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As bolsas americanas e o Ibovespa renovaram seus recordes históricos nessa semana. Só que o índice brasileiro escolheu uma montaria bastante arisca — e, com isso, realizou lucros após tocar as máximas históricas
O rodeio dos mercados teve uma semana agitada. Quatro peões — três americanos e um brasileiro — subiram nos touros e foram às máximas, levado a platéia dos agentes financeiros ao delírio. Só que um dos cowboys não conseguiu se segurar por muito tempo no topo.
Dando nome aos bois: o Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram o pregão desta sexta-feira (12) em alta e atingiram novos recordes de fechamento, todos montados na expectativa quanto ao início de um novo ciclo de corte de juros nos Estados Unidos.
Já o vaqueiro Ibovespa escolheu um touro particularmente arredio, que atende pelo nome de reforma da Previdência. E, embora tenha tido sucesso na tarefa num primeiro momento — e atingido patamares inéditos —, acabou perdendo o equilíbrio e terminou a sessão de hoje em queda de 1,18%, aos 103.905,99 pontos.
Com isso, o principal índice da bolsa brasileira encerrou a semana com uma leve perda acumulada de 0,18%. Não é muito, mas considerando que o Ibovespa chegou a superar os 106 mil pontos na quarta-feira (10) e que os mercados americanos seguem firmes no rodeio, essa queda acaba chamando a atenção.
A semana do Ibovespa pode ser dividida em duas partes: antes e depois da votação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno pelo plenário da Câmara.
Até quarta-feira (10), o tom foi de otimismo: os agentes financeiros mostravam ampla confiança em relação à tramitação das novas regras da aposentadoria. Nessas duas sessões, o índice fechou em alta, atingindo as máximas de fechamento (105.817,06 pontos) e intradiária (106.650,12 pontos) na quarta.
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E essa confiança mostrou-se certeira, afinal, o texto-base da Previdência foi aprovado com ampla margem de folga pelos deputados. Ao todo, a pauta recebeu 379 votos favoráveis — eram necessários 308 manifestações à favor. E mais: a proposta apresentava uma potência fiscal de cerca de R$ 900 bilhões em 10 anos, cifra considerada alta pelos mercados.
Só que, a partir daí, o touro da Previdência começou a ficar mais agitado. E dois fatores dificultaram a manutenção do Ibovespa no topo: a votação dos destaques — isto é, os pedidos de alteração no texto — e o cronograma apertado da tramitação.
Operadores e analistas com quem eu conversei nos últimos dias foram quase unânimes ao afirmar que os debates a respeito dos destaques mostram-se mais difíceis que o previsto pelo mercado. Afinal, havia a expectativa de que essas discussões fossem encerradas já na quarta-feira — mas, até o fechamento do pregão desta sexta, o tema continuava sendo analisado pelos deputados.
O prolongamento das discussões dos destaques traz dois efeitos: por um lado, há o temor de que as mudanças diminuam a potência fiscal da reforma e, por outro, gera ainda mais aperto ao cronograma de tramitação da pauta.
Originalmente, os planos do governo incluíam a aprovação da reforma na Câmara em dois turnos antes do recesso do Congresso, no dia 18. Mas, em meio às dificuldades de avanço, parece cada vez mais provável que o segundo turno do pleito ficará apenas para agosto — o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já admitiu essa possibilidade.
"Qualquer atraso [na tramitação] já estressa os mercados", diz Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. "Com essas dificuldades, teremos uma realização de lucros, é normal".
Vale ressaltar que, apesar de não ter conseguido se manter no topo até fim da semana, o Ibovespa ainda está em níveis muito elevados — o índice permanece acima dos 100 mil pontos desde 19 de junho. A queda do touro não foi feia: trata-se, por enquanto, de um desequilíbrio, mas sem maiores ferimentos.
Se o Ibovespa teve dificuldade com sua montaria, o mesmo não pode ser dito das bolsas americanas: os três principais índices acionários dos Estados Unidos tiveram uma semana bastante positiva — e que foi coroada com as marcas atingidas nesta sexta-feira.
