Menu
2019-07-31T20:07:06-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Nova mínima histórica

Copom corta Selic de 6,5% para 6% ao ano e vem mais redução por aí

Decisão do Banco Central ficou em linha com o esperado por metade do mercado, pois havia divisão de apostas entre corte de 0,25 ponto e meio ponto percentual

31 de julho de 2019
18:21 - atualizado às 20:07
Copom
Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 6,5% para 6% ao ano, nova mínima histórica. A decisão foi unânime e sem viés e podemos falar que "agradou" a uma metade do mercado, pois a outra metade esperava redução de 0,25 ponto.

No comunicado apresentado após a decisão, o colegiado presidido por Roberto Campos Neto, reconhece que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que a continuidade desse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.

O Copom também acena que novas reduções poderão acontecer ao afirmar que a consolidação do cenário benigno para a inflação "deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo".

Mas pondera que a comunicação dessa avaliação sobre novos cortes "não restringe sua próxima decisão" e reitera que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. A próxima reunião acontecerá nos dias 17 e 18 de setembro.

Antes de seguir adiante com o Copom, taxas de juros menores favorecem a alocação em ativos de risco, como  bolsa de valoresfundos imobiliários e títulos longos do Tesouro Direto. Segue o link para um e-book gratuito sobre perspectivas de investimento no segundo semestre.

Cai até onde?

Os números apresentados pelo Banco Central (BC) sugerem que o ciclo de corte poderia ser de até 1 ponto percentual. Isso decorre da projeção de inflação fechando 2020 em 3,9%, considerando Selic de 5,5% e câmbio de R$ 3,8. A meta para 2020 é de 4%.

Esses 5,5% de Selic representam a mediana do mercado, mas certamente veremos uma onda de revisões para próximo de 5% ou até abaixo disso. O Bank of America Merrill Lynch já fala em juro de 4,75% em 2019.

Para 2019, com Selic em 5,5% e câmbio de R$ 3,75, a inflação fecharia a 3,6%, contra meta de 4,25%. Vale lembrar que o corte de hoje tem impacto mais marcado de 2020 em diante em função do efeito defasado no lado real da economia. De fato, o BC já retirou 2019 do seu horizonte relevante.

A taxa básica estava em 6,5% desde março de 2018, quando marcou o fim de um ciclo de corte iniciado em outubro de 2016, com Selic partindo de 14,25% ao ano.

Selic
Gráfico Selic - aqui está o link para o gráfico interativo na página do BC - Imagem: BCB - Imagem: BCB

Balanço de riscos

O Copom reconhece o avanço na agenda de reformas, referência clara à aprovação em primeiro turno da Previdência. Mas esse continua sendo o “risco preponderante”, dentro dos principais vetores acompanhados pelo BC.

De fato, o parágrafo sobre o balanço de riscos, não mudou. De uma lado, a atividade fraca pode continuar gerando inflação abaixo do previsto. Do outro lado, eventual frustração sobre a continuidade das reformas pode afetar prêmios de risco e inflação futura. Algo que se intensifica no caso de deterioração do quadro externo para emergentes.

O Comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas entende que, neste momento, o risco de frustração com as reformas é preponderante.

O colegiado também reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Atualmente, a taxa real (juro futuro descontado da inflação esperada) está na casa dos 1,7%.

Cena doméstica

Depois de falar em interrupção do processo de recuperação, agora, para o Copom, os indicadores recentes da atividade econômica sugerem “possibilidade de retomada" desse processo. Para o BC, essa retomada ocorrerá em ritmo gradual.

No lado da tendência da inflação, obtida pela observação dos diferentes núcleos, o BC fala em níveis confortáveis, inclusive dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária (como serviços).

Cena externa

Para o BC, o cenário externo mostra-se “benigno”, em decorrência das mudanças de política monetária nas principais economias. Entretanto, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem.

Em junho, a avaliação era de quadro externo “menos adverso”. Durante boa parte do ano, o quadro internacional era visto como “desafiador”.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

NÚMEROS DA PANDEMIA

Brasil acumula 5,3 milhões de casos e 157 mil mortes por covid-19

País registrou 13.493 novos casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo Ministério da Saúde

Entrevista exclusiva

Líder no Nordeste, Moura Dubeux quer manter foco na região e na rentabilidade

Em entrevista exclusiva, o CEO da incorporadora de Recife fala sobre a vida da empresa antes e depois do IPO, diz que por ora não vê sentido em sair do Nordeste e que prioriza rentabilidade a crescimento

PRÉVIA DOS BALANÇOS

Os grandões vêm aí: Petrobras e Vale divulgam os resultados; veja o que esperar

Semana será marcada pela apresentação dos resultados de algumas das principais companhias da B3

agenda lotada

Os segredos da bolsa: balanços de pesos-pesados podem manter Ibovespa em alta em semana de Copom

Lá fora, resultados do terceiro trimestre de Amazon, Apple, Facebook, Google e Microsoft são destaques, além de decisões de bancos centrais

O GRANDE DRAGÃO VERMELHO

Pandemia deve reforçar poder chinês na economia

Movimento aponta para a continuidade das tensões com Estados Unidos e manutenção da alta demanda por matérias-primas produzidas pelo Brasil

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies