes positivos nesta segunda-feira. Veja como ficaram os DIs mais líquidos hoje:
- Janeiro/2021: de 4,47% para 4,49%;
- Janeiro/2023: de 5,68% para 5,74%;
- Janeiro/2025: de 6,38% para 6,44%;
- Janeiro/2027: de 6,74% para 6,81%.
Mineração e siderurgia em alta
As companhias exportadoras de commodities tiveram uma sessão bastante positiva, impulsionadas pelo otimismo em relação às negociações comerciais entre EUA e China.
Por mais que a formalização do acerto não ponha um fim à guerra comercial, trata-se de um passo importante para acalmar os ânimos no mercado nesse front no curto prazo. Há a leitura de que, com a assinatura, a desaceleração da economia da China seja interrompida.
O desempenho do gigante asiático é especialmente importante para o setor de commodities, uma vez que a China é a grande consumidora global de minério de ferro, produtos siderúrgicos e celulose. Assim, a aceleração da economia do país implica num crescimento da demanda por esses produtos.
E, de fato, o mercado reagiu positivamente à perspectiva de conclusão do acordo: o minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao fechou em alta de 2,14% nesta segunda-feira.
Como resultado, Vale ON (VALE3) avançou 3,64%, CSN ON (CSNA3) teve ganho de 6,05%, Gerdau PN (GGBR4) valorizou 4,30% e Usiminas PNA (USIM5) fechou em alta de 4,38%. Bradespar PN (BRAP4) subiu 4,20% — a empresa possui participação relevante na Vale.
No setor de papel e celulose, Suzano ON (SUZB3) e as units da Klabin (KLBN11) tiveram ganhos de ,69% e 4,76%, respectivamente. Saiba mais sobre os destaques do Ibovespa nesta segunda-feira nesta matéria.
Top 5
Veja os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta segunda-feira:
- Via Varejo ON (VVAR3): +8,55%
- CSN ON (CSNA3): +6,05%
- Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4): +5,26%
- Klabin units (KLBN11): +4,76%
- Magazine Luiza ON (MGLU3): +4,69%
Confira também as maiores baixas do índice hoje:
- SulAmérica units (SULA11): -2,27%
- Braskem PNA (BRKM5): -1,31%
- GPA PN (PCAR4): -1,09%
- CVC ON (CVCB3): -1,05%
- Carrefour Brasil ON (CRFB3): -0,89%
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