Ao fim do pregão de hoje, o Dow Jones teve alta de 0,90%, aos 27.332,03 pontos; o S&P 500 avançou 0,44%, aos 3.013,12 pontos; e o Nasdaq subiu 0,59%, aos 8,244,14 pontos — e, com isso, os três índices atingiram novos recordes históricos de fechamento.
As bolsas do EUA chegaram aos níveis inéditos com base na confiança quanto ao início de um processo de corte de juros por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. Ao longo da semana, o presidente da instituição, Jerome Powell, deu sinalizações que animaram os mercados e levaram os índices acionários para o alto.
Entre outros pontos, Powell afirmou que as incertezas provenientes da guerra comercial continuam a pesar sobre o cenário econômico americano — o menor crescimento mundial também é ponderado pela autoridade. Tais falas foram suficientes para manter os peões com firmeza no topo do touro.
Esse possível movimento do Fed tende a ocorrer em sincronia com outros passos semelhantes das principais autoridades monetárias do mundo, incluindo o Banco Central Europeu (BCE). Em meio à desaceleração da economia global, as instituições dão indícios de que entrarão num ciclo baixa de juros.
E, com juros menores, os agentes financeiros tendem a aumentar a alocação na renda variável, com destaque para o mercado acionário. Além disso, ativos de risco e de países emergentes também acabam sendo beneficiados, uma vez que oferecem retornos maiores.
Essa cautela quanto aos rumos da reforma da Previdência não foi sentida com maior intensidade pelo mercado de câmbio: o dólar à vista recuou 0,34% nesta sexta-feira, a R$ 3,7382, e acumulou baixa de 2,09% na semana.
No exterior, a semana foi de alívio generalizado no câmbio: em linhas gerais, o dólar perdeu terreno em escala global, tanto em relação às divisas fortes quanto às emergentes e de países ligados às commodities, com a perspectiva de corte de juros como pano de fundo.
Assim, o real foi beneficiado pelo contexto externo e conseguiu dar continuidade ao movimento de alívio visto desde o início do mês — mas sem descuidar do noticiário político local.
As curvas de juros flutuaram ao redor da estabilidade ao longo do dia, divididas entre a cautela com a tramitação da reforma e o otimismo em relação ao início de um processo de cortes na Selic pelo Banco Central já na próxima reunião do Copom, no fim deste mês. Ao fim do dia, contudo, os DIs fecharam em alta.
Mais cedo, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, deu indícios de que a instituição vê uma melhora no balanço de riscos para a inflação, ao comentar sobre a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência — declaração entendida como um forte sinal de que a Selic poderá cair em breve.
Mas, em meio à cautela dos mercados brasileiros nesta sexta-feira, os DIs pouco se mexeram: na ponta curta, as curvas com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 5,58% para 5,60%. Na longa, as curvas para janeiro de 2023 avançaram de 6,30% para 6,35%, enquanto as com vencimento em janeiro de 2025 foram de 6,83% para 6,91%.
As ações ON do Magazine Luiza (MGLU3) apareceram entre os destaques positivos do Ibovespa nesta sexta-feira, com o mercado reagindo bem ao anúncio de um novo desdobramento dos papéis da companhia, na proporção de um para oito.
A Magalu diz que a medida, que ainda precisa de aprovação dos acionistas, tem como objetivo aumentar a liquidez dos papéis. Como resultado, as ações ON da empresa subiram 0,55%, a R$ 232,05.
BRF e Marfrig anunciaram, no fim de maio, que estavam estudando a possibilidade de combinação dos seus negócios. Só que a união das duas gigantes do setor de proteína animal não deu certo: as empresas desistiram oficialmente do plano de união.
No entanto, a interrupção do casamento não trouxe grandes impactos às ações das duas companhias. BRF ON (BRFS3) recuou 1,12%, enquanto Marfrig ON (MRFG3) ficou estável
